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Máquina do tempo: o Robinson Crusoé do Cretáceo

Cientista convive com dinossauros em saborosa obra de ficção científica.

Em meados do século XXII, uma escavação arqueológica nas Montanhas Rochosas, nos Estados Unidos, desvenda algumas placas de pedra com incrições semelhantes a um diário. Embora sejam escritas na língua da época, descobre-se que foram feitas há 80 milhões de anos. O autor é um cientista que, durante experiências com física quântica, acidentalmente havia sido transportado no tempo até o final do período Cretáceo. Seus escritos contam a experiência de estar sozinho em meio a gigantescos dinossauros. A fantástica e saborosa história está no livro The Dechronization of Sam Magruder (em português, algo como “a destemporização de Sam Magruder”), Saint Martin’s Press, 136 páginas, de George Gaylord Simpson (1902-1984), um renomado paleontologista que foi professor na Universidade Harvard. Como o texto que faz parte do seu enredo, a novela de Simpson também foi descoberta por acidente, por sua filha, que publicou os manuscritos. Para se ter uma idéia da qualidade da obra, basta passar os olhos na entusiasmada introdução, assinada pelo escritor Arthur C. Clarke, autor, entre outros, do clássico 2001, Uma Odisséia no Espaço. No posfácio, outra rubrica de peso. A do zoólogo, escritor e colega de Simpson em Harvard, Stephen Jay Gould, um dos mais importantes divulgadores de ciência de nosso tempo. Apesar das referências, o livro ainda não foi editado no Brasil. Uma pena.

Preço: US$ 17,95 (nos EUA)

As cores certas

Trecho do livro The Dechronization of Sam Magruder, de George Gaylord Simpson:

“A dificuldade no reconhecimento se devia às limitações da restauração paleontológica. As cores dos animais pré-históricos são desconhecidas. Para não correr riscos, artistas não ousaram usar o tom verde-esmeralda da criatura que eu vejo diante de mim agora. Eles representaram seus olhos como sendo marrons ou negros, e não do vermelho brilhante da realidade à minha frente. Minha imagem mental da época de estudante tinha as cores todas erradas. Você conseguiria reconhecer imediatamente um tigre vermelho e sem listras ou um esquilo com pintas roxas?”