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Mulheres ainda se veem como suas mães, diz estudo

Pesquisa feita ao longo de 30 anos mostra que aquilo que vemos como "coisa de mulher" e "coisa de homem" praticamente não mudou ao longo de uma geração.

Mulheres cuidam de casa. Homens trabalham fora. Estereótipos como estes podem até parecer coisa do passado, mas um estudo realizado nos EUA diz que não: de 1983 até 2014, muitas das concepções do que são características masculinas e femininas continuam firmes. 

A pesquisa começou nos anos 80, quando cientistas questionaram 195 estudantes universitários de Los Angeles sobre trabalho, tarefas domésticas, características físico-emocionais e comportamentos, e sobre a ligação de cada um destes aspectos aos gêneros. Em 2014, elas aplicaram o mesmo questionário a 191 adultos. Resultado: grande parte das respostas foi parecida com as de 30 anos atrás. As pessoas continuam a ligar mulheres à bondade, à delicadeza e a profissões de cuidado – como professora e enfermeira. Já os homens ainda se enxergam e são vistos como fortes, líderes e ligados a áreas profissionais como medicina e engenharia. Nas respostas sobre tarefas domésticas, consertar carros continuou sendo considerada uma “coisa de homem” e cuidar dos filhos, uma “coisa de mulher”. 

O estudo de 2014, porém, trouxe algumas diferenças importantes: atualmente, homens acreditam mais em estereótipos de gênero masculinos, enquanto as mulheres acreditam mais nos femininos. Isso quer dizer que as mulheres podem até acreditar que os homens conseguem cuidar de bebês – mas não chegam a se ver como engenheiras, exatamente como suas avós. E algo parecido acontece com os homens: eles podem até admitir que mulheres sejam jogadoras de futebol, mas não se veem cuidando de casa. Em 1983, essa polarização não apareceu no estudo, o que pode indicar uma pequena mudança na visão das pessoas em relação aos estereótipos. Outra diferença, essa ainda mais importante: em 2014, tanto as mulheres quanto os homens acreditavam que ambos os gêneros deveriam assumir obrigações financeiras do lar e ter a possibilidade de tomar decisões importantes – como votar. 

As pesquisadoras acreditam que esses estereótipos de gênero se mantêm por duas razões. Primeiro, por causa da socialização – o processo de educação baseado no gênero, que é diferente para homens e mulheres. Outra explicação é o medo de estar fora do padrão e acabar vítima de alguma violência ou de exclusão: se a pessoa é um “homem não masculino” ou uma “mulher não feminina”, esse medo é constante.