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Ursas estão passando mais tempo com os filhotes – por causa dos humanos

Na Suécia, é proibido caçar ursas que ainda estão cuidando dos filhotes. Elas sacaram as leis humanas e, por isso, agora passam mais tempo com as crias

Por Felipe Sali Atualizado em 28 mar 2018, 15h56 - Publicado em 28 mar 2018, 15h55

As ursas da Suécia estão virando mães mais atenciosas e dedicando mais tempo aos seus filhotes. Se antes elas permaneciam com as suas crias por cerca de dezoito meses antes de deixá-los seguir o seu caminho, agora passam até dois anos cuidando e amamentando. Ao contrário do que parece, não estão fazendo isso por apego emocional e sim como uma estratégia de sobrevivência. Tudo isso para fugir de nós, humanos.

  • As leis suecas liberam a caça de ursos entre agosto e outubro. A única condição é que não matem mães ursas que ainda estão amamentando os seus filhotes. Por causa disso, uma fêmea solitária tem quatro vezes mais chances de ser abatida do que uma que anda em família. Aparentemente, as ursas sacaram isso e mudaram os seus hábitos para serem poupadas pelos caçadores. A descoberta foi feita pela Universidade Norueguesa de Ciências da Vida que acompanha ursos pardos desde 1984 e coordena um dos maiores projetos de pesquisa sobre ursos do mundo.

    Quando o hábito começou, em 1995, 5% das mães ursas adotaram a estratégia. Hoje, as adeptas são 36% do total da população e a tendência é esse percentual continuar aumentando, com o costume de cuidar dos filhotes por mais tempo sendo passado para as novas gerações.

    Apesar de curiosa, essa mudança de comportamento entre as ursas pode ser preocupante. Conforme as mães passarem mais tempo com seus filhotes, terão menos tempo para se reproduzir, o que pode causar uma diminuição na população de ursos pardos na região em poucos anos. É a qualidade da maternidade ameaçando, no longo prazo, a própria manutenção da espécie.

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