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A história de Alexander Hamilton, político que virou peça da Broadway

O musical, escrito em 2015 por Lin-Manuel Miranda, virou filme. E o longa, agora, está disponível na plataforma Disney+.

Por Carolina Fioratti Atualizado em 23 out 2020, 19h47 - Publicado em 3 jul 2020, 18h05

Nesta sexta-feira (3), o musical Hamilton, produção da Broadway, chegou em formato de longa metragem ao serviço de streaming Disney+. O filme nada mais é do que a edição de três apresentações, feitas em junho de 2016 na cidade de Nova York, junto a algumas cenas extras gravadas sem a presença de público no teatro. 

A história do político americano, Alexander Hamilton, é contada através de dois atos. Quase não há falas no espetáculo – a história é narrada por canção atrás de canção. Os estilos musicais também não são dos mais tradicionais: o enredo é conduzido por peças nos gêneros hip hop, R&B e soul. O elenco é formado, majoritariamente, por atores negros – que, em uma sacada irônica, interpretam personagens históricos brancos e racistas.

A ideia inicial era que as imagens gravadas fossem utilizadas em um documentário sobre a peça, mas os Estúdios Walt Disney adquiriram os direitos de imagem no início de 2020 e transformaram Hamilton em filme. Lin-Manuel Miranda, criador da obra e artista principal da peça, contribuiu para a produção do longa ao lado de Jeffrey Seller e Thomas Kail.

O streaming Disney+ terá filmes e séries originais da Marvel, Star Wars, National Geographic, Fox, ESPN, Pixar e, claro, Disney. Infelizmente, o serviço ainda não está disponível no Brasil, mas tem previsão de chegada ainda para o segundo semestre deste ano. 

Enquanto isso, para aquecer, conheça a verdadeira história de Alexander Hamilton.

Quem foi Alexander Hamilton

Se você já esteve nos Estados Unidos, provavelmente viu o rosto desse político estampado nas notas de dez dólares. Curiosamente, ele não nasceu no país. Alexander Hamilton é de Nevis, uma ilha no Caribe. Sim: um dos atores mais importantes do processo de independência dos EUA foi um imigrante.

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Desde criança, Hamilton se mostrou muito inteligente. Na adolescência, trabalhava como balconista em um estabelecimento comercial, e nesse serviço, impressionou seu chefe, Nicolas Cruger. Percebendo que o garoto era uma figura notável, Cruger, com o auxílio de outros empresários, arrecadou fundos para mandar o jovem para estudar em Nova York. Hamilton tinha 16 anos quando se matriculou no King’s College (atual Universidade Columbia), em 1773.

Mas Hamilton não seguiu carreira acadêmica. Ele largou os estudos e entrou para a vida política. Hamilton foi peça importante na independência americana: em 1777, durante a Guerra de Independência dos Estados Unidos contra a Grã-Bretanha, Hamilton foi nomeado capitão do exército pelo então tenente-general George Washington. Antes disso, já havia lutado nas batalhas de Long Island, White Plains e Trenton pela Companhia Provincial de Artilharia de Nova York.

Mas o êxito de Hamilton não se construiu apenas nos campos de batalha. Seus artigos e reivindicações foram o que atraíram George Washington e colaboraram para a construção de sua reputação.

Hamilton contribuiu bastante para que os EUA não falissem após a independência. Em 1784, ele colaborou com a fundação do primeiro Banco de Nova York. Depois, em 1789, foi nomeado como o primeiro secretário do tesouro dos Estados Unidos por George Washington, que nessa época já era presidente. Ficou no cargo por cerca de seis anos, e foi o principal responsável pela consolidação do sistema financeiro americano. Hamilton participou da fundação do Banco Nacional e da Casa da Moeda dos EUA.

Nem só de glórias viveu Hamilton. Ele foi o primeiro político americano a se envolver em um escândalo extraconjugal. O secretário era casado com Eliza Schuyler, mas manteve um caso de um ano com Maria Reynolds. O marido de Maria, James Reynolds, soube da situação e começou a chantagear Hamilton. Depois, Eliza o perdoou e o casal teve oito filhos. 

Até mesmo a morte de Hamilton teve motivação política. Em 1800, Thomas Jefferson e Aaron Burr se candidataram à presidência dos Estados Unidos. Houve um empate e, por decisão da Câmara dos Deputados, Jefferson foi eleito. O novo presidente não era o político favorito de Hamilton, mas mesmo assim Hamilton expressou seu apoio à decisão da câmara alegando que, pelo menos, Jefferson sabia o que estava fazendo. 

Em 1804, Hamilton também contribuiu para a derrota de Burr nas corridas governamentais de Nova York. Cansado de ser passado para trás, Aaron Burr desafiou Hamilton a um duelo, prática comum para a época. Em 11 de julho de 1804, na margem do rio Hudson, em Nova Jersey, Hamilton levou um tiro na parte inferior do abdômen, que resultou em sua morte. 

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