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Livros

José Carlos Ruy

Contra a AIDS, a arma da informação

AIDS, a Epidemia, James Slaff e John Brubaker, Editora Abril, São Paulo, 1987.

Este livro, a rigor um guia, se propõe reunir dados esclarecedores sobre a questão muito mais falada do que efetivamente conhecida. Fica clara a dificuldade: o assunto vem sendo dia a dia esmiuçado, pesquisado, revirado às avessas, na busca de informações que possibilitem a medicina derrotar o mais terrível vírus já identificado.

Apesar das referências a problemas constitucionais e cifras que interessam apenas aos norte-americanos, como os seus autores, o livro vale principalmente pelos capítulos “As 100 perguntas mais importantes sobre AIDS” e “Como praticar o sexo seguro”. O primeiro deixa poucas dúvidas ao leitor medianamente informado; o segundo comunica de modo franco e o objetivo como as pessoas devem se comportar nas relações sexuais ocasionais.

Em confronto com o material norte-americano, o apêndice “A epidemia de AIDS no Brasil” dá uma imagem desoladora do despreparo das entidades de saúde pública brasileiras para enfrentar a doença. Apesar de insistir na importância da ampla difusão dos testes anti-AIDS, o guia fica devendo a lista dos laboratórios que estão aptos a realizá-los. Isso não compromete, porém, a importância e a oportunidade deste livro: na batalha contra a AIDS, a informação clara e precisa é, por enquanto, a arma mais eficaz de que dispomos.

 

 

A sobrevivência de Darwin

A Origem das Espécies, Charles Darwin, Hermus Editora, São Paulo, sem data.

A curiosidade que este livro provocou foi tanta que a primeira edição se esgotou no mesmo dia em que foi posta à venda na Inglaterra – 24 de novembro de 1859. Mais de 100 anos não diminuíram esse interesse. A Origem das Espécies é a mais importante obra sobre biologia já escrita. Nela, o naturalista Charles Darwin (1809-1882) sustentou a idéia da evolução dos seres vivos, contra o ponto de vista que pretendia que as espécies vegetais e animais fossem imutáveis.

O livro é o ponto de chegada de um gigantesco trabalho feito por Darwin a partir das observações realizadas em sua viagem de cinco anos ao redor do mundo – que o trouxe inclusive ao Brasil. Algumas surpresas poderão intrigar os leitores: ao contrário do que se pensa, em nenhum momento Darwin afirma que “o homem veio do macaco”. Também não fala em “sobrevivência do mais forte”. Essa idéia é de autoria do filósofo inglês Herbert Spencer, criador do chamado darwinismo social, que procurou legitimar o implacável capitalismo da época, fundamentando-o em “leis naturais”. Nem isso nem a corrosão do tempo abalaram a obra de Darwin. Ela sobrevive.

 

 

Made in China

História da Técnica e da Tecnologia, Ruy Gama (organizador), T.A. Queiroz Editor e Editora da Universidade de São Paulo, São Paulo, 1985.

É impossível saber quem inventou a roda. Mas, se a questão é saber quem teve a idéia de colocar a roda numa padiola e criar o carrinho de mão, pode-se ter uma resposta: teriam sido os chineses, criadores de inúmeros outros artefatos de uso tão generalizado que parece ter existido sempre – o papel, a pólvora, a bússola, os sinos, o arco de violino (que revolucionou a música do Ocidente), a fundição do ferro, a roca, o prosaico botão do vestuário, o macarrão.

Este livro, organizado pelo professor Ruy Gama, coordenador do Núcleo de História da Ciência e Tecnologia da USP, não é exatamente uma história das invenções, mas uma antologia de textos já clássicos de historiadores, antropólogos e engenheiros, escritos principalmente entre os anos 1930 e 1950, que não haviam sido ainda traduzidos para o português.

Autores importantes, como os historiadores franceses Marc Bloch e Charles Parain e o medievalista da Universidade da Califórnia Lynn White Jr., falam de coisas tão díspares como a contabilidade, os moinhos de cereais, o moinho d·água, o sistema biela-manivela, a refinação de ouro e prata, a matemática ou a resistência dos materiais, procurando sempre explicar não o know-how, mas o know-why das técnicas – ou seja, porque elas são como são. É surpreendente o papel do Oriente no desenvolvimento dessas técnicas. Como observa o medievalista Lynn White Jr., na Idade Média a Europa parecia reduzir-se a “um mero apêndice da China”.