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Tatuagens de animais são encontradas em múmia de 5,3 mil anos

Ninguém tinha percebido, mas o "homem de Gebelein A" – exposto no Museu Britânico há um século – tem um carneiro-da-barbária e um boi tatuados no braço

Por Bruno Vaiano - 5 mar 2018, 13h41

Você ama seu cachorro? Pois o “homem de Gebelein A” – nome de uma múmia egípcia exposta há mais de 100 anos no Museu Britânico, em Londres – amava seu carneiro-da-barbária. Amava tanto, de fato, que tatuou o animal no braço direito, ao lado de um touro selvagem. 

Tudo bem, isso é licença poética. Não dá para saber se o carneiro representado – pertencente a uma espécie de chifres enrolados típica de regiões mais altas do norte da África, como a cordilheira do Atlas – era mesmo de “A”. É provável que não. Animais como o carneiro e o boi selvagem eram símbolo de poder e força na cultural pastoril em que o homem anônimo viveu. É bem mais provável que ele os tenha tatuado por seu valor icônico, da maneira como fazemos com carpas ou dragões hoje. A tinta provavelmente foi feita à base de fuligem.

O “homem de Gebelein A” é uma múmia dita pré-dinástica, que se formou espontaneamente graças às condições climáticas do Saara. Está mais para um fóssil, mas com carne e pele, além de ossos. Na época em que viveu, 3,3 mil anos antes de Cristo, o estado egípcio unificado ainda engatinhava, e ainda não estava estruturado em torno da figura político-religiosa do faraó. Os rituais de embalsamamento elaborados que seriam utilizados nos funerais de nobres ainda não haviam sido inventados. “A”, na companhia de outras cinco múmias naturais da mesma época, foi encontrado por exploradores em 1896, e doado para o Museu Britânico em 1900. As manchas em seu braço passaram despercebidas por todas as análises até agora.

O estudo mais recente, descrito em um artigo científico, usou radiação infravermelha para analisar o corpo, o que permitiu distinguir os contornos dos desenhos com maior clareza, e determinar que eles são mesmo tatuagens. Outra múmia natural famosa, Ötzi, também tinha tatuagens. Ötzi, encontrado nos Alpes Suíços na década de 1990, tem 5,3 mil anos – aproximadamente o mesmo que “A”. Suas desenhos, porém, eram padrões geométricos simples e abstratos. O fato de que “A” optou por animais atesta que seu povo já tinha um alto grau de sofisticação cultural. Essas são as tatuagens figurativas mais antigas já encontradas. “Só agora, tanto tempo depois, nós estamos entendendo melhor a vida desses indivíduos tão bem preservados. Eles jogam mil anos para trás as evidências sobre a produção de tatuagens na África”, afirmou Daniel Antoine, curador do museu e um dos autores da pesquisa, à BBC.

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