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Alexandre Versignassi

Por Alexandre Versignassi
Blog do diretor de redação da SUPER e autor do livro "Crash - Uma Breve História da Economia", finalista do Prêmio Jabuti.
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Drogas psicodélicas voltam a ser assunto sério na psiquiatria

Nos anos 1960, pesquisadores como Timothy Leary defendiam a aplicação terapêutica de alucinógenos, retratada até na série Mad Men. Agora, essa ideia está de volta – apoiada em evidências mais sólidas.

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Atualizado em 17 nov 2023, 12h23 - Publicado em 13 nov 2023, 14h51

Mad Men, T5E6. Roger Sterling está sob efeito de LSD e acende um cigarro. Ele dá um trago leve e o cigarro some. Fica só a bituca, como se o tempo que o tabaco levou para queimar nunca tivesse existido.

O seriado é famoso por sair do óbvio. E não foi diferente no episódio sobre ácido lisérgico. Em vez de apelar para aquele clichê de imagens caleidoscópicas, os criadores de Mad Men decidiram mostrar os efeitos clássicos da droga de forma sutil.

Um desses efeitos é justamente a quebra na percepção de tempo. Sob LSD, certos eventos de alguns minutos parecem durar horas. E também acontece o inverso. O cérebro simplesmente não registra alguns intervalos de tempo – como a cena do cigarro mostra, delicadamente.

O episódio, chamado “Lugares Distantes”, também se preocupa em apresentar outra face da substância. A do uso terapêutico. Roger e a esposa, Jane, tomam ácido sob orientação de uma “psiquiatra de celebridades”. A especialista imagina que a droga pode ajudar o casal a discutir melhor seu relacionamento – abriria as portas para uma conversa mais franca, profunda.

É o que acontece. Sob efeito da droga, Jane afirma:

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– Eu sei que você nunca se apaixonou. Você não gosta de mim.

Roger responde, com toda a franqueza que o estado alterado lhe permite:

– Eu gostei de você.

E o casal, agora ciente de que não é mais um casal, se separa na manhã seguinte.

O roteiro aqui serve como retrato de uma época. A série se passa na década de 1960, quando Timothy Leary, psicólogo de Harvard, conduziu seus experimentos com alucinógenos e passou a defender a ideia de que eles poderiam ser úteis em terapias. Os testes de Leary chamaram a atenção de intelectuais da época, que se ofereciam para servir de cobaia.

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Um deles, o escritor Jack Kerouac, reportou para Leary que, após tomar LSD, foi para casa e teve sua primeira conversa séria com a mãe, por três dias. “Aprendi que a amava mais do que eu sabia.”

Relatos pessoais dizem pouco sobre efeitos terapêuticos de fato – e obras de ficção dizem nada, claro. Mas o fato é que uma parte dessa época, em que se olhava com atenção para os eventuais efeitos terapêuticos dos alucinógenos, está de volta.

Não estamos falando, de forma alguma, no uso recreativo. Este segue como um problema de saúde pública, desde a década de 1960. O assunto aqui é a administração controlada de substâncias psicodélicas – em tratamentos contra formas severas de depressão e transtorno pós-traumático, e em pacientes que não respondem a antidepressivos.

Há pesquisas nessa linha mundo afora. E os resultados positivos fizeram com que a Austrália se tornasse, em julho desde ano, o primeiro país a permitir o uso de substâncias psicodélicas em terapias – no caso, a psilocibina, presente nos cogumelos alucinógenos, e o MDMA, princípio ativo do ecstasy.

Na reportagem de capa deste mês, a repórter Maria Clara Rossini apresenta as pesquisas mais relevantes sobre o assunto – no Brasil e no exterior. E dá um panorama amplo sobre o potencial dos psicodélicos na medicina. Boa leitura.

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