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A ilha que cresce

Gabriel Grossi

Quem foi para o Havaí e gostou tem mais um motivo para ficar feliz: a ilha está em fase de ampliação. Ela tem aumentado de território graças a um vulcão que está ativo desde 1983, o Kilauea. Daquele ano até hoje, a lava que ele despeja no mar fez a ilha crescer 3 milhões de metros quadrados – o equivalente a 316 campos de futebol. E vem mais por aí, só que daqui a bastante tempo: dentro de 50 mil anos, uma nova ilha, Lo’ihi, deve surgir na região. Atualmente, ela é apenas um vulcão escondido a 1 000 metros de profundidade, mas que não pára de crescer.

Famoso pela praia, sol, garotas dançando com colares de flores e ondas, muitas ondas, Havaí é o nome do 50o estado americano e também o da maior das oito ilhas que compõem o arquipélago. É um dos lugares habitados mais distantes dos continentes, a cerca de 2 400 quilômetros dos Estados Unidos. Mas por que existe um lugar assim, isolado no meio do oceano Pacífico? Porque essas ilhas são os pedaços de terra mais jovens de nosso planeta, resultado de erupções vulcânicas que começaram no fundo do mar há cerca de 70 milhões de anos e continuam até hoje (para comparar, os continentes terminaram de se formar há 200 milhões de anos). Havaí, a ilha mais recente, tem apenas 1 milhão de anos. Abriga cinco vulcões – o mais ativo deles é o Kilauea. Parece que alguém esqueceu uma torneira aberta: a lava sai de uma fenda na montanha e escorre tranqüila e impassível, buscando frestas entre a lava seca liberada nos dias anteriores. Às vezes, porém, a “torneira” é aberta com mais força, arrastando tudo o que está no caminho. Um espetáculo inesquecível, que nos faz lembrar que a Terra é um ambiente em permanente mutação e cujos processos mais básicos estão longe do controle humano – mas ao nosso alcance para serem observados e admirados.

No meio do nada

Como o Havaí se formou

O Havaí é um dos raros vulcões que aparecem no meio de uma placa tectônica. Ele está sobre um ponto quente, um lugar fixo em que o magma pressiona a superfície. Como a placa se mexe cerca de 10 centímetros por ano – e o ponto quente não – novas ilhas vão surgindo

Há 70 milhões de anos, ele começou a cuspir fogo, formando uma enorme cadeia de montanhas submarina, que só rompeu a superfície do oceano há 5 milhões de anos

Fervura máxima

Os detalhes do vulcão Kilauea

A lava leva

O magma chega à superfície a uma temperatura de mais de 1 100 oC, o suficiente para destruir tudo o que há pela frente. Algumas erupções causam prejuízos especiais: em fevereiro do ano passado, o vulcão engoliu um pedaço da estrada

Boca fechada

O vulcão só cospe fogo pela cratera principal quando entra numa erupção muito violenta. Normalmente, a lava se solidifica no topo da montanha e passa a escorrer apenas por túneis internos. Dá até para caminhar por ali

Chão fértil

O Mauna Loa e o Kilauea produzem erupções mais líquidas que gasosas, com grandes rios de lava. Esse fluxo faz com que a terra seja extremamente rica em minerais, o que permite que a vida renasça rapidamente

Rio quente

O comportamento normal do vulcão é lançar doses menores (mas constantes) de lava por pequenas fendas na encosta do vulcão. O problema na região é o cheiro: o Kilauea elimina também 2 500 toneladas de enxofre por dia

Sopa de pedra

O encontro da lava com o mar é um estouro. Bolas de vapor, água fervente e pedras do tamanho de um microondas saltam para todo lado enquanto minúsculos “cabelos” de vidro vulcânico se espalham com o vento

Terra de fogo

Todos os vulcões da ilha Havaí

Kilauea

Altitude: 1 248 metros

Ativo desde 3 de janeiro de 1983

Mauna Loa

Altitude: 4 169 metros

Última erupção: 1984

Hualalai

Altitude: 2 521 metros

Última erupção: 1800-1801

Mauna Kea

Altitude: 4 205 metros

Última erupção: há cerca de 3 500 anos

Kohala

Altitude: 1 670 metros

Última erupção: há cerca de 60 mil anos (considerado extinto)