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Ciência

Dia da Terra: a hora de virar a chave

Nossa espécie modifica o clima e a biodiversidade do planeta mais rápido do que consegue aprender sobre ele. E assim, toma o lugar de asteroides e vulcões como agente de uma sexta extinção em massa no registro geológico. A diferença é que ainda somos capazes de impedi-la.

por Bruno Vaiano Atualizado em 23 abr 2022, 12h53 - Publicado em 22 abr 2022 09h43

“Você está na biblioteca de Alexandria e percebe que sua prateleira está chamas. Uma ala toda já queimou, e os vândalos lá fora impedem os bombeiros de entrar. O que fazer?” A pergunta está num artigo de 1992, escrito pelo físico e escritor de ficção científica Gregory Benford. Benford escreve que é uma má ideia andar corredor por corredor atrás dos tratados mais importantes de Aristóteles ou qualquer outra solução pedante do gênero. (Afinal, quem é você para decidir quais conhecimentos serão úteis para a posteridade?) 

Por outro lado, pegar só o que está por perto – e sair sobrecarregado com os itens de uma única seção do prédio – também é ruim: seja lá quais forem as necessidades da posteridade, é certo que não estão todas convenientemente dispostas na prateleira mais próxima. Pensando com frieza, o melhor caminho é trabalhar por amostragem: correr pelo resto da biblioteca coletando um certo número de escritos aleatórios de cada seção; talvez dando preferência a textos menores, para carregar mais. 

Benford faz esse exercício de imaginação porque queria empregá-lo, na prática, para salvar um outro tipo de biblioteca, que está em chamas neste exato momento: o patrimônio genético da Terra. A proposta descrita no artigo é uma de muitas encarnações contemporâneas da Arca de Noé. O autor explica um plano utópico para preservar uma amostra com representatividade estatística de cada bioma – alguns milhares de espécies da Amazônia, dos pântanos da Flórida, da tundra siberiana etc. – usando táticas como culturas de bactérias e células e o congelamento de gametas, órgãos e seres vivos inteiros. 

É inevitável: muita coisa ficaria de fora. Mas poderíamos guardar o suficiente para garantir que cientistas do futuro tenham algum acesso à riqueza do bioma, mesmo que ele tenha cessado de existir.  

A biblioteca de Benford nunca saiu do papel. Na prática, o mais próximo de uma proposta assim na vida real é o Silo Global de Sementes de Svalbard, construído em 2008 em um arquipélago ao norte da Noruega. Ele contém 1 milhão de sementes diferentes congeladas: são 12 mil anos de agricultura resumidos num prédio. Porém, o foco do local são itens de interesse agronômico, essenciais para a alimentação humana e outras finalidades. Biodiversidade em estado bruto é outra história. 

Nós estamos destruindo o planeta mais rápido do que conseguimos aprender sobre ele. Os biólogos já descreveram 1,730 milhão de espécies – a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) estabeleceu esse número em 2014. Impressionante, mas essa ainda é uma fração ínfima do total, que é algo como 11 milhões (as estimativas mais conservadoras falam em 5 milhões; as mais ousadas, 50 milhões). 

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Milhares delas não chegarão a ser descritas, pois serão ou foram extintas antes disso. Em um momento mediano da história da Terra, quando não há vulcões gigantescos em erupção ou um asteroide batendo no planeta, algo entre uma e dez espécies são extintas por ano. Porém, atualmente, em virtude da ação humana, estima-se que ocorra algo na casa das mil extinções por ano.

A maior parte dos acadêmicos concorda que há uma extinção em massa em andamento no Holoceno – o nome da época geológica em que vivemos. (O último grande manifesto sobre o tema, de 2017, foi assinado por 15,364 pesquisadores de 184 países.)

Nos anos 1950, descobrimos que todas as formas de vida armazenam seu manual de instruções de maneira idêntica: dê um pedacinho de genoma humano a uma bactéria e ela prontamente lerá as instruções para fabricar as moléculas que compõem nosso corpo. É assim, diga-se, que fabricamos insulina para diabéticos: usamos micróbios carregados com um pedacinho de DNA humano como fábricas microscópicas.

Decifrar o DNA é um feito tecnológico homérico: com a tecnologia da década de 1990, demorávamos 13 anos e US$ 3 bilhões para soletrar o material genético de um único humano. Hoje, dá para sequenciar todo o conteúdo do nosso disco rígido biológico em 24h por US$ 500. (Note: estamos falando só da sequência de letras. Entender o que está escrito é outra história, bem mais difícil.)

Não dá para ler, porém, os DNAs de espécies que não existem mais. O que não é apenas uma tragédia para o planeta, mas também para nós, que nunca poderemos nos beneficiar de suas traquitanas biotecnológicas. A OMS estima que o Brasil, com 20% da biodiversidade mundial, tenha até 10 mil espécies com alguma aplicação plausível na medicina. Mas 85% (95%, em certas estimativas) das espécies amazônicas serão afetadas pelo aquecimento global de alguma forma. Enquanto isso, no mínimo 40% da fotossíntese da Terra já é realizada por agricultura – em geral, monocultura. 

Nas palavras do ecologista Robert May, que ecoam Alexandria: “Nós estamos queimando os livros antes de aprender a lê-los”. E essa leitura não tem um objetivo necessariamente altruísta. Em muitos casos, bancos genéticos são a única estratégia para salvar nossa própria pele. Apareça num laboratório da Embrapa, ou no Centro de Pesquisa Genômica para Mudanças Climáticas da Unicamp, e você verá agrônomos brasileiros usando genes de plantas do cerrado e da caatinga para projetar cereais resistentes ao calor e às secas – que inevitavelmente virão com as mudanças climáticas. 

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Decifra-me ou te devoro

A biodiversidade é só uma parte da lista de mistérios da Terra. Para algo que está embaixo dos nossos pés, é surpreendentemente difícil descobrir qualquer coisa sobre o planeta. Nós ignoramos uma quantidade acachapante de informação, e o que já sabemos, em geral, é extremamente recente.

Vide a idade: em 1650, um arcebispo irlandês calculou, com base na Bíblia, que Deus criou o mundo em 23 de outubro do ano 4004 a.C. Foi um palpite tão espetacularmente errado – seis ordens de magnitude fora do alvo –, que equivale a estimar a fortuna de Mark Zuckerberg em R$ 300 mil. A primeira medição realmente precisa da idade da Terra – 4,55 bilhões de anos, contra os 4,54 da melhor estimativa atual – só foi possível em 1965, depois da bomba atômica, da pílula anticoncepcional e das primeiras cápsulas espaciais tripuladas.

Apenas 5% do leito dos oceanos está mapeado com uma definição razoável (suficiente para distinguir um naufrágio ou uma cratera vulcânica, por exemplo). Todo o resto da topografia submarina é um borrão. Conhecemos as superfícies de Marte e da Lua melhor que a porção submersa do nosso próprio planeta.

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Natalia Sayuri Lara/Superinteressante

O buraco mais fundo já cavado tem 12 km, mas o centro da Terra fica a mais ou menos 6,3 mil km da superfície, de modo que tudo que sabemos sobre o recheio do planeta foi determinado indiretamente, com equações e dor de cabeça. No século 18, o matemático inglês Charles Hutton passou dois anos da sua vida calculando a massa, volume e densidade de uma montanha na Escócia, para então determinar o quanto um pêndulo era ligeiramente atraído pela gravidade da montanha – algo imperceptível a olho nu. Desse experimento, deduziu a aceleração da gravidade da Terra como um todo, e só então concluiu que dentro do planeta havia algo mais maciço que rocha comum. O quê, exatamente, ele morreu sem saber. Foi, quiçá, a questão de vestibular mais difícil da civilização.

O primeiro passo para desvendar estrutura de cebola do recheio do planeta – crosta, manto, núcleo externo líquido, núcleo interno sólido, como vemos nos livros didáticos atuais –, só veio em 1936, quando a dinamarquesa Inge Lehmann percebeu que algumas ondas sísmicas (pulsos de energia análogos a ondas sonoras que se propagam pelo interior do planeta) batiam e voltavam em alguma coisa lá dentro, outras não. A coisa era o núcleo sólido, composto de uma liga de ferro e níquel. 

A 2ª Guerra também começou e terminou antes que a comunidade científica chegasse a um consenso sobre os continentes se moverem ou não, apoiados nas placas litosféricas que bóiam como jangadas de pedra sobre o manto viscoso abaixo. A confirmação da deriva continental data dos anos 1960. Em suma: quase toda aula em que você bocejou no colégio – como aquela em que você soube que o Brasil já foi, sim, encaixado como uma peça de quebra-cabeça na África – é uma descoberta confirmada em alguma década que seus avós ou pais já estavam vivos. 

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História violenta 

A Terra não teve o instante de um parto – seria conveniente se o Dia da Terra, 22 de abril, fosse o aniversário do planeta, mas planetas não têm aniversários. A data é arbitrária, decidida por um senador e ativista americano chamado Gaylord Nelson em 1970. Ele calculou que o dia entre a Páscoa e as férias de julho seria perfeito para atrair estudantes para protestos de conscientização ambiental, e ele de fato atraiu 20 milhões de americanos para as ruas naquele ano. 

Quanto à Terra: nossa casa se formou gradualmente, ao longo de um período muito maior que o de uma vida humana: 5 milhões de anos, no mínimo. Sua matéria-prima foram restos de poeira e gás remanescentes da formação do Sol, organizados em anéis de sucata densos que orbitavam a estrela recém-nascida. Visto de longe, o astro-rei tinha a aparência de um Saturno gigantesco e caótico, cercado das aparas que dariam origem a seus planetinhas.

O material desses anéis, agregado por influência de sua própria gravidade, se acumulou progressivamente em esferas. Na vizinhança imediata da estrela, onde se concentravam elementos pesados da tabela periódica como ferro e silício, surgiram os planetas rochosos. Eles são a exceção da exceção: 73% da massa do Sol é hidrogênio, 25% é hélio, e o Sol contém 99,8% da massa do Sistema Solar inteiro. Nós somos um restinho mais denso de poeira cósmica.

Pouco após a formação da Terra, um bólido errante do tamanho de Marte, batizado de Theia, colidiu com nosso planeta recém-formado. Dessa colisão, surgiu o mundo como conhecemos. Os destroços que se espalharam pelo espaço acabaram se acumulando na órbita da Terra e formaram um pequeno anel – cujo material depois se concentrou numa bola só, dando origem à Lua. Com as translações da Lua em torno de nós, surgiu a noção de mês (ainda que não houvesse nenhum ser senciente, ou melhor, nenhum ser de qualquer tipo, para se dar conta disso). 

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Natalia Sayuri Lara/Superinteressante

Desde sua formação, o satélite natural se afasta gradualmente de nós (3,8 cm por ano). Isso desacelera a rotação do nosso planeta: os dias já duraram 18h, hoje duram 24h, num futuro distante vão durar 30h. A pancada de Theia também foi responsável por entortar o eixo de rotação nos 23° que hoje geram as estações do ano. 

A agricultura, atividade em torno da qual se constituiu nossa civilização e nossos ciclos temporais, é pautada por esse acontecimento remoto. Todo o calendário existe um função da coisa mais catastrófica que já aconteceu no planeta, do Natal (a versão cristã da comemoração do solstício de inverno no hemisfério norte) à Festa Junina (que é o oposto do Natal, uma festa pagã para solstício de verão), passando pela Páscoa (a celebração da primavera). 

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Desde então, “a história da Terra, como a vida de um soldado, consiste em longos períodos de tédio e curtos períodos de terror”, nas palavras do geólogo Derek Ager. Os períodos de tédio nos dão a ilusão de que o planeta é um aconchego – mas os de terror é que foram, em geral, os responsáveis por criar o mundo aconchegante como o conhecemos. 

A extinção em massa do Holoceno, da qual somos protagonistas, é considerada a sexta da história do planeta, e nem de longe a maior. Por exemplo: uma outra extinção, a do Permiano, ocorrida há 251 milhões de anos, foi desencadeada por uma erupção massiva na Sibéria (o fluxo de lava foi suficiente para cobrir um terço do atual território russo) e aniquilou 81% das espécies marinhas e 70% dos vertebrados terrestres. 

