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Cemitério: Sempre cabe mais um

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h52 - Publicado em 31 out 2004, 22h00

Ao projetar o maior cemitério do mundo em extensão, na cidade de Hamburgo, norte da Alemanha, o arquiteto Johann Wilhelm Cordes (1840-1917) tinha em mente criar um lugar bem alegre, bonito, amplo e nada mórbido. Ele acreditava que dar ao Cemitério Ohlsdorf ares de parque, repleto de coníferas e canteiros floridos, em nada prejudicaria o respeito que se deve ter aos mortos. Em 1877, os portões foram abertos ao público com os sepultamentos de três pessoas comuns – dois trabalhadores e a viúva de um carpinteiro. Desde então, cidadãos alemães e turistas utilizam os 402 hectares instalados no coração de Hamburgo também para se divertir, passear, namorar, praticar exercícios físicos e, claro, prestar homenagens ao 1,4 milhão de antepassados enterrados no local.

Foram necessários 11,5 quilômetros de grades para cercar o Cemitério Ohlsdorf. Ele reúne aproximadamente 300 000 túmulos, inúmeros mausoléus de celebridades, 200 000 monumentos, 700 fontes, 80 quilômetros de trilhas, duas linhas de ônibus, lagos, 12 capelas, três museus, 1 500 lixeiras e 2 800 bancos. A pé, o visitante leva quase três horas para atravessar o cemitério. E haja perna: ele tem, em média, 3,5 quilômetros de comprimento por 1,5 quilômetro de largura. O ousado projeto rendeu ao arquiteto Cordes o Grande Prêmio da Feira Mundial de Paris, em 1900. O próprio Cordes seria enterrado no local, anos depois. Em sua lápide, três anjos sabiamente sugerem: “Apreciem a beleza”.

A área do Cemitério Ohlsdorf corresponde ao dobro do território de Mônaco, o segundo menor país do mundo, com 1,95 quilômetro quadrado. O número de mortos é quase igual à população de Porto Alegre

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