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Livro da Semana: “Outras Mentes”, de Peter Godfrey-Smith

Neste lançamento recente, o filósofo da ciência (e mergulhador) Peter Godfrey-Smith investiga a evolução e o presente dos polvos, e os utiliza como trampolim para investigar a origem da consciência em seres humanos.

Por Bruno Vaiano - Atualizado em 18 set 2020, 14h32 - Publicado em 18 set 2020, 09h55

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Um dos maiores desafios dos astrobiólogos – os estudiosos da hipotética vida extraterrestre – é imaginar seres vivos completamente distintos dos que existem por aqui. Que usem sentidos diferentes da visão e da audição, que tenham um sistema nervoso irreconhecível, cujos corpos sejam construídos com moléculas baseadas em átomos de silício, em vez de carbono.  

Felizmente, para eles, é possível buscar inspiração em um alienígena inteligentíssimo que evoluiu por aqui mesmo, seguindo caminhos bem diferentes dos adotados por mamíferos. Estamos falando dos polvos. Nosso editor Bruno Garattoni escreveu sobre eles (leia a matéria completa aqui):

“Polvos não enxergam cor. Dentro dos olhos, eles só têm o equivalente dos bastonetes (células que, na retina humana, são responsáveis por detectar luz). Os cientistas sabem disso faz tempo. Inclusive o biólogo Roger Hanlon, que está acompanhando um polvo a 20 metros de profundidade na costa da Espanha. O polvo se aproxima de um montinho de algas marinhas – e, aí, algo extraordinário acontece. O bicho muda de cor e fica marrom, imitando as algas.

Mas, se ele não é capaz de ver as cores, como sabe que as algas são marrons? Alguns cientistas acham que os polvos detectam as cores pela pele: possivelmente graças à opsina, uma proteína sensível à luz. Outros dizem que o segredo está em suas pupilas, que têm formatos bizarros (em “u” ou “w”, não circulares como as nossas) e por isso funcionariam como prismas, decompondo as cores em pedaços que os olhos dos polvos conseguiriam processar. Mas, no fim das contas, ninguém sabe.

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Da mesma forma, ninguém sabe explicar o caminho evolutivo que fez os polvos desenvolverem três corações (um deles distribui sangue oxigenado pelo corpo todo, e os outros dois recebem sangue sem oxigênio e o levam até as brânquias, para que seja oxigenado) e, mais estranho ainda, um conjunto de nove cérebros. Eles possuem um cérebro central e oito paralelos, um dentro de cada tentáculo – num conjunto que totaliza 500 milhões de neurônios. É a mesma quantidade de um cachorro. Mas os polvos são capazes de algo que nenhum canino faria: pensar com as pernas. Os tentáculos concentram 70% dos neurônios, e são capazes de se comunicar diretamente uns com os outros, sem passar pelo cérebro central.”

No livro Outras Mentes – que inspirou essa matéria da SUPER –, o filósofo da ciência (e mergulhador) Peter Godfrey-Smith investiga minuciosamente a evolução e o presente dos moluscos de oito tentáculos, e os utiliza como trampolim para investigar a origem da consciência em seres humanos. Um mergulho em cérebros alienígenas para entender o nosso próprio cérebro.

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