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O Nobel que não é Nobel

Ele é concedido desde 1969 anos e já contemplou muita gente importante. Mas, na verdade, não é um verdadeiro prêmio Nobel - e está no centro de uma polêmica envolvendo a família de Alfred Nobel

Os americanos Alvin Roth e Lloyd Shapley ganharam o Prêmio Nobel de Economia de 2012 por seus estudos sobre os mercados. Você deve ter visto essa notícia, fartamente divulgada pela imprensa. O que você talvez não saiba é que Roth e Shapley não ganharam o Nobel – o prêmio mais tradicional e importante do mundo, criado em 1901 pela família do empresário sueco Alfred Nobel. Não. Porque, na verdade, não existe um Prêmio Nobel de Economia. Trata-se de outra coisa: o “Prêmio do Sveriges Riksbank (Banco Central da Suécia) em Ciências Econômicas em memória de Alfred Nobel”. Ele foi criado em 1969 numa iniciativa do banco, que estava completando 300 anos, e não consta do testamento de Alfred Nobel, que ordena a criação de cinco prêmios: Física, Química, Medicina, Literatura e Paz. Por isso, a família Nobel não reconhece o prêmio de Economia, e já fez várias críticas a ele.

O advogado de direitos humanos Peter Nobel, bisneto de Alfred, é o crítico mais duro. Ao longo dos últimos anos, ele deu várias declarações e até escreveu um artigo na imprensa da Suécia atacando o prêmio, que considera “uma jogada de marketing”. Peter diz que seu bisavô “não gostava de economistas”, e o Nobel de Economia “geralmente é concedido a especuladores”. Procurado pela SUPER, ele não quis comentar o assunto.

“O prêmio de Economia realmente não foi mencionado no testamento de Alfred”, admite a Fundação Nobel, que concede os prêmios. Mas a organização parece não se importar nem um pouco com as opiniões da família Nobel. “Ela não participa da seleção dos ganhadores”, afirma.