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“Lincoln”, “As Aventuras de Pi” e “Homeland”

Confira essas e outras dicas de cultura

Ana Prado, Tiago Lopes, Mila Burns e Karin Hueck

1. Pai da pátria
O 16º presidente dos EUA era um homem peculiar. Abraham Lincoln não andava: arrastava-se lentamente, geralmente com os braços atrás das costas, e a cada passo que dava, erguia o pé inteiro e o jogava no chão à sua frente. Pelo menos essa é a descrição feita por sua biógrafa, Doris Kearns Goodwin, que serviu de inspiração para o novo filme de Steven Spielberg. Nele, além de focar nos fatos realmente importantes da vida do presidente (como o fato de ter abolido a escravidão e, por consequência, dado fim à Guerra Civil americana), Spielberg se preocupou obsessivamente com cada detalhe da figura de Lincoln, como o seu andar. O resultado é uma atuação arrepiante de Daniel Day-Lewis (altas chances de Oscar por aí), e uma baita aula de história. (Veja a entrevista com Spielberg na pág. 22).

Lincoln, 25 de janeiro nos cinemas.

2. Um tigre e um número irracional
O pai de Pi decide se mudar com toda a família e os animais do zoológico que mantinha na Índia para o Canadá, a bordo de um navio cargueiro. Depois de uma tempestade e um naufrágio, Pi fica à deriva no Pacífico num bote com uma zebra, um orangotango, uma hiena e um tigre-de-bengala faminto. Esse é o começo de As Aventuras de Pi, um drama otimista e emocionante sobre fé. Mais da metade do filme mostra apenas Pi e o tigre, isolados por dias no meio do mar, mas tudo bem: a filmagem é tão bonita e o 3D é tão bem feito (ajuda a contar a história, não é apenas firula técnica), que você nem vai sentir.

As aventuras de Pi, 21 de dezembro nos cinemas.

3. (Anti)herói de guerra
Um sargento americano que se converte ao islamismo e ajuda a planejar um ataque terrorista aos EUA. Essa é a trama inicial da série Homeland. Ao receber essa informação sigilosa, uma agente da CIA (Claire Danes) passa a desconfiar de um fuzileiro americano que foi mantido preso pela Al-Qaeda por oito anos (Damian Lewis). O seriado é o novo grande sucesso da TV americana e a terceira temporada acabou de ser confirmada para 2013. Aproveite para se atualizar nos capítulos até lá.

Homeland, todos os domingos, às 23h, no canal FX.

4. O artista quando jovem
Vincent Van Gogh cresceu em uma família muito rígida, muito unida e muito opressiva. Desde cedo, o primogênito foi reconhecido como a ovelha negra – a mãe não simpatizava com o jeitão de artista. Por isso, quando estava em casa, Vincent gostava de dar longos passeios no mato. Foi justamente nessas voltas que ele primeiro reparou nas cores, na luz e na força da natureza que, anos depois, transformaria em alguns dos quadros mais famosos do mundo. Cada aspecto da vida do pintor foi destrinchado à exaustão nesta biografia que defende que Van Gogh não cometeu suicídio, mas foi assassinado por um conhecido. Está tudo lá, nas 1 128 páginas.

Van Gogh, Steven Naifeh e Gregory White Smith, Companhia das Letras, 1 128 páginas, R$ 79,50.

5. O Povo Pequeno está vigiando você
Aomame é uma assassina de aluguel especializada em matar homens que batem em mulheres. Tengo é um professor de matemática que sonha em escrever um romance de sucesso. Sem saber, eles são sugados para um mundo onde nada mais é o que parece: duas luas iluminam o céu, uma organização religiosa começa a controlar suas vidas e um misterioso Povo Pequeno aparece em todo lugar. Este livro (uma trilogia, os outros dois ainda serão lançados) foi inspirado no clássico 1984 de George Orwell e virou best-seller mundial imediatamente. Leia e decida se o Povo Pequeno do japonês Murakami é tão assustador quanto o Grande Irmão de Orwell.

1Q84 (Livro 1), Haruki Murakami, Alfaguara, 432 páginas, R$ 50.

6. Memória de Vlado
O jornalista Vladimir Herzog enfrentou duas guerras em sua vida. A primeira, quando ele e sua família judia fugiram da perseguição nazista na Europa durante a Segunda Guerra Mundial. A outra foi no Brasil, quando enfrentou a fúria dos agentes da ditadura contra os jornalistas e a liberdade de expressão – e da qual não saiu com vida. Seis dias após seu assassinato, em 1975, um culto ecumênico na catedral da Sé em sua memória virou um protesto silencioso de 8 mil pessoas. Foi silencioso porque os militares estavam atentos para reprimir violentamente qualquer indício de manifestação. O episódio inspirou o colega de profissão Audálio Dantas a contar no livro não apenas a história de Herzog, mas também a do próprio jornalismo no País.

As duas guerras de Vlado Herzog, Audálio Dantas, Civilização Brasileira, 406 páginas, R$ 40.