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Urbes – Top 10 cidades improváveis

Elas são metrópoles superpopulosas, capitais sinistras ou rincões perdidos com 2 ou 3 mil almas. Ficam no deserto, na montanha ou flutuando no mar. A simples ideia de que existam já causa espanto. Imagina então se você for até lá

1. Manhattan do deserto (Shibam, Iêmen)
O que é? Uma cidade murada do século 16, no meio do deserto, com 500 edifícios de 5 a 8 andares, feitos de barro, mais ruas e praças desenhadas cartesianamente. Tanto engenho valeu à Shibam, a 46 km de Sana, a capital do Iêmen, o título da Unesco de Patrimônio da Humanidade.

De onde veio? No século 4, ela virou capital do antigo reino de Hadramaute (hoje Iêmen) e, provavelmente, um século depois, teve sua muralha de 3 metros de altura construída. A ideia de fazer prédios veio mais tarde, depois que uma enchente destruiu a cidade entre 1532 e 1533 – os comerciantes locais concentraram as habitações na parte mais alta da colina para se defender da natureza.

No que deu? Na parte velha de Shibam, moram hoje 3 mil pessoas. E o jeito de levantar prédios não mudou: cada andar leva um ano para ser construído e merece uma festa de inauguração, com direito a sacrifício de ovelhas e cabras. http://alquaiti.com  

 

2. Que nem tatu (Coober Pedy, Austrália)
O que é? Uma cidade no deserto australiano (a duas horas de voo de Adelaide) onde 70% da população mora debaixo da terra – são cerca de 3 500 pessoas, de 45 nacionalidades. Os mais ricos têm até piscina em suas casas subterrâneas.

De onde veio? Em 1915, funcionários de uma mineradora procuravam água no deserto quando descobriram as coloridas opalas que fariam a fama e a economia de Coober Pedy. Depois da 1º Guerra, aventureiros mudaram-se para lá numa corrida pelas pedras preciosas. Como os túneis já estavam cavados, aproveitaram-nos como casas. Ao menos garantiam algum alívio contra a média de 37 °C no verão.

No que deu? Virou cidade fantasma depois da crise de 1929. Nos anos 40, a mineração voltou com força e, na última década, Coober Pedy viu sua população dobrar. Mas a vida no deserto não é fácil. Cada morador tem direito a 60 litros de água por semana – o equivalente a um banho de 7 minutos. Quem usar mais paga caro. www.opalcapitaloftheworld.com.au  

3. No meio de (todos os) caminhos tinha uma pedra (Setenil de las Bodegas, Espanha)
É como se um imenso leito rochoso tivesse caído sobre a cidade e espremido suas casas, infiltrando-se pelos becos, formando marquises e, em alguns casos, ocultado o céu completamente. Mas, evidentemente, foi o contrário: em Setenil de las Bodegas, os moradores construíram a cidade apenas moldando as casas ao morro, acompanhando seu formato com materiais de alvenaria. As chamadas bodegas, onde moram cerca de 3 mil pessoas, podem ter cômodos com 3 paredes de pedra e uma só de tijolo, ou tetos de rocha. É um belo bate-volta para quem viaja pela Andaluzia – dá 1h30 de estrada desde Málaga ou 2 horas desde Sevilha. www.setenildelasbodegas.es

4. Lua de São Jorge (Ürgüp e Göreme, Capadócia, Turquia)
As cidadezinhas de Göreme e Ürgüp, na Capadócia, parecem pousadas em solo lunar – a região é feita de rochas porosas moldadas pelo vento que foram cavadas à mão entre os séculos 4 ao 11 para abrigar casas, igrejas e monastérios. Hoje a arquitetura das pedras é o trunfo de pousadas e restaurantes instalados nessas cavernas. Dá para ver tudo em passeios de balão ou caminhadas – no Museu a Céu Aberto de Göreme há 30 igrejas das cavernas, muitas com imagens de São Jorge, natural da região; no complexo Derinkuyu, há 8 andares de túneis com profundidade de 85 metros onde viveram mais de 10 mil pessoas do século 5 ao 10. www.goturkey.com

