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Estudos científicos e reflexões filosóficas para ajudar você a entender um pouco melhor os outros e a si mesmo. Por Ana Prado
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Por que alguns desconhecidos parecem mais confiáveis que outros

Por Ana Prado Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 31 jan 2018, 19h25 - Publicado em 31 jan 2018, 18h38

Já parou para pensar no motivo que nos leva a desconfiar de certas pessoas e instantaneamente confiar em outras – mesmo que não conheçamos nenhuma delas?

Um estudo feito nos Estados Unidos investigou isso e concluiu que é tudo uma questão de como funciona o sistema de aprendizado do nosso cérebro.

É que, de acordo com os autores, nossa percepção sobre a reputação de um estranho, mesmo sem ter qualquer informação direta sobre ele, tem como base a sua semelhança física com pessoas que conhecemos. Em outras palavras, tendemos a desconfiar daqueles que se parecem com conhecidos que consideremos desonestos ou imorais – e costumamos confiar mais nos estranhos que se parecem com pessoas em quem confiamos.

“E isso acontece mesmo que não tenhamos consciência dessa semelhança”, explica uma das autoras, a professora Elizabeth Phelps, do departamento de psicologia da Universidade de Nova York (NYU, na sigla em inglês). “Isso mostra que nossos cérebros implementam um mecanismo de aprendizado no qual informações morais codificadas de experiências passadas orientam futuras escolhas“, completa.

Os experimentos

Para chegar a essa conclusão, foram realizados testes baseados em jogos de confiança. Neles, os voluntários deveriam decidir se compartilhariam ou não dinheiro com outros jogadores (que eram fictícios e representados por imagens faciais).

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Em cada jogo, a pessoa tinha que decidir se confiaria a sua grana a três jogadores diferentes. Na primeira rodada, ela fica sabendo que tudo o que compartilhasse seria multiplicado por quatro e que o outro jogador poderia retribuir essa quantia ou então manter todo o dinheiro para si.

Cada jogador fictício podia ser altamente confiável (compartilhavam a grana 93% das vezes), mais ou menos confiável ​​(compartilhavam 60% das vezes) ou nada confiável ​​(compartilhavam só 7% das vezes).

Em uma segunda rodada, os voluntários deveriam selecionar novos parceiros para o jogo – desta vez, jogadores novos. Mas havia um truque secreto: os pesquisadores haviam gerado o rosto desses novos participantes a partir da imagem dos anteriores. Ou seja, eram parecidos com os outros jogadores da primeira rodada.

Na maior parte das vezes, mesmo sem se dar conta da semelhança, os voluntários acabaram escolhendo aqueles que se pareciam com os jogadores mais honestos da rodada anterior e evitavam jogar com quem se assemelhava aos menos confiáveis. Quanto mais parecidos com os jogadores confiáveis de antes, maior a confiança demonstrada neles, e vice-versa.

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Para completar, os pesquisadores analisaram a atividade cerebral dos voluntários enquanto tomavam as decisões no jogo, e concluíram algo interessante: ao decidir se os desconhecidos poderiam ou não ser confiáveis, o cérebro dos voluntários ativou as mesmas regiões neurológicas de quando se aprendeu sobre o parceiro na primeira tarefa. Isso inclui a amígdala, região que desempenha um papel importante na aprendizagem emocional.

O estudo foi publicado no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

(Via NYU).

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