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Uma catástrofe cósmica matou os dinossauros?

Os registros fósseis mostram que classes inteiras de formas de vida desapareceram em diferentes épocas nos últimos 650 milhões de anos. Um desses maiores eventos de extinção ocorreu há cerca de 65 bilhões de anos, nos limites entre as eras geológicas Secundária e Terciária. Nessa época, uma enorme quantidade de plantas e animais – quase a metade de todo o biogênero existente – desapareceu completamente.

Em 1981, na reunião da Associação Americana para o Avanço da Ciência, em São Francisco, Estados Unidos, o físico americano Luis Walter Alvarez, prêmio Nobel de Física em 1968 e seu filho, o geólogo Walter Alvarez, apresentaram a hipótese de que, há 65 milhões de anos, um asteróide de uma dezena de quilômetros de diâmetro e massa de quase 13 trilhões de toneladas se teria chocado com a Terra. Tal choque, além de cavar uma cratera de 175 km de diâmetro, provocou uma explosão de 100 milhões de megatons.

Logo depois do impacto, uma massa de poeira 100 vezes superior à do asteróide foi projetada na atmosfera, mergulhando a Terra numa noite que durou de dois a três anos. Essa poderia ter sido uma das causas do desaparecimento dos dinossauros e dos outros imensos animais que dominavam o mundo naquela época. Somente os animais de pequeno porte, capazes de se alimentarem de raízes, grãos e resíduos orgânicos, conseguiram sobreviver e assim puderam rever a luz do Sol.

A hipótese dos Alvarez tem o grande valor de explicar o súbito desaparecimento dos dinossauros de uma maneira muito mais lógica que as hipóteses anteriores, segundo as quais esses animais se teriam tornado inadaptáveis à vida naquele ambiente. A suspeita de que esses eventos de extinção ocorrem regularmente foi levantada em 1977 por dois outros pesquisadores americanos, David Raup e John Sepkoski Junior, da Universidade da Califórnia. Em 1984, depois de estudar a extinção de 600 famílias de vida marinha nos últimos 250 milhões de anos, eles constataram doze diferentes ocorrências desse tipo. A última teria ocorrido há 11 milhões de anos.

A teoria do impacto dos Alvarez pode parecer em contradição com a teoria da extinção cíclica de Raup-Sepkoski -. Mas estudos em 88 crateras produzidas na superfície terrestre por impacto de corpos celestes mostram uma interessante periodicidade entre elas – algo em torno de 28 a 31 milhões de anos. E foi com base em todas essas hipóteses que os astrônomos americanos Marc Davis e Richard Müller, da Universidade da Califórnia, propuseram que uma estrela anã, muito pequena e densa, que gira ao redor do Sol em um período de revolução da ordem de 26 milhões de anos, poderia ser a causa dessas extinções periódicas.

Por ocasião de sua passagem pelo ponto mais próximo do Sol, provocaria enorme chuva de cometas, alguns dos quais poderiam se chocar com a Terra. Um dos problemas para comprovar todas essas teorias que explicam a extinção dos dinossauros como conseqüência de um bombardeio de meteoros era a falta de um aparelho que pudesse medir com precisão a quantidade de irídio em amostras de rochas. O fato de o irídio ser muito raro na Terra e estar sempre associado à queda de meteoros contribui para a suspeita de que seja um elemento extraterrestre.

Mas recentemente os cientistas Frank Asaro, Helen Michel e Don Malone descobriram novo processo capaz de determinar com segurança a presença do irídio nas rochas terrestres. Podemos esperar para breve novas contribuições para esclarecer algumas das dúvidas que ainda envolvem a teoria sobre a extinção dos dinossauros. No passado, o IRAS – Satélite Astronômico Infravermelho – detectou o calor proveniente de um objeto a cerca de 80 bilhões de quilômetros de distância da Terra. Seria a estrela assassina? E essa estrela não seria o corpo invisível que, periodicamente, perturba as órbitas dos planetas Urano e Netuno e que os astrônomos suspeitam seja o planeta X – o décimo componente de nosso sistema solar?