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Com 340 toneladas, esta baleia pode ter sido o animal mais pesado do mundo

Os fósseis de quase 40 milhões de anos da Perucetus colossus sugerem que ela tinha o dobro do peso da baleia-azul, o maior animal do mundo. Entenda a descoberta.

Por Leo Caparroz 3 ago 2023, 14h28 | Atualizado em 4 jun 2026, 15h53
Com 340 toneladas, esta baleia pode ter sido o animal mais pesado do mundo Priorizar nos meus resultados Google

Em 2010, durante uma escavação no Peru, paleontólogos desenterraram a vértebra de um animal desconhecido. Parte do grupo ficou animada por encontrar um fóssil. Mas outros duvidaram e acharam que aquilo não seria um osso – e sim uma pedra.

Eram fósseis, no fim das contas – fósseis gigantes e de 39 milhões de anos. Os pesquisadores encontraram 13 vértebras (que pesavam 100 quilos cada), 4 costelas (de 1,4 metro de comprimento) e um osso de quadril. Eles pertenciam ao esqueleto do Perucetus colossus, a “colossal baleia peruana”, descrita pelos cientistas.

Após as escavações (que demoraram anos), os pesquisadores usaram escaneamento 3D para estudar a superfície dos ossos e os perfuraram para analisar o seu interior. Mesmo com o esqueleto incompleto, foi possível estimar o tamanