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A melancolia decisiva

Sartre costumava afirmar que, de toda a sua obra, as novas gerações deveriam dar toda a atenção a A Náusea, seu melhor texto. Não há como discordar.

Por 31 dez 2002, 22h00 | Atualizado em 31 out 2016, 18h21
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Wladymir Ungaretti

Quando Jean-Paul Sartre (1905-1980) entregou a primeira versão do seu romance A Náusea ao editor Gaston Gallimard, o título sugerido era Melancolia. Durante todo o ano de 1937 houve uma intensa troca de correspondência entre ele e Gallimard. Após sugerir algumas alterações (a começar pelo título), tomou-se a decisão de publicar o texto.

Lançado em 1938, A Náusea foi a primeira sacudida dada ao humanismo ocidental. O que Sartre denominava “humanismo pequeno-burguês” constituía-se numa visão de não-comprometimento radical com as questões essenciais de sua época. Um período conturbado, marcado pela sangreira sem sentido da Segunda Guerra Mundial.

Para muitos, o livro traz para o campo da literatura as questões filosóficas do seu tempo. Comparece, também, com as indagações que marcam a existência do ser humano de todos os tempos. Pois o existencialismo e A Náusea continuam sendo o pano de fundo da única radicalidade subjetiva capaz, ainda hoje, de impedir comportamentos marcados pela hipocrisia. O leitor de Sartre é um ser humano que (existencialmente) procura entender suas relações com o mundo que o cerca.

Sartre costumava afirmar que, de toda a sua obra, as novas gerações deveriam dar toda a atenção a A Náusea, seu melhor texto. Não há como discordar. Ainda hoje, é uma leitura decisiva e essencial.

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