Em números, foi a pior coisa que já aconteceu com a vida na Terra. Mas foi esse acontecimento que abriu o caminho evolutivo para que os dinossauros surgissem. Depois, esses répteis predominaram no vácuo ecológico deixado pela extinção seguinte, entre os períodos Triássico e Jurássico, e se tornaram as maiores e mais dominantes formas de vida da Terra. Assim permaneceram até a queda do célebre asteroide na península do Yucatán, no México, há 66 milhões de anos, quando saíram de cena e legaram a Terra para que nós mamíferos, como nós, se irradiassem. As extinções são fins e também recomeços. 

Você pode argumentar que há alguma novidade no fato dos agentes do caos ambiental, desta vez, serem criaturas bípedes e cabeçudas, e não desastres naturais. Mas isso tampouco é novidade: as cianobactérias, primeiros organismos capazes de fazer fotossíntese, foram também os primeiros seres vivos a aniquilar outros seres vivos em massa, há mais de 2 bilhões de anos, sufocando-os com o oxigênio que passaram a secretar em grande quantidade.

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Natalia Sayuri Lara/Superinteressante

Na época, o gás praticamente não existia na atmosfera, e os micro-organismos (nessa época, só existiam micro-organismos) tinham outros metabolismos, bem diferentes da respiração como a conhecemos. Para eles, o gás era tóxico. Todos os seres complexos existentes hoje descendem de uma única bactéria que, há mais de 2 bilhões de anos, passou pelo acaso de sofrer uma sequência de mutações que lhe permitiram respirar o oxigênio, transformando o veneno da primeira grande extinção em elixir da vida. 

Ou seja: a Terra pode parecer estranhamente adequada a nós – mas uma de suas características únicas, o oxigênio, não é inata: foi obra da própria vida. A biosfera molda o planeta na mesma medida em que o planeta molda as biosfera. Portanto, ainda que os seres humanos, um dia, causassem sua própria extinção, o mais provável é que a vida continuasse firme, renovada. Novas espécies evoluiriam para preencher o nicho ecológico que deixaríamos para trás, e criariam uma nova paisagem, tão fascinante quanto foi a dos dinossauros.

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Cuidando da casa

Isso não quer dizer, claro, que a Terra não tenha vindo de fábrica com algumas benesses. Sua distância confortável do Sol permite a existência de água no estado líquido, e o H2O é uma molécula versátil por ser polar: tem extremidades com carga elétrica positiva e negativa, como uma pilha. Essa versatilidade a permite grudar em uma porção de outras moléculas, tornando-a o solvente perfeito para quase tudo – como urina, sangue e o citoplasma que serve de enchimento para suas células. Você é mais de 60% água. Uma água-viva é 98% água. 

Seu campo magnético vultuoso (o mais eficaz dentre os planetas rochosos do Sistema Solar) a protege dos ventos solares, um spray de partículas com carga elétrica emitidas pelo Sol que faria frangalhos de nossa atmosfera. A atmosfera, por sua vez, deixa a luz solar entrar e aquecer o solo. O solo aquecido emite radiação infravermelha, que irradia de volta para o espaço, mas é parcialmente bloqueada por moléculas como o dióxido de carbono e o metano – os gases de efeito estufa. 

É ótimo que isso aconteça. Atualmente, a temperatura média da Terra é algo como 14 °C. Na ausência de efeito estufa, seriam 18 °C negativos. O frio tornaria o planeta inviável para a vida como a conhecemos. A comoção em torno das mudanças climáticas é que a emissão anormal desses gases pela atividade humana está aumentando a retenção de calor além dos limites nos quais o planeta, em sua configuração atual, é capaz de tolerar. 

O último grande relatório sobre o assunto, que foi a sexta edição do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU, concluiu que, mesmo que zerássemos todas as emissões até 2050 – o cenário mais otimista –, a média de temperatura global ainda subiria 1,4 °C até o final do século. Se passássemos de 2 °C, que foi o limite determinado pelo Acordo de Paris em 2015, o resultado seria catastrófico. 

