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Você consegue “ouvir” esse gif?

Se sim, saiba que não está sozinho: 1 em cada 5 pessoas compartilham dessa modalidade de sinestesia

Por Guilherme Eler Atualizado em 12 dez 2017, 18h24 - Publicado em 12 dez 2017, 17h58

Qual sua impressão sobre o GIF acima? Flagrar torres de transmissão de energia em um momento de descontração desse tipo não é algo muito usual, é verdade. Mas a cena chama a atenção por outro motivo: parece que dá para ouvir o barulho causado pela brincadeira.

Você consegue “escutar” o chão tremer a cada vez que a torre menorzinha encosta no chão? É bem provável que sim. Uma pesquisa feita por Lisa DeBruine, do Instituto de Psicologia da Universidade de Glasgow, na Escócia, contou com mais de 315 mil usuários do Twitter e acusou que quase 67% das pessoas dizem ter essa percepção. Como GIFs não têm som, a pergunta que fica em seguida é: o que explicaria o fato de tanta gente sentir a mesma coisa?

A resposta, claro, está no complexo funcionamento do nosso cérebro. Esse “boom” (ou “tóin”, quem sabe) que ouvimos ao assistir à sequência de imagens, acontece por uma condição cognitiva muito particular, que você já deve ter ouvido falar por aí ou, quem sabe, já tenha até experimentado. É graças à sinestesia que certas pessoas conseguem ver cores ao ouvir notas musicais, sentir gostos para sensações diferentes, ou ainda, escutar barulhos produzidos por GIFs animados.

  • Como explica James Simmons, neurologista da Universidade Brown, em entrevista ao LiveScience, os GIFs ativam uma resposta cerebral que mistura sensações, estimulando nossa central de comando a mesclar dois sentidos: a visão e a percepção do som. Isso acontece pelo fato de muitos estímulos sonoros do dia a dia estarem associados com o que vemos.

    Pode reparar: a imagem de alguém batendo palmas virá quase sempre acompanhada do som “clap”, ou o avançar dos ponteiros de um relógio do inseparável “tic-tac”, por exemplo. Esse tipo de experiência ajuda a aguçar esse nosso sexto sentido, e treinar o cérebro para que ele reaja dessa forma sempre que vir alguma coisa.

    O tremor de terra retratado no GIF, por exemplo, desencadeia em nós uma resposta física e sonora. Primeiro, a sensação do chão tremendo (sentida pelo tato) e depois, o barulhão (que fica à cargo da audição). Ou seja, depois de vermos a torre pulando corda, o normal seria que ouvíssemos o barulho de sua aterrissagem. Cabe ao cérebro, então, dar essa mãozinha. Por já termos ouvido outros tremores, acabamos antecipando as coisas e sentindo exatamente o que esperamos sentir — mesmo sem existir o estímulo em questão. 

    Estima-se que 1 em cada 5 pessoas consigam sentir essa sensação, combinando imagens com barulhos sempre que tiverem uma brecha para isso. Esse percentual, aliás, é muito maior que outros tipos especiais de sinestesia, que costumam valer para 2% ou até 4% das pessoas.

    Resumo da ópera? O som que a antena de energia faz é só coisa da sua cabeça. Mas não precisa se preocupar, é só o cérebro se esforçando além da conta na tarefa de ajudar você a não perder nada do mundo.

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