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Tecnologia animal: Mamãe natureza é um gênio

As formas lapidadas por plantas e bichos na batalha pela vida são imitadas pela tecnologia humana.

O mundo cruel não perdoa quem não tem capacidade de se adaptar. Há quase 4 bilhões de anos, quando surgiram os primeiros seres unicelulares sobre a Terra, os organismos vivos evoluem buscando a eficiência na luta contra outras espécies e pela própria preservação. Só sobrevivem os mais aptos. Nesse campo de batalha pela vida, bichos e plantas encontram soluções geniais, imitadas – propositalmente ou não – pelo homem.

Quando se olha a natureza de perto, reconhecem-se formas do cotidiano tão comuns como um parafuso ou um torquês. Ao desenvolverem esses mecanismos durante milhares de anos, os animais e plantas procuravam a melhor maneira de se defender e de se reproduzir. Chegaram a soluções tecnológicas tão brilhantes quanto as produzidas pelas melhores cabeças humanas, que em muitos casos nelas se inspiraram.

Oba! Sangue!

Dentro da tromba da fêmea do pernilongo, há um microbisturi duplo e serrilhado que abre um buraco na pele. Uma agulha penetra então num vaso sangüíneo, injetando saliva para evitar que o sangue coagule. A sucção ocorre pelo mesmo princípio a vácuo da seringa hipodérmica.

Parafuso perfumado

A técnica de perfuração não é exclusiva do parafuso. Com essa forma, a semente de gerânio consegue penetrar lentamente em solo molhado, garantindo a germinação.

Grudados como gancho

Inventado por um engenheiro suíço, o Velcro que amarra o tênis é uma cópia assumida de sementes e frutas espinhudas, como o cardo. Os frutos do cardo, com as pontas em forma de gancho, se fixam nos pêlos de mamíferos (e na roupa dos humanos), carregando assim suas sementes para germinar mais longe.

Pés para subir paredes

Uma lagartixa do sul da França tem as patas em formato de pás flexíveis, o que lhe permite agarrar-se até em vidro. O mesmo desenho na sola do sapato ajuda o alpinista a escalar pedras escorregadias.

Pinças nas vítimas

Insetos da ordem dos dermápteros, conhecidos como lacrainhas, têm uma pinça na extremidade do adbome. Assim imobilizam as presas com a mesma eficiência de um torquês ao puxar um prego.

Mosca de boca fechada

Há mais de um século o zíper fecha roupas, mas essa estrutura já estava nos insetos muito antes. A imagem do microscópio de varredura eletrônica mostra a extremidade da probóscide (espécie de trompa) de uma mosca, com ranhuras que se encaixam como um zíper.

Semente voadora

A semente do bordo, árvore nativa da América do Norte, tem o perfil aerodinâmico de uma hélice. Um dos pais da aeronáutica, o inglês George Cayley, desenhou um propulsor depois de observar o vôo dessa semente, que cai da árvore girando em alta velocidade e pode percorrer 200 metros

Garras cortantes

O braço de um louva-a-deus é afiado como um canivete. Tanto a parte superior, o fêmur, como a inferior, a tíbia, possuem espinhos. Na posição de descanso, o braço fica dobrado; num vigésimo de segundo, ele se abre e agarra a presa nos espinhos.