Assine SUPER por R$2,00/semana
Continua após publicidade

O mapa da violência

A lista ajudará o governo federal a criar uma política de segurança mais eficiente.

Por Da Redação Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO
Atualizado em 31 out 2016, 18h47 - Publicado em 28 fev 2002, 22h00

Maria Fernanda Vomero

Os Estados mais violentos do Brasil são São Paulo, Distrito Federal, Rio Grande do Sul, Amapá e Rondônia, nessa ordem. Essa é a conclusão do estudo inédito realizado pelo sociólogo brasileiro Túlio Kahn, coordenador de pesquisas do centro das Nações Unidas responsável pelo combate à violência na América Latina. Para chegar a essa conclusão, Túlio utilizou os dados divulgados no final do ano passado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública, que, também pela primeira vez, contabilizou as taxas estaduais de dez tipos diferentes de crime, do homicídio ao atentado ao pudor.

A lista ajudará o governo federal a criar uma política de segurança mais eficiente. Antes, o único instrumento para determinar como a secretaria distribuiria seus recursos era a taxa de homicídios, o que deixava de fora outros crimes que também precisam ser com- batidos. “O problema é que todo índice de homicídio inclui os crimes passionais, pouco relacionados com a dinâmica criminal”, diz Túlio. “O conjunto dos dez indicadores permite traçar um retrato bem mais fiel da situação de violência no Brasil.”

E o que se vê no mapa da violência (ao lado) é que as três unidades federativas com maior criminalidade são também três das mais ricas do país: São Paulo, Distrito Federal e – a grande surpresa – Rio Grande do Sul. Todas apresentam altas taxas de crimes contra o patrimônio, conhecidos como “crimes de oportunidade”, que dependem da disponibilidade e da abundância de bens a serem furtados ou roubados. Ou seja, crimes típicos de lugares onde há muito dinheiro, mas também muita pobreza. “Uma conseqüência indesejada do desenvolvimento desordenado e desigual dos grandes centros urbanos é o aumento da criminalidade”, afirma Túlio. “A grande massa que se aglutina em torno das cidades mais ricas não se beneficia do crescimento econômico”, diz.

Bem diferente é a situação de Amapá e Rondônia, os outros dois Estados que foram considerados de “alta criminalidade”. Ambos ficam em regiões pouco desenvolvidas, sem recursos abundantes. A explicação para figurarem no topo da lista dos mais violentos é o tráfico de drogas – um problema muito sério em áreas de fronteira, principalmente na região Norte, onde a floresta atrapalha a ação das autoridades.

Outra surpresa da lista recém-divulgada é a colocação de Estados que geralmente são vistos como muito violentos, como Rio de Janeiro, Pernambuco e Espírito Santo. Nenhum deles aparece entre os mais violentos do Brasil, pelos critérios de Túlio. É que, embora os três tenham índices altíssimos de homicídios, principalmente nas capitais, estão na média nacional quando se fala em outros crimes.

Continua após a publicidade

O crime no Brasil

Veja no mapa os Estado mais violentos do país e, abaixo, o ranking de alguns crimes

CRIMINALIDADE

• ALTA

• MÉDIA

• BAIXA

HOMICÍDIOS

Continua após a publicidade

Amapá – 48,13

Espírito Santo – 47,10

Pernambuco – 45,09

Rio de Janeiro – 36,38

Rondônia – 35,13

Continua após a publicidade

ROUBOS**

Distrito Federal – 898,3

São Paulo – 582,1

Rio Grande do Sul – 487,7

Amapá – 427,0

Continua após a publicidade

Rio de Janeiro – 359,3

FURTOS**

Distrito Federal – 1 941,35

Amapá – 1 739,23

Santa Catarina – 1 681,63

Continua após a publicidade

Rio Grande do Sul – 1 669,17

Goiás – 1 101,08

SEQÜESTRO***

São Paulo – 63

Pernambuco – 49

Rio Grande do Sul – 37

Minas Gerais**** – 21

Rio Grande do Norte – 9

* Por 100 000 habitantes ao longo de um ano

** Não inclui veículos

*** Não inclui seqüestros-relâmpagos

**** Dados apenas da capital

Fonte: Secretaria Nacional de Segurança Pública Dados de 2000

Publicidade

Matéria exclusiva para assinantes. Faça seu login

Este usuário não possui direito de acesso neste conteúdo. Para mudar de conta, faça seu login

A ciência está mudando. O tempo todo.

Acompanhe por SUPER.

MELHOR
OFERTA

Digital Completo
Digital Completo

Acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 2,00/semana*

ou

Impressa + Digital
Impressa + Digital

Receba Super impressa e tenha acesso ilimitado ao site, edições digitais e acervo de todos os títulos Abril nos apps*

a partir de R$ 12,90/mês

*Acesso ilimitado ao site e edições digitais de todos os títulos Abril, ao acervo completo de Veja e Quatro Rodas e todas as edições dos últimos 7 anos de Claudia, Superinteressante, VC S/A, Você RH e Veja Saúde, incluindo edições especiais e históricas no app.
*Pagamento único anual de R$96, equivalente a R$2 por semana.

PARABÉNS! Você já pode ler essa matéria grátis.
Fechar

Não vá embora sem ler essa matéria!
Assista um anúncio e leia grátis
CLIQUE AQUI.