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Livros Superimportantes

Resenhas de livros interessantes

 

Crônica familiar

Uma janela para a vida, Jane Goodall, Jorge Zahar Editor, rio de Janeiro, 1991

Quando chegou ao Parque Nacional de Gombe, na Tanzânia, no inicio da década de 60, a bióloga inglesa Jane Goodal (1934-) pretendia ficar ali por dois ou três anos para estudar o comportamento dos chipanzés. Ela havia sido mandada para lá pelo arqueólogo Louis Leakey (1903-1972), incansável pesquisador das origens humanas. Ele imaginava que a compreensão do comportamento dos nossos parentes mais próximos pudessem indicar um caminho que desvendasse o passado da humanidade. Leakey acreditava que o comportamento do homem e do chipanzé pudessem fornecer indícios sobre como se comportava o homem primitivo. 

Sem duvida, tratava-se de um estudo pioneiro, pois ate então pouco ou quase nada se sabia sobre esses animais, considerados os mais inteligentes entre os primatas. Justamente por isso, não era fácil observá-los. Assim, Jane foi ficando e depois de trinta anos de convívio diário com os chipanzés publicou em livro os resultados desse estudo, o mais completo de que se tem noticia sobre uma espécie viva. Suas conclusões desconcertaram os cientistas, pois as semelhanças entre os chipanzés e o homem começam na estrutura molecular do DNA – eles se diferenciam em pouco mais de 1 por cento – e vão muito alem. Passam por laços de afetividade s solidariedade entre os membros de uma família, pela luta pelo poder, e ate mesmo por epidemias e doenças que atacaram o grupo. 

Ao longo desses trinta anos, Jane e sua equipe enfrentaram toda sorte de dificuldades: doenças tropicais, ataques de animais a ate mesmo seqüestros. Em 1975, por exemplo, quatro estudantes que trabalhavam com ela foram raptados por um grupo de guerrilheiros que freqüentavam as matas da Tanzânia. Isso obrigou-a a se retirar do local ate que os estudantes fossem libertados e as coisas se acalmassem. Nessa época, ela já conquistara a confiança dos animais, a ponto de transitar livremente entre eles, como se fosse integrante do grupo – na região existem três grupos nômades e rivais de chipanzés e Jane concentrou-se em um deles.

A partir daí, começou a observar o comportamento de cada um de seus integrantes e a entender suas diferentes personalidades. A descrição desses personagens revela tais diferenças. Figan, por exemplo, o líder que dominou por dezessetes anos, cuja trajetória Jane acompanhou desde que ele era recém-nascido, tinha um relacionamento muito especial com seu irmão Faben, paralitico de um braço, vitima de uma epidemia de pólio que atingiu o grupo. Figan defendia o irmão como se compreendesse sua deficiência e até permitia que ele copulasse com suas fêmeas- como líder, tinha direito a uma harém exclusivo, Já Passion, uma fêmea adulta, era agressiva e violenta e costumava devorar os filhotes de outra fêmeas assim que nasciam. Das suas crias, em compensação, cuidava muito bem. Quando as epidemias atacavam o grupo, os órgãos da mãe eram imediatamente atados pelos irmãos ou chimpanzés mais velhos, solidários com os filhotes. Essa e mais uma serie de historias comoventes narradas por Jane ao longo do livro lhe custaram muito tempo e dedicação. Como são nômades, os chimpanzés passam o tempo andando e demarcando seu território e acompanhá-los nas caminhadas e trabalhoso. 

Para começar, no inicio, ela teve de andar de quatro pois só o macho dominante tem o direito de andar ereto, como bípede. Pó desconhecer essa regra do grupo, Jane levava muitos tapas. É que os chimpanzés, quando afrontados, partem para a briga. Esse comportamento fica claro, por exemplo, na época do acasalamento, quando procuram uma fêmea que o acompanhe. Se ela se recusar, ou por não estar no Cia ou por não gostar de macho, apanha de verdade. Assim, e de se perguntar que motivos levam uma mulher inteligente, bonita e muito jovem na época em que iniciou a pesquisa a se enfunar durante tanto tempo para estudar o comportamento dos chimpanzés. É claro que cada um tem seus motivos pessoais.
 
Mas, do ponto de vista pratico, esse tipo de estudo e realmente muito demorado. Alguns, por exemplo, se dariam por felizes com 10% dos dados que ela coletou, mesmo que seu trabalho ficasse incompleto e sem continuidade. Mas, nas palavras da própria Jane Goodall, se pudesse ficar mais trinta anos ainda teria muito a aprender e observar. Na verdade, trata-se de uma questão polemica que se coloca de modo diferente para cada pesquisador. Hoje, com total apoio do governo, não se mexe uma palha nas matas da Tanzânia sem antes consulta-la: desde a demarcação de terras até a reeducação dos animais apreendidos em cativeiro. Ela tornou-se a grande responsável pela preservação dos chimpanzés africanos. Transformou-se numa ambientalista que defende, luta contra a destruição de habitats contra caçadores que vendem a circos e zoológicos.

 

 

 

 

A viagem tóxica 

Doces venenos, Conversa e Desconversas sobre droga, Lídia Rosemberg Aratangy, Editora Olho d’água, São Paulo, 1991 

A autora, bióloga e terapeuta familiar, interpretam contos de fadas, apela para fatos do cotidiano, fornece explicações sobre fisiologia no organismo – vale tudo para desvendar o fenômeno das drogas. Numa linguagem abre informal, ela esclarece como cada uma dessas substancia age no cérebro. Assim, fica fácil entender, por exemplo, por que a maconha deprime o sistema nervoso, por que se morrer com uma única dose de cocaína, como os primeiros goles de bebidas alcoólicas dão a ilusão de afastar a timidez ou, ainda, como o LSD provoca alucinações. O texto arranca de vez a magia que envolve as drogas mostrando que seus efeitos são pura biologia.

 

 

 

Retrato de uma vida
 
Sir Richard Francis Burton, Edward Rice, Companhia Da Letra, São Paulo, 1991

Explorador, cientista e agente secreto, o capitão inglês Richard Francis Burton (1821-1890) viveu entre os quatros continentes. Entre outras coisas fez peregrinação a Meca e foi um dos primeiros europeus a procurar nas nascentes do Rio Nilo, no coração da África. Responsável pela instrução no Ocidente de uma escandalosa tradução as Mil e uma noites, Burton tornou-se uma das figuras mais singulares do século passado. Susa Fascinante biografia, marcada pela buscava de conhecimentos e aventuras, é retratada por Edward Rice que, para escrevê-la, pesquisou durante dezoito anos.

 

 

 

Pioneiro renascentista 

A cultura do Renascimento na Itália, Jacob Burchhardi, Companhia da Letra, São Paulo, 1991. 

Publicada em 1860, esta é a obra prêmio do suíço Jacob Burckhardt (1818-1897),considerada um dos maiores historiadores de arte do século XIX. Nela, ele reconstrói e descreve o que considerava de arte do século XIX. Nela, ele reconstrói e descreve o que considerava os traços típicos da Itália dos séculos XIX, XV e XVI: a visão estética da vida social e o surgimento das primeiras formas de individualismo. Todos os livros importantes sobre o Renascimento publicados depois daquela data fossem de criticas ou elogios, foram escritos a partir do livro de Burchardt.