Clique e assine a partir de 8,90/mês

Livro da semana: “Breve História de Quase Tudo”, de Bill Bryson

Em 540 páginas, o jornalista americano demonstra que a sua existência é o resultado improvável de uma cadeia de acontecimentos que começa no Big Bang.

Por Bruno Vaiano - Atualizado em 29 jul 2020, 20h23 - Publicado em 12 jul 2020, 13h15

“Breve História de Quase Tudo” | clique aqui para comprar

“Ser você não é uma experiência gratificante no nível atômico. (…) Seus átomos na verdade nem ligam para você – eles nem sequer sabem que você existe. Não sabem nem que eles existem. (A ideia de que se você se desintegrasse, arrancando com uma pinça um átomo de cada vez, produziria um montículo de poeira atômica fina, sem nenhum sinal de vida, mas que constituiria você, é meio sinistra).”

É assim que o jornalista americano Bill Bryson recebe os leitores na primeira página de Breve História de Quase Tudo, o livro de divulgação científica mais vendido do século 21. Ao longo de 540 páginas, ele demonstra que a sua existência – e a de todos os demais seres humanos – é o resultado improvável de uma cadeia de acontecimentos que começa há 13,8 bilhões de anos, no evento de rápida expansão do tecido do espaço-tempo conhecido como Big Bang. 

Existe uma classe de seres humanos chamados “cientistas” que se dedicam a entender essa cadeia de eventos. E o objetivo de Bryson é explicar esse trabalho ao leitor. Como sabemos que a água do mar é salgada? Como sabemos em que época os fósseis viveram? Como sabemos o que acontece no interior do Sol? De onde saiu, afinal, toda aquela informação que é apresentada nos livros didáticos da maneira mais monótona e desinteressante possível? No caminho, Bryson aproveita a ciência para apresentar os cientistas da maneira mais humana (e cômica) possível. 

Continua após a publicidade

James Hutton, que era um gênio da geologia mas um péssimo escritor, é descrito como “quase totalmente isento de realizações retóricas”. O biólogo J. B. S. Haldane, após furar os tímpanos dele próprio e de suas cobaias, fornecia uma forma peculiar de consolo: “O tímpano geralmente se recupera; e, se nele permanecer um furo, embora se fique um pouco surdo, pode-se expelir fumaça de tabaco pela orelha em questão, o que é uma realização social.” A própria Terra se torna uma personagem temperamental: “(…) Nós viemos de um planeta que é ótimo em abrigar vida mas ainda melhor em extingui-la.”

Breve História de Quase Tudo contém as respostas para todas as perguntas que você não sabia que tinha sobre você mesmo e as coisas que estão a sua volta. Para quem nunca se interessou por uma aula de Química ou de Física, o livro carrega uma mensagem implícita e importante: da existência de celulares aos tratamentos contra o câncer, a ciência de base é o alicerce de toda a tecnologia que viabiliza o estilo de vida contemporâneo. Ignorar os cientistas é o caminho mais rápido para um mundo pior. 

Esse é o primeiro dos #SuperLivros. Todos os domingos, a SUPER vai recomendar uma obra que inspira nossos redatores a escrever o conteúdo que você acompanha na revista impressa, no nosso site e nas redes sociais. Até o próximo final de semana!

#SuperLivros | Conheça nossas outras recomendações.

Publicidade