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7 quadrinhos notáveis lançados em 2015

7. Turma da Mônica: Lições

Continuação do sucesso Turma da Mônica: Laços (2013). Na trama, os quatro protagonistas se esquecem de fazer o dever de casa e com medo de levar bronca da professora, decidem fugir da escola. Como já era de se esperar, algo dá errado no plano e são colocados de castigo por seus pais. Até por isso que na capa, todos estão com carinhas de dar pena. As páginas transbordam nostalgia e pureza. Parabéns aos criadores Vitor e Lu Caffagi por conseguirem produzir uma HQ com atmosfera de infância, cheia de simplicidade e inocência.

6. Pétalas

Se todo mundo lesse Pétalas, o mundo seria muito melhor. Digo isso porque podemos definir a história sem falas criada por Gustavo Borges (Edgar, A Entediante Vida de Morte Crens) e colorida por Cris Peter (Astronauta: Magnetar, Astronauta: Singularidade e O Uso das Cores), como uma fábula sobre a solidariedade. Uma família de raposas luta bravamente contra o frio, quando de repente recebem a visita de um pássaro misterioso que vai mudar suas vidas. O quadrinho não precisa de palavras para convencer, mas aqui vai outro argumento. Ele angariou mais de 1000% de sua meta no site de financiamento coletivo Catarse. E pensar que o autor não queria colocar sua obra no site com medo de não alcançar o valor proposto e passar vergonha – parece que o jogo virou, não é mesmo?

5. Promethea

Aqui temos Sofia, uma jovem comum que decide fazer seu trabalho de conclusão da faculdade sobre uma personagem histórica chamada Promethea, conhecida como o avatar da imaginação humana. Ao longo da pesquisa, a protagonista descobre que diversos autores literários sem ligação alguma, durante os séculos, escreveram sobre a personagem, e, quando isso acontece, Sofia simplesmente se transforma em Promethea e passa a habitar o mundo da imaginação com um simples objetivo: trazer o apocalipse para a Terra. O enredo pode parecer complexo, pois Alan Moore utiliza muito de seu conhecimento sobre ocultismo e misticismo para narrar os eventos da obra. Mas, pasmem, a acessibilidade do quadrinho e a forma fluida com que o britânico nos conta a história é impressionante, dada a abstração do tema.

4. O Perfura Neve

Escrita pelos franceses Jacques Lob (Superdupont) e Benjamin LeGrand (Lone Sloane), Perfura Neve se passa numa terrível Era do Gelo, onde a sobrevivência da raça humana parece impossível, se não fosse o último resquício da civilização: um trem de alta tecnologia que cruza o globo abrigando os últimos representantes da espécie. Dentro do veículo, são cultivados todos os materiais necessários pra a continuação da vida – comida, bebida, diversão, fé. Mas o que poderia ser a salvação, na verdade, se torna com o tempo a simples reprodução dos bons e velhos costumes e mecanismos que levaram o planeta à destruição, incluindo a dura hierarquia social, opressão física e fanatismo religioso. O filme Expresso do Amanhã, protagonizado pelo Capitão América – ops, quer dizer, Chris Evans – foi baseado nessa obra.

3. Demolidor – Revelado

Escrita pelo “crime guy” Brian Michael Bendis (Alias, Powers, Dinastia M) e desenhada pelo búlgaro Alex Maleev (Guerra Civil: A Confissão, Invasão Secreta: Reinado Sombrio), Demolidor Revelado simplesmente tira a máscara do Homem Sem Medo. Atualmente, a identidade do personagem é pública, e é nessa história que o status quo de Matt Murdock muda radicalmente. Ele começa a ter uma vida de celebridade, com vários paparazzi – e problemas – o acompanhando à cada esquina. Para quem gostou da série lançada pela Netflix esse ano, é uma ótima pedida, já que mantém a pegada pé no chão, com vilões palpáveis e sem colans coloridos – menos o do protagonista, afinal, um herói precisa de um uniforme clássico.

2. Pílulas Azuis

A emocionante narrativa autobiográfica de Frederick Peters (Castelo de Areia) conta como ele conheceu e se apaixonou por sua esposa, portadora do vírus HIV. No decorrer da história, podemos presenciar as dificuldades que um casal nessa situação passa, como o preconceito sofrido pela família e o constante cuidado exigido pela doença. Sem a pretensão de virar hit às custas de um tema polêmico, a obra tem a capacidade de mudar a forma como o leitor encara o assunto. A leitura deixa claro que Peters escreveu o quadrinho para si mesmo, usando a arte como escape de sua própria vida, e por esse motivo é tão cativante.

1. Sandman: Prelúdio

A maioria das pessoas que leu Sandman tem uma relação especial com o quadrinho. Aquela leitura que te proporciona reflexão, imersão completa no universo, e ler Sandman: Prelúdio é como revisitar um velho e querido amigo. Para comemorar 25 anos da publicação do personagem, Neil Gaiman (Orquídea Negra, Deuses Americanos) decidiu voltar ao mundo dos sonhos em uma minissérie de seis edições. E olha, certamente não desapontou. O plano do autor é contar o porque o protagonista estava tão fraco no começo de sua jornada 25 anos atrás, a ponto de ser capturado por reles humanos. Dica: a história não é necessariamente uma prequel, e muito menos uma história de origem, já que ela até solta alguns spoilers da saga clássica. Então, vale a pena – e recomendo ler primeiro a série regular.