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Vikings podem ter sido grandes espalhadores de varíola há 1400 anos

Cientistas descobriram fragmentos do vírus em dentes de esqueletos Vikings em 11 locais da Europa

Por Maria Clara Rossini 29 jul 2020, 18h13 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h27
Vikings podem ter sido grandes espalhadores de varíola há 1400 anos Priorizar nos meus resultados Google

O vírus da varíola foi o mais letal da história. Estima-se que 300 milhões de pessoas tenham morrido da doença apenas no século 20, antes de ter sido erradicada em 1980. Por meio de um esforço massivo de vacinação, ela se tornou a primeira (e única) doença humana a ser extinta globalmente.

A história da doença, no entanto, é bem mais antiga. Historiadores acreditam que a varíola circula entre humanos desde o ano 10 mil antes de cristo – mas não há provas científicas disso. A evidência mais antiga de infecção comprovada pela varíola remonta ao século 17.

Agora, pesquisadores da Universidade de Cambridge encontraram diferentes cepas do vírus em dentes de esqueletos Vikings. As amostras foram identificadas em esqueletos de até 1400 anos, pelo mil anos mais antigos do que as evidências anteriores. Os achados foram publicados na revista Science.

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Os cientistas reconstruíram o genoma quase completo de quatro amostras de varíola. Elas são diferentes da linhagem erradicada em 1980, o que é importante para entender a evolução do vírus. As cepas descobertas são geneticamente semelhantes ao camelpox e ao taterapox, outros vírus da família poxviridae, na qual se encaixa o causador da varíola. A diferença é que esses circulam apenas entre animais.

Ao que tudo indica, a varíola seria mais uma zoonose. Ou seja, é provável que o vírus infectasse apenas animais inicialmente, até surgir uma mutação oportuna que fez com que ele passasse para os humanos, assim como aconteceu com os coronavírus.

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Os cientistas não sabem como o vírus se manifestava na era Viking – e se causava uma doença tão mortal quanto a varíola moderna. Uma certeza, no entanto, é que ele já era transmitido entre pessoas. Os esqueletos contaminados estão localizados em 11 sítios arqueológicos diferentes, de Dinamarca, Noruega, Rússia e Reino Unido. Fragmentos do vírus também foram encontrados em restos humanos na ilha de Öland, na Suécia, conhecida por ser um antigo ponto de comércio.

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O professor Eske Willerslev, que liderou a pesquisa, diz que é provável que os viajantes nórdicos tenham sido espalhadores da doença pelo mundo. “Nós já sabíamos que os Vikings se deslocavam dentro e fora da Europa, e agora sabemos que eles tinham varíola. Pessoas viajando ao redor do mundo espalharam a covid-19 muito rápido, e é provável que os Vikings tenham feito isso com a varíola. A diferença é que eles usavam barcos ao invés de aviões”, diz o pesquisador em nota.

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Os cientistas esperam descobrir evidências cada vez mais antigas da varíola em humanos. A amostra do século 17 só veio à luz em 2016, presente em uma criança mumificada. Conhecer a evolução do vírus mais catastrófico da história pode nos ajudar não só a entender os do presente, mas também se preparar para os do futuro. 

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