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A cura da insônia pode estar nos músculos, não no cérebro

Descoberta revelou "gene-mestre" ativo nos músculos esqueléticos que pode tornar as pessoas mais resistentes à falta de sono

Por Ana Carolina Leonardi 11 ago 2017, 19h18

Ficar sem dormir não te deixa só cansado. Pode ter efeitos de longo prazo, como risco maior de doenças cardíacas e infecções – além de deixar o raciocínio e os reflexos cada vez mais lentos. Mas muita gente não tem escolha: a insônia torna o descanso impossível de acontecer.

Um novo estudo quer abrir portas para que isso mude no futuro. Em uma das descobertas mais surpreendentes sobre o sono, pesquisadores da Universidade da Califórnia em Los Angeles descobriram como funciona um gene especial que afeta o sono diretamente – e ele não se expressa no cérebro, mas sim nos músculos.

O gene em questão chama-se Bmal1. Ele é um gene-mestre: o que quer dizer que ele controla a atividade de uma série de outros genes. E o Bmal1, especificamente, está associado aos padrões de sono.

Na pesquisa, os cientistas desativaram artificialmente esse gene-mestre em um grupo de ratos. Depois, expuseram os ratos modificados e outros, sem alteração nenhuma, a 24 horas seguidas sem dormir. No dia seguinte, os efeitos do sono foram atrozes: a sonolência e o cansaço dos ratos sem Bmal1 eram muito maiores do que no grupo normal.

  • Depois, os pesquisadores fizeram o inverso: adicionaram artificialmente um par extra de genes Bmal1. Mas em um lugar bastante específico: nas células dos músculos esqueléticos desses animais. E, de novo, levaram os bichinhos para um corujão, junto a animais não alterados. No dia seguinte, eles estavam mais dispostos e se recuperaram mais rapidamente do déficit de sono.

    A última etapa do estudo foi repetir a adição de genes extras, mas dessa vez em células do cérebro dos animais. Surpresa: não funcionou. O experimento foi repetido várias vezes, até os pesquisadores estarem convencidos: a expressão do Bmal1 nos músculos era mais importante para os padrões de sono do que no cérebro.

    A hipótese dos cientistas é que os genes controlados pelo Bmal1 se comunicam com o cérebro o tempo todo, regulando o que chamamos de ritmo circadiano, ou o nosso relógio biológico.

    Distúrbios de sono, como a insônia, bagunçam esse relógio a curto e a longo prazo. Só que, até agora, a maioria das pesquisas sobre o assunto era exclusivamente focada no cérebro. Com a revelação do papel dos músculos, todo um novo caminho de pesquisas e tratamentos foi aberto para os cientistas. O primeiro passo é descobrir quais genes, especificamente, são controlados pelo Bmal1, e como eles agem. E depois, entender se essa ação é tão similar entre ratos e humanos quanto imaginamos. Se for o caso, remédios que modulam a expressão de Bmal1 no corpo ser uma estratégia para dar reset e reequilibrar o ciclo circadiano e dar adeus à insônia. E tudo isso baseado só no muque.

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