GABRILA65162183544miv_Superinteressante Created with Sketch.

Significados Imaginários

Num recente comercial de televisão, o saxofonista Derico, do Jô Soares Onze e Meia, empregava algumas palavras que, por não serem habituais, ganhavam facilmente vários significados incorretos, que muitos jurariam estar certíssimos. Devidamente mimetizadas num texto, elas podem nos apanhar como lombadas em rua escura. Não parecem estar contrastando com o entorno e, quando se percebe, o estrago já está feito.

O objetivo da campanha pr1otagonizada por Derico era divulgar um dicionário, distribuído em fascículos encartados num jornal. E fazia isso de modo divertido, destacando seu lado pitoresco. Quem é que já não viajou em suas páginas, fazendo escalas nas definições mais curiosas, às vezes quase inacreditáveis? Embora um dicionário não seja exatamente o que alguém procura para relaxar num momento de lazer, existe nele uma dimensão lúdica que pode até ser aproveitada para isso.

Que tal, por exemplo, usá-lo como peça de jogo? O jogo já existe, tem o nome óbvio de Dicionário e, embora seja disponível em versões industrializadas, que poupam o trabalho de selecionar as palavras, requer apenas algumas canetas e folhas de papel para ser praticado. Seu mecanismo, baseado num sistema de votação de propostas, tem inspirado incontáveis jogos de tabuleiro, de cartas e até de programas de televisão – com resultados nem sempre de bom gosto, diga-se de passagem.

Antes de mais nada, convém recortar as folhas em peque nas tiras de papel – com tamanho suficiente para conter algumas linhas de texto – e reparti-Ias entre os participantes. É conveniente, ainda, cada qual ter uma caneta. Um dos jogadores começa na função de “dicionarista”: deve consultar o dicionário, escolher uma palavra obscura, cujo significado ele supõe não ser conhecido pelos demais, e dizê-la em voz alta. Normalmente, é fixado um certo tempo para essa escolha, que deve ser combinado previamente.

Em seguida, todos devem criar uma definição para a palavra, procurando redigi-Ia num estilo parecido com aquele dos dicionários e com um conteúdo verossímil, para tentar convencer o maior número possível de adversários. Cada um escreve a sua em segredo, numa tira de papel, inclusive o dicionarista, que deve simplesmente copiar do livro a definição verdadeira. Também para esta etapa convém estabelecer um limite de tempo que o grupo considere razoável.

Redigidas as definições, as tiras de papel devem ser entregues ao dicionarista, que as examinará para ver se estão legíveis – a hora certa para pedir esclarecimentos é agora, nunca depois, e eles devem sempre ser dados por escrito para que os outros não ouçam nada. Se tudo estiver legível, o dicionarista embaralhará todas as tiras, junto com a sua, e as lerá uma por uma em voz alta, sem pressa, tentando manter a entonação o mais neutra possível. Se for solicitado por alguém, ele as deve reler quantas vezes for preciso.

A próxima etapa é a votação: cada um tem de escolher a definição que, em sua opinião, é a verdadeira. Todos escrevem secretamente seus votos num pedaço de papel para, em seguida, revelá-los ao mesmo tempo. Somente então o dicionarista – que não vota – contará qual é a definição correta.
Todos que votaram na definição verdadeira ganham um ponto. Além disso, cada jogador ganha um ponto para cada voto recebido pela definição que ele mesmo inventou.O dicionárionarista só marca pontos se ninguém acertar a definição verdadeira – nesse caso ele ganha um total de pontos igual ao número participantes menos um.

Como sua pontuação é feita segundo um critério diferente, é essencial que o papel de dicionarista passe sucessivamente por todos os jogadores. Desse modo, uma partida completa constará de tantas rodadas quantos forem estes. Em cada uma delas repete-se todo o procedimento descrito acima. Após a última, os pontos serão somados e o maior total definirá o vencedor.