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Feito em Casa: nova série Netflix traz curtas gravados durante a pandemia

Projeto pretende retratar o mundo sob quarentena – e conta com nomes como Kristen Stewart, Maggie Gyllenhaal e Paolo Sorrentino.

Por Rafael Battaglia Atualizado em 26 out 2020, 08h37 - Publicado em 1 jul 2020, 18h54

Na última terça-feira (30), a Netflix lançou mais uma série durante a pandemia. Até aí, nada de novo. Afinal de contas, a plataforma de streaming, ao contrário dos cinemas e estúdios de filmagem, continua operando a todo vapor – Dark, que saiu na última semana, que o diga. Mas Feito em Casa traz algo de diferente: a produção foi 100% filmada sem sair de casa.

A proposta é interessante: a série é uma antologia de curtas-metragens – ou seja, todos os episódios são sobre o mesmo tema (a quarentena), mas com histórias independentes, e que não precisam ser assistidas em ordem. Veja o trailer:

A grande sacada de Feito em Casa é sua curadoria. Ao todo, são 17 curtas, cuja duração varia de 4 a 11 minutos. Cada um deles foi feito por cineastas famosos de todos os cantos do mundo. A lista vai de vencedores do Oscar, como o italiano Paolo Sorrentino, a atrizes consagradas de Hollywood, como Kristen Stewart e Maggie Gyllenhaal.

O projeto foi idealizado pelo diretor chileno Pablo Larrain em conjunto com seu irmão, Juan de Dios. A produtora dos dois, a Fabula, se uniu à italiana The Apartment Pictures e, junto à Netflix, coordenou todas as produções à distância.

“‘Feito em Casa’ é sobre adversidade, e como somos todos de diferentes países, culturas e circunstâncias, mas, para um momento único da humanidade, compartilhamos circunstâncias muito semelhantes em contextos diferentes”, disse Pablo à revista Variety. O cineasta também assina um dos curtas do projeto.

Os filmes vêm dos mais diferentes lugares, do Japão (Naomi Kawase) ao Líbano (Nadine Labaki e Khaled Mouzanar). Os diretores foram instruídos a utilizar somente os equipamentos e objetos disponíveis em casa, sem furar a quarentena. Nos créditos finais, a maioria descreve seu processo de filmagem que, muitas vezes, foi feito com um celular.

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Mas isso não impediu que alguns diretores extrapolassem os limites de suas casas. O francês Ladj Ly, indicado ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro esse ano por Les Misérables, usa um drone para mostrar a rotina de Seine Saint-Denis, uma região próxima à Paris que foi fortemente afetada pela Covid-19.

O filme de Ly é o primeiro episódio de Feito em Casa. Na sequência, Paolo Sorrentino, vencedor do Oscar de Filme Estrangeiro em 2014 por A Grande Beleza, chama a atenção por sua simplicidade. Gravado em diferentes cômodos da casa de Sorrentino em Roma, o curta narra uma divertida conversa entre dois bonecos: o papa Francisco e a rainha Elizabeth II. Como se acompanhar a rotina de dois brinquedos já não fosse cômico o suficiente, os diálogos são carregados de ironia, e nos fazem refletir sobre o confinamento e o papel que símbolos (como eles) desempenham em meio a tudo isso.

A pluralidade de tons e visões aumenta a cada episódio. O de Rachel Morrison, diretora de fotografia de Pantera Negra, por exemplo, é uma comovente carta ao seu filho de cinco anos, Wiley, e fala sobre como as crianças estão enxergando o que está acontecendo – e como a pandemia será lembrada pela próxima geração.

Já o de Gurinder Chadha, cineasta britânica de origem indiana, é um espirituoso diário de quarentena. Mesclando gravações caseiras com imagens do seu arquivo pessoal, a diretora mostra como cada membro da família, com rotinas tão diversas, tiveram que se adaptar ao confinamento. Das aulas à distância dos filhos às celebrações da Páscoa e do Dia das Mães, é impossível não se identificar. No ano passado, a SUPER bateu um papo com Chadha e o elenco de A Música da Minha Vida, seu filme mais recente. Você pode lê-lo aqui.

O envolvimento de Kristen Stewart e Maggie Gyllenhaal desperta curiosidade. Conhecidas por seus papéis em Hollywood (Kristen, caso você não se lembre, estrelou a saga Crepúsculo), elas apresentam trabalhos competentes na direção – e que, veja só, não são suas primeiras experiências atrás das câmeras. Em 2017, Kristen dirigiu um outro curta, Come Swim. Já Maggie estará no comando do longa The Lost Daughter, adaptação de um livro de Elena Ferrante.

A série foi rotulada pela Netflix como “Volume 1”, mas ainda não se sabe se haverá uma nova leva de curtas. A empresa garantiu que, em homenagem aos cineastas envolvidos, fará doações para fundos que tem ajudado profissionais do audiovisual afetados pela falta de trabalho na quarentena. Feito em Casa é mais um exemplo que arte e criatividade são coisas duradouras – mesmo diante de uma pandemia global.

 

 

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