5. Bem à vontade (Cap dAgde, França)
Para passar as férias nessa praia de 2,5 km de extensão no Mediterrâneo, deixe para trás não só os problemas, mas também suas roupas. Cap d Agde é a maior colônia nudista da Europa. chega a ter 40 mil pelados, da água aos restaurantes. À noite, quando a temperatura cai um pouco, há quem se cubra com uma canga. em nome da higiene, garçons estarão de sunga. www.capdagdefrance.co.uk 

 

6. A capital secreta (Pyongyang, Coreia do Norte)
A capital norte-coreana tem suas atrações turísticas notáveis, como o Arco da Reconciliação, que representa a união das duas Coreias (hã?), 5 vezes maior que o Arco do Triunfo parisiense. Mas o mais interessante de lá é reviver a Guerra Fria. Só faltam os turistas – a única forma de vir é por Pequim, em grupos escoltados por guias oficiais, seguindo o toque de recolher das 7 h da noite.

7. Jeitinho britânico (Srinagar, Jammu e Caxemira, Índia)
O que é? Uma cidade de mais de 2 mil anos, capital do estado de Jammu e Caxemira, cercada pelo Himalaia e com um lago ocupado por centenas de casas flutuantes.

De onde veio? As moradias em barcos surgiram do (quem diria) jeitinho britânico para burlar a lei local que não permitia a compra de terras por estrangeiros. Isso em 1858.

No que deu? Já no fim do século 19, muitos proprietários resolveram transformar suas casas-barco em negócio e alugá-las para turistas. O interior de algumas se parece com palácios, com direito a lustre de cristal, móveis e paredes talhadas em cedro e banheiras de mármore. Como a Caxemira é disputada militarmente por Índia e Paquistão, redobre o cuidado no centro antigo de Srinagar. www.jktourism.org

8. 1 cidade, 9 municípios (Xangai, China)
Esse é o nome do programa que o governo de Xangai lançou nos anos 2000 para resolver o déficit habitacional. Foram construídos 9 centros urbanos nos arredores da metrópole para abrigar uma população de 500 mil pessoas. Até aí, ok. O insólito é que cada minicidade é como um parque temático em homenagem a um país do Ocidente. Thames Town, em Songjiang, é uma típica vila inglesa com edifícios vitorianos e georgianos. Os outros municípios são inspirados na Alemanha (o urbanista do projeto é Albert Speer, filho do arquiteto preferido de Hitler), Suécia, Holanda, Austrália, Espanha, EUA, Itália e Canadá. O Rio de Janeiro ficou de fora nos planos. www.shanghai.gov.cn 

 

9. dormir em Petróleo (Neft Daslari, Azerbaijão)
O que é? Uma cidade inteira flutuante, ao redor da primeira plataforma de extração de petróleo no mar a entrar em operação no mundo, no final dos anos 1940.

De onde veio? Neft Daslari, a 110 km de Baku, capital do Azerbaijão, é filha da Guerra Fria. Nos anos 1950, a República Socialista Soviética do Azerbaijão começou a colocar de pé esta urbe de 7 mil hectares sobre o mar Cáspio usando meio milhão de blocos de pedra e areia importados de ilhas vizinhas. Foram construídos 193 quilômetros de rodovias sobre uma estrutura de metal meio enferrujada para conectar poços de extração a alojamentos de até 9 andares, hospitais, centro culturais, padaria, livraria, cinema e até um parque.

No que deu? Ainda hoje as 5 mil pessoas que trabalham por lá usufruem parte dessa estrutura faraônica. Para chegar, são 3h30 de ferryboat desde Baku. www.azerbaijan.tourism.az

10. All we need is love (Auroville, Índia)

O que é? “Uma cidade universal onde homens e mulheres de todos os países possam viver em paz e progressiva harmonia acima de todos os credos, todas as políticas e todas as nacionalidades”, definem os mandamentos de Auroville.

De onde veio? Essa comunidade utópica com 2 215 membros de 41 nações (5 deles brasileiros) nasceu nos anos 60 no sul da Índia, a 150 km de Chennai.

No que deu? Seus membros trabalham 5 horas por dia, de domingo a domingo, cultivando orgânicos e ervas medicinais e produzindo energia renovável, artesanato e outros artigos à venda. Não há salário. No centro da cidade em forma de galáxia fica o templo Matrimandir, uma bola de mármore com um cristal no centro. Você pode visitar a comunidade, mas, para tornar-se membro dela, terá de passar por um teste de um ano até que o espírito de uma das fundadoras aceite-o. www.auroville.org