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Como cumprir promessas de ano novo, segundo a ciência

De acordo com um estudo americano, só 8% das pessoas consegue ter sucesso em suas resoluções. Mas há algumas maneiras de melhorar suas chances.

Por Guilherme Eler - 30 dez 2019, 18h45

Guardar dinheiro, fazer as pazes com a balança, ler mais livros, arrumar um novo emprego, começar a fazer exercício. Qualquer pessoa que se preze carrega uma lista de resoluções de ano novo na ponta da língua – segundo um levantamento divulgado pelo Google, 55% dos brasileiros buscavam na internet por alguma meta do tipo ao final de 2017.

O problema é que tirar a vontade de mudança do papel costuma ser mais complicado do que parece. Uma pesquisa mostrou que 88% das pessoas costuma abandonar o novo hábito já em fevereiro do ano seguinte. Outro estudo, feito na Universidade de Scranton, nos EUA, foi além, cravou que só 8% de fato conseguem levar à frente suas promessas. Isso faz com que certos desejos se repitam ano após ano, sem jamais deixar o rol de metas a cumprir.

Isso acontece porque costumamos superestimar nossa capacidade de mudança. Assim, acabamos traçando metas irreais. De tão comum, a coisa ganhou nome: “síndrome da falsa esperança”, como descreve uma dupla de pesquisadores da Universidade de Toronto, no Canadá, neste artigo científico. A boa notícia é que, além de apontar o dedo para a sua incapacidade de levantar o traseiro do sofá, a ciência também tem algumas dicas para aumentar suas chances de sucesso. Vamos a elas.

Uma coisa de cada vez

Sua lista de promessas tem mais de 10 itens? Vale a pena quebrar a cabeça para reduzi-la. Como cada meta demanda boa dose de tempo e energia para vingar, acumular muitas aspirações pode significar não fazer nada direito. Uma boa pedida é simplificar as coisas, focando em uma meta só – que seja específica, e, principalmente, razoável. O que nos leva ao item 2.

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Não pense tão grande – pelo menos a princípio

É melhor colocar na cabeça: “Vou correr 10 quilômetros” do que simplesmente “Vou começar a correr”, é claro. Só que, ao mesmo tempo, vale o questionamento: “Consigo mesmo correr 10 quilômetros sem morrer no processo?”. Começar com treinos mais curtos e, com o tempo, ir apertando o passo, tende a facilitar as coisas – e dar a impressão de que você está progredindo.

Facilite a execução

Autor do livro Smart Change, Art Markman ressalta a importância de tornar novos hábitos mais fáceis de serem executados e, ao mesmo tempo, dificultar hábitos antigos. Quer começar a correr após o expediente? Deixe o tênis e a roupa de academia sempre na mochila. Deseja ser menos consumista? Evite gastar tanto tempo namorando aquela lojinha on-line ou passeando pelo shopping.

Conte aos outros

Contar a um amigo ou postar nas redes sociais sobre uma resolução de ano novo é como assumir um compromisso. Isso pode servir de motivação: ao ter uma recaída na dieta ou falhar em terminar a leitura programada para o mês, você pode pensar que estará decepcionando não só a si próprio – mas também, alguém que te apoia. Um tanto dramático, talvez. Mas funciona.

Estabeleça pequenas “punições”

Rory Vaden, especialista em autodisciplina e autor do livro Take the Stairs: 7 Steps to Achieving True Success, maximiza a dica anterior ao propor algo curioso. Tenha na manga alguma punição para fazer sempre que vacilar no seu propósito. Pode ser dar um presente a alguém, passar por uma situação ridícula de propósito ou doar uma pequena quantia à caridade, por exemplo. Qualquer coisa que faça você pensar duas vezes antes de sair dos trilhos de novo.

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Comemore o progresso

Estar atento às pequenas vitórias e se auto-recompensar após ter concluído uma etapa pode dar uma dose extra de motivação. É o que defende Chris Bailey, autor do livro New Year’s Resolutions Guidebook, A Life of Productivity. Conseguiu poupar mais dinheiro que o planejado para o mês? Pode ser uma boa fugir da rotina e sair para jantar em algum lugar diferente, por exemplo.

Permita-se tentar de novo

Vale lembrar, por fim, que tudo é uma questão de perspectiva. Não é como se, na virada de 2019 para 2020, algo mudasse e, num passe de mágica, você se tornasse a versão ideal de si próprio. Mas a troca de ano no calendário, de alguma maneira, nos motiva a fazer as coisas de forma diferente. A parte boa é que, por mais clichê que isso pareça, cada novo ciclo pode ser uma oportunidade para a mudança – ainda que ela dure apenas pelas primeiras semanas. Janeiro de 2021, afinal, é logo ali.

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