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Bissexto e sem carnaval

Comentários sobre a cronologia do calendário e por que existe o ano bissexto.

Ronaldo Rogério de Freitas Mourão

Em vez dos tradicionais 365 dias, este ano recém-começado tem 366, o que o torna um ano bissexto. Esse dia extra, 29 de fevereiro, compensa a impossibilidade de se medir o tempo entre os períodos de translação e rotação da Terra. No calendário juliano, a cada quatro anos, um era bissexto, enquanto no calendário gregoriano ( em vigor até hoje) não são bissextos os anos seculares (o último ano de cada século, aquele que termina em dois zeros, como 1900, por exemplo, que encerrou o século XIX), à exceção daqueles em que o número formado pelos algarismos das centenas e dos milhares é divisível por quatro. É fácil compreender a necessidade desta correção quando se sabe que o ano compreende, na realidade, 365 dias e 6 horas.

Como nos anos comuns do calendário gregoriano consideramos apenas 365 dias, sobra um quatro de um dia. Ao fim de quatro anos consecutivos, faz-se as contas e as sobras completam 24 horas, que adicionadas ao ano comum dão origem ao de 366 dias. Na realidade, para se compreender a origem do vocábulo bissexto, usado para designar estes anos, é preciso voltar um pouco na história e nos hábitos calendáricos dos romanos. Nos tempos da República romana, com base no ciclo lunar, os meses dividiam-se em calendas, que correspondiam à Lua nova: em nonas, que indicavam o quarto crescente ou primeiro quarto: e em idus, que ocorriam quando a Lua estava Cheia.

Na realidade, os meses eram divididos em três seções separadas por três dias fixos: o das calendas (de onde se originou o nome calendário), que constituía o primeiro dia de todos os meses, quando um conselho de clérigos convocava o povo ao Capitólio para anunciar o primeiro dia das nornas (que constituíam o nono dia a contar dos idus para trás) e o primeiro dos idus (dia em que a Lua aparecia cheia). Em geral, o primeiro dia do mês correspondia às calendas; o dia 5 ou 7, às nonas e o 13 ou 15, aos idus.

Os dias eram designados por números ordinais, contados em ordem regressiva em relação ao dia fixo subseqüente. Assim, os dias situados entre os das calendas e o das nonas eram designados em contagem regressiva que se iniciava nas nonas; os que estavam entre as nonas e os idus eram denominados da mesma maneira a partir dos idus, e os que se situavam entre os idus e as calendas do mês seguinte eram contados em relação a estas calendas.

Para ajustar o calendário com as estações, introduziu-se um dia suplementar todos os quatro anos, após o dia 23 de fevereiro, designado entre os romanos de antediem sextum calendas martii (sexto dia antes das calendas de março). O dia intercalado era designado antediem bisextum calendas martii (bis sexto dia antes das calendas de março), pois ele constituía uma repetição do dia anterior. Na verdade, existe uma polêmica entre os cronologistas quanto à colocação do bissexto. Segundo as indicações de Censorino e de Macróbio (eruditos da Roma Antiga), o bis sexto calendas martiiis se intercalava entre o VII calendas e o VI calendas, enquanto Theodor Mommsen (historiador alemão) sustentava que o bis sexto calendas deveria se inserir entre o VI e V calendas.

Embora a Igreja romana tenha indicado o dia 24 de fevereiro, persistem sérias dúvidas pois há documentos que provam serem os dois de uso comum. A tradição de intercalar entre os dias 23 e 24 de fevereiro tem sua origem nos tempos do lendário rei romano. Numa Pompílio (715-672 a.C.), que, com o objetivo de fazer com que o equinócio da primavera continuasse no mês de março, sugeriu que se intercalasse um mês suplementar, denominado menis intercalaris, mercedonius ou mercedonus, composto de 22 ou 23 dias, de dois em dois anos, entre o dia 23 Februarius (septimus calendas martii), dia da festa Regifugium, instituída em homenagem à expulsão de Tarqüínio. A palavra mercedonius, de Mercedona, deusa que presidia aos pagamentos, tinha sido escolhida pelo fato de coincidir com os períodos em que se pagavam as rendas, em latim merces. Com a reforma instituída pelo papa Gregório XIII, em 1582 – daí o nome gregoriano –, foram abolidas as calendas, nonas e idus e os dias passaram a ser designado pelos cardinais 1, 2, 3, etc.

Eventos do mês

Constelações
Estarão visíveis a partir do dia 15, às 20 horas, Orion, Gêmeos, Touro, Cocheiro, Perseu, Triângulo, Áries, Peixes, Baleia, Erídano, Fênix, Grou, Tucano, Pavão, Hidra Macho, Oitante, Ave do Paraíso, Mosca, Cruzeiro, Carina, Popa, Vela, Peixe Voador, Pintor, Retículo, Cão Maior, Lebre, Centauro, Hidra fêmea, Corvo e Leão.

Meteoros

Os Alfa Carinídeos, meteoros visíveis com radiante próximo à estrela Alfa de Carina, na constelação de Carina, atingem seu máximo no dia 2, à meia-noite, próximos ao zênite. Sua taxa horária é de onze meteoros lentos, brilhantes e de diversas cores. No dia 8, os meteoros do enxame Alfa Centaurídeos atingem seu máximo, com radiante próximo à estrela Alfa Centauro. Sua taxa horária é variável. Rápidos e amarelados estarão próximos ao zênite às 4 horas. No dia 12, na mesma constelação é a vez dos Ômicron Centaurídeos, com radiante junto à estrela Ômicron do Centauro. A taxa horária é de dez meteoros rápidos e amarelados e passarão pelo meridiano às 4 horas. No dia 14, os meteoros do enxame Capa Octantídeos, com radiante próximo à estrela Capa Oitante, atingem seu máximo. Seu brilho é fraco e sua taxa horária é variável. É bom lembrar que os meteoros são visíveis com mais facilidade longe das luzes ofuscante.

Fases da Lua

Nova, dia 3, às 16h; quarto crescente, dia 11, às 13h15; lua cheia, dia 18, às 5h4 e quarto minguante, dia 25, às 4h56. A luz cinzenta pode ser observada entre os dias 3 e 5. A Lua é a melhor referência para localizar os planetas; ela estará ao sul de Marte e Urano (dias 1° e 2); ao norte de Júpiter (dia 19) e ao norte de Saturno (dia 28).

Planeta

Mercúrio
Após conjunção com o Sol no dia 12, será melhor observá-lo logo após o pôr-do-sol, especialmente depois do dia 23 (magnitude: -1,5).

Vênus
No dia 19, estará ao norte de Marte e no dia 22, ao norte de Saturno.

Marte
Visível como astro matutino, na constelação de Capricórnio, antes do nascer do Sol (magnitude: +1,3).

Júpiter
Visível na constelação de Leão, durante quase toda a noite (magnitude: -2,5). No dia 28, o planeta atingirá sua oposição ao Sol.

Saturno
Após conjunção com o Sol, em 29 de janeiro, o planeta reaparece, no fim do mês, como astro matutino na constelação de Capricórnio, pouco antes do nascer do Sol (magnitude: +0,7).

Urano
Visível na constelação de Sagitário com uma luneta, pouco antes do nascer do Sol (magnitude: +5,8).

Netuno
Visível com uma luneta na constelação de Sagitário, pouco antes do nascer do Sol (magnitude: +8,0).