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Como ler “Guerra e Paz” e outros clássicos da literatura russa?

Tem medo de encarar calhamaços de mil páginas? Não sabe por qual autor começar? A gente te mostra o caminho.

Por Rafael Battaglia 16 jul 2021, 15h45

Contexto histórico

Ilustração de Napoleão Bonaparte.
Nicole Janér/Superinteressante

Para não cair de paraquedas nas histórias – ficar boiando desanima num livro de mil páginas –, leia sobre a época em que elas se passam. As Guerras Napoleônicas, a Revolução Comunista e o fascínio da burguesia pela cultura francesa marcaram os autores russos dos séculos 19 e 20.

Comece devagar

Ilustração mostrando vários livros empilhados, de várias grossuras diferentes.
Nicole Janér/Superinteressante

Se você não está habituado a calhamaços, começar com Guerra e Paz não rola. Aqueça com contos (como O Nariz, de Nikolai Gogol) ou novelas (A Morte de Ivan Ilitch, de Liev Tolstói), que são mais curtos.

Vale também focar nos períodos históricos que te interessam: se seu negócio é Revolução Russa, por exemplo, uma boa é Doutor Jivago, de Boris Pasternak.

Casos de família

Ilustração mostrando um livro aberto com uma árvore genealógica saindo de dentro dele.
Nicole Janér/Superinteressante

As histórias russas podem assustar pela quantidade de personagens ou pelos seus nomes complicados. Anote conforme eles forem apresentados ou use um guia de personagens disponível na internet. Não tenha medo: é um grau de complexidade parecido com o de série épica da Netflix. 

Escolha a edição

Ilustração mostrando dois olhinhos observando 3 livros, cada um com um balãozinho de fala saindo de dentro deles e contendo as bandeirinhas da França, do Brasil e da Rússia.
Nicole Janér/Superinteressante

Antigamente, costumava-se traduzir obras russas indiretamente, usando edições francesas. Hoje, dá para escolher boas traduções diretas do russo, que preservam o conteúdo original. Notas de rodapé, apêndices e listas de personagens complementam (e facilitam) a leitura.

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  • Leia as russas

    Nem só de homens vive a literatura russa: busque autoras como Nadiêjda Khvoschínskaia, a mais antiga traduzida no Brasil e cujo livro, A moça do internato, faz um retrato detalhado sobre como era ser mulher na sociedade russa do século 19.

    Escritoras contemporâneas também são uma boa pedida, como Liudmila Petruchévskaia (Era uma vez uma mulher que tentou matar o bebê da vizinha e outros contos) e Svetlana Aleksiévitch, vencedora do Nobel de Literatura em 2015. Jornalista, Svetlana é, na verdade, bielorrussa, mas sua obra traz importantes relatos detalhados e críticos à antiga União Soviética. O seu livro mais famoso é Vozes de Chernobyl.

    Domine os nomes

    Todo nome russo tem três partes. A do meio, denominada patronímico, se refere ao pai. Um exemplo: Vladímir (prenome) Ivánovitch (“filho de Ivan”) Golovin (sobrenome). 

    O patronímico termina, normalmente, em -ovitch, -evitch ou -itch para os homens e em -ievna, -ovna ou -itchna para as mulheres. O sobrenome também pode mudar conforme o sexo.

    Em conversas informais, os patronímicos são reduzidos: Nikolaievitch, por exemplo, vira Nikolaitch. E há apelidos, como Vova para Vladímir. Saber disso ajuda a navegar pelos livros.

    Para saber mais, leia o livro que inspirou este manual: Como ler os russos, de Irineu Franco Perpétuo.  

    Fontes: Raquel Toledo, mestre em literatura russa pela USP; livro Como ler os russos (Todavia), de Irineu Franco Perpetuo, e site Russia Beyond. Agradecimento: Giuliana Viggiano.

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