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“Anna Karenina” e “Gandhi – Ambição Nua”

Confira essas e outras dicas de cultura

Ana Prado e Karin Hueck

1. Diga-me o que vendes…
Miranda July estava empacada no roteiro de seu filme O Futuro, quando resolveu ler os classificados que vinham junto com o jornalzinho de seu bairro. A cineasta/artista/escritora/performer americana ficou intrigada com os objetos que as pessoas vendiam: uma jaqueta grande de couro por US$ 10, uma coleção de ursinhos carinhosos, 50 cartões natalinos, alguns girinos. Logo, July desistiu do roteiro por um tempo e decidiu investigar seus vendedores. Descobriu que o dono da jaqueta estava passando por uma mudança de sexo e que os cartões natalinos eram pornográficos, produzidos à mão por um senhor de 81 anos. São essas as histórias reais deste livro, escrito para ajudar July a se inspirar, mas que também serve para botar a vida em perspectiva.

O escolhido foi você Miranda July, Companhia das Letras, 224 páginas, R$ 52

2. Pessoas-gemas
A fotógrafa paulistana Camila Svenson anda pelas ruas de São Paulo (e de algumas outras partes do mundo) procurando pessoas com uma cara interessante. Antes, tirava fotos delas escondida. Hoje em dia, pede licença e um retrato. Em seguida, publica os resultados, sem nome nem identificação nem nada, no seu tumblr e Facebook. São os Achados Humanos, retratos de desconhecidos. Dá uma olhada aqui:

achadoshumanos.tumblr.com

3. Teatro nas telas
Transformar mil páginas de novela russa em um filme de duas horas não é missão fácil. Fazer o filme (quase) inteiro se passar dentro de um teatro de ópera é ainda mais desafiador. Mas foi o que o diretor Joe Wright fez nesta adaptação de Anna Karenina. Nela, a história da adúltera que larga o marido por um militar jovenzinho e mulherengo na alta sociedade moscovita do século 19 foi contada cheia de planos-sequência, em cenários montados e desmontados na frente do público e com um visual arrebatador. Vale o ingresso.

Anna Karenina, 15 de março nos cinemas.

4. Vai que é tua
O Public Domain Review é um projeto que coleciona e elabora mostras virtuais das melhores obras de arte, filmes, mapas e ilustrações que já caíram em domínio público. Tem uma exposição sobre as previsões do futuro feitas no século 19, tem os primeiros vídeos feitos do espaço em 1963, tem o mágico Houdini comentando seus truques e tem essa retrospectiva histórica dos retratos de Papai Noel, desde o século 13.

publicdomainreview.org

5. Gente como a gente
Que Gandhi era um santo, todo mundo sabe. O que este livro quer é descrever o lado humano do pacifista da independência indiana. Gandhi costumava se punir com jejuns que duravam dias, vivia testando novos regimes e acreditava que o poderio dos ingleses sobre a Índia se devia a sua dieta carnívora. Ele era também dono de um forte apetite sexual, que condenava. O repúdio aumentou depois de, ainda adolescente e já casado, ter deixado seu pai doente para ter relações sexuais com a esposa. Com casos como esses, o historiador inglês Jad Adams revela os caminhos que o indiano percorreu até a santidade.

Gandhi – Ambição Nua, Jad Adams, Geração Editorial, 464 páginas, R$ 40

6. O amor, dissecado
O amor tem poderes tão impressionantes – como o de fazer com que dois estranhos decidam compartilhar para sempre as suas vidas – que muita gente acha que se trata de um mistério cósmico. Mas a ciência tem provado que não é bem assim: o desejo, o amor e os vínculos interpessoais nos humanos não são tão diferentes daqueles que encontramos em peixes ou ratos – os impulsos neurais são os mesmos. Neste livro, os autores reúnem uma série de estudos sobre a ciência do amor, que explicam, entre muitas outras coisas, por que as mulheres gostam tanto de bad boys (tudo culpa do ciclo menstrual) ou de onde surgem os fetiches (culpa do cérebro, que registra qualquer mínimo detalhe da satisfação sexual).

A química entre nós, Larry Young e Brian Alexander, Bestseller, 350 páginas, R$ 40

7. A coisa tá russa
Quando se casou com Pedro, futuro imperador da Rússia, Catarina recebeu uma missão importante: produzir um descendente. Mas isso parecia impossível. O rapaz, no auge da juventude, preferia passar as noites brincando com seus soldadinhos a consumar o matrimônio. Foi um amante que se encarregou de engravidá-la. Esta biografia usou as memórias da imperatriz para descrever o casamento fracassado e toda sua trajetória até o trono russo.

Catarina – a Grande, Robert K. Massie, Rocco, 640 páginas, R$ 59,50