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Cinema

Das sombras nasceu a luz que ilumina todas as artes

Por Da Redação - Atualizado em 31 out 2016, 18h23 - Publicado em 31 ago 2006, 22h00

A história do cinema começa envolvida em sombras. Foram exatamente as imagens delas as primeiras projetadas pelos homens, com auxílio da luz do sol ou fogo. A capacidade de representar imagens em movimento em uma tela branca, no entanto, só foi possível graças a uma extraordinária saga de avanços científicos e tecnológicos que durou séculos.

Um dos mais antigos embriões do cinema veio da China, onde há 2 mil anos nasceram as “sombras chinesas”, um espetáculo em que bonecos de papel são manipulados atrás de uma tela branca dando a impressão de movimentos reais. Essa arte é preservada até hoje. Só no século 13 o alemão Athanasius Kircher deu um passo adiante, inventando a lanterna mágica: uma caixa, uma fonte de luz e lentes que projetavam imagens nas paredes. Numa passagem do livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, um clássico do ultra-romantismo, o escritor alemão Goethe diz que o mundo sem amor seria como “uma lanterna mágica sem luz”.

Tudo mudou com a descoberta da fotografia no século 19. Sem ela, não seria possível a criação do cinematógrafo, o primeiro aparelho a fotografar, revelar e projetar imagens em uma tela. O feito aconteceu há 111 anos e teve como autores os irmãos franceses Louis e Auguste Lumière. O dia 13 de fevereiro de 1895 entrou para a história da arte como a primeira projeção, com o filmete Empregados Saindo da Fábrica Lumière. Demorou um tempo para que as platéias pioneiras se acostumassem com a nova moda: teve gente que saiu correndo das salas ao ver cenas como as de um trem, pensando que ele fosse sair da tela e se chocar com o público!

A reprodução das imagens de cinema marca a virada tecnológica que permitiu a disseminação da informação visual para grandes públicos, criando a chamada “indústria cultural”, que nos possibilita hoje ter mais de 200 canais de TV em casa e baixar filmes pelo computador. Os sisudos filósofos alemães da chamada escola de Frankfurt consideraram o cinema o “fim da arte”, inaugurando uma época de reprodutibilidade técnica.

Além de entretenimento e informação, o cinema também teve um papel importante na propaganda política mundial, a partir do governo nazista de Adolph Hitler na Alemanha, que tinha até uma cineasta oficial: a polêmica Leni Riefensthal, diretora, entre outros, do filme O Triunfo da Vontade. No século 20, Hollywood se estabeleceu como a meca mundial do cinema e é hoje uma das indústrias mais poderosas dos EUA, influenciando a moda e os costumes no planeta inteiro.

10 filmes que marcaram o cinema

O Silêncio da Noite (1950)

Tem Humphrey Bogart em papel dúbio (criminoso ou não?) e o diretor Nicholas Ray deixando a alma humana livre e flutuante.

Os Incompreendidos (1959)

O novo cinema francês da década de 1950, feito para entender o mundo depois da 2ª Guerra Mundial, é simbolizado nessa obra-prima do diretor François Truffaut.

Mocinho Encrenqueiro (1961)

A comédia mais ousada de todos os tempos, protagonizada pelo cômico mais talentoso do cinema norte-americano: Jerry Lewis.

Hatari (1962)

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Exuberante aventura de caçada do mestre do faroeste Howard Hawks.

Maridos (1970)

Nesse filme em que três amigos viajam para Londres, John Cassavetes simboliza sua fúria criativa e profundo rigor estético.

Morte em Veneza (1971)

Lucchino Visconti esculpe nessa obra exemplar o tempo, a beleza e a tragédia numa Veneza decadente e linda.

Tubarão (1975)

Filme de praia histórico que apresenta ao mundo um jovem e genial Steven Spielberg.

Guerra nas Estrelas (1977)

A saga de George Lucas mistura épico, fantasia, faroeste e ficção científica.

Eles Vivem! (1988)

Clássico de John Carpenter que antevê o cenário politico-corporativo de hoje, com enredo sobre alienígenas capitalistas.

A Vila (2004)

O diretor M. Night Shyamalan brinca genialmente na telona com iluminação, câmera e interpretação. Curiosamente a história se passa na mesma época em que o cinema foi inventado, em 1890.

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