Ocorreria – e já ocorre, em certo grau – uma disrupção massiva em correntes marítimas, circulação dos ventos e até na latitude ideal para cada bioma: o local onde hoje está a Amazônia, por exemplo, se tornaria mais árido e adequado a algo com a aparência do Cerrado (ainda que sem nada da biodiversidade rica do Cerrado original). 

Isso impede tanto a existência de biomas saudáveis como a agricultura de soja e outros grãos que ocupa o lugar deles: plantas domesticadas exigem suas próprias condições de umidade e temperatura. A atividade econômica também é vítima das mudanças climáticas, ainda que seja sua causadora. Por exemplo: um aumento de 36 cm no nível do mar, conforme previsto para o porto de Santos (SP) até 2050, pode causar prejuízos de R$ 1,5 bilhão só em imóveis inutilizados. 

O IPCC é um documento que cita 14 mil artigos científicos, assinado por 801 pesquisadores de 156 países. Ele representa um consenso: qualquer tentativa de ignorar esses dados (ou até de aceitá-los, mas tratá-los como uma ocorrência natural em vez de resultado da ação humana) é negacionismo no mesmo patamar do movimento antivacina ou dos devaneios terraplanistas. 

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O aquecimento global não é uma previsão, tampouco uma especulação: ele já está acontecendo, e fenômenos climáticos extremos por todo o mundo são evidência disso (inclusive os que envolvem temperaturas baixas, pois o desequilíbrio também manda o termômetro para o lado oposto, às vezes). Os dez anos mais quentes desde 1880 rolaram após 2005. O IPCC já indica que o centro do Brasil e as porções sul e leste da Amazônia receberão de 10% a 20% menos chuvas mesmo no cenário mais positivo, em que o Acordo de Paris é plenamente respeitado. 

E respeitar é importante: embora a Terra já tenha sofrido alguns danos irreparáveis, as medidas de mitigação prometidas por diplomatas engravatados ainda podem evitar que a situação saia de controle. Até agora, conferências internacionais não impediram a concentração crescente de carbono na atmosfera: vide o gráfico abaixo, que mostra o ritmo das emissões humanas e o aumento na concentração do gás, em partes por milhão (ppm). 

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Natalia Sayuri Lara/Superinteressante

Uma queda recente nas nossas emissões, motivada pela pandemia (note o rabicho no último ano do gráfico) nem de longe é suficiente para frear a locomotiva de acúmulo de gás, que está a todo vapor. 

A Terra já passou por momentos de grande concentração de gás carbônico e outros gases de efeito estufa na atmosfera. Um dos picos na temperatura média do planeta, inclusive, ocorreu no Cretáceo, há 92 milhões, durante o domínio dos dinossauros. Era um mundo interessante, sem dúvida: samambaias gigantescas prosperavam na Sibéria, além do Círculo Polar Ártico, e a temperatura era algo entre 5 °C e 8 °C mais alta. 

Com um problema: não é o nosso mundo. E não é um mundo em que nós estamos aptos a viver. Ainda que as mudanças climáticas possam ser freadas antes que o planeta se torne um sósia de Vênus, com seus 462 °C de temperatura média, nós ainda temos potencial para causar muito sofrimento para nós mesmos em cenários intermediários. 

Nossa espécie evoluiu em certo conjunto de condições climáticas e biomas, e pode perecer sem eles da mesma forma que tantas já pereceram quando alteramos seus habitats, distorcendo o clima, desmatando e introduzindo espécies que corrompem a cadeia alimentar. Não há porque deixar isso acontecer. Não precisamos ser predadores de nós mesmos. 

A Terra ainda é o único planeta habitável que conhecemos, mesmo apesar da lista de mais 5 mil outros planetas já catalogados pela Nasa. E ainda há mais para os cientistas descobrirem sobre a nossa própria casa do que todo o conhecimento que somos capazes de obter sobre esses astros. Diante do que os demais mundos oferecem – em Marte, a baixa pressão atmosférica faz com que a água passe direto do estado sólido para o gasoso, e a temperatura média são 81 °C negativos –, cuidar do que já temos é a melhor opção. A grama do vizinho, neste caso, não é mais verde. De fato, sequer há grama para pisar. 

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