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Terra pode ter sido um “mundo d’água” há 3 bilhões de anos

Pesquisa pode contribuir nos estudos das primeiras vidas unicelulares que surgiram no planeta.

Por Carolina Fioratti - 4 mar 2020, 18h18

Estudo recente publicado na revista Nature sugere que, cerca de três bilhões de anos atrás, o planeta Terra era, na verdade, um mundo d’água. Geólogos chegaram a conclusão após analisarem um pedaço da crosta oceânica localizado no noroeste australiano. 

Os pesquisadores analisaram dados de isótopos de oxigênio presentes naquele local. Isótopos são as variantes de um elemento químico, ou seja, que possuem mesmo número atômico, mas número de massa diferente. 

O local era propício por ter se mantido bem preservado mesmo com o passar dos (bilhões de) anos. Benjamin Johnson, pesquisador da Universidade do Colorado em Boulder (EUA) e um dos líderes do estudo, coletou amostras de rochas no fundo do mar. Após suas análises, obteve diversas informações que tornaram possível comparar tanto os isótopos quanto as temperaturas que as pedras enfrentaram. 

Ele identificou que, no passado, a água possuía uma quantidade bem grande de um isótopo pesado, o oxigênio-18, bem diferente da composição que encontramos hoje. Isso aconteceu, provavelmente, porque não havia continentes na época. Caso eles já existissem, a argila presente na terra absorveria o elemento. 

Mas isso não significa que não existissem nem mesmo pequenas ilhas ou coisas do tipo. Na verdade, cientistas suspeitam que algumas porções de terra chamadas de “microcontinentes” já eram encontradas em algumas áreas. 

Mas caso você queira saber quando surgiu o primeiro supercontinente, Gondwana, saiba que ainda é um mistério. Acredita-se que isso tenha ocorrido devido a redução de calor no interior terrestre, mas cientistas não têm certeza. 

A pesquisa pode ajudar a estimar onde e como surgiram as primeiras vidas unicelulares. “Sem continentes e terras acima do nível do mar, o único local para os primeiros ecossistemas evoluirem seria no oceano”, disse Benjamin Johnson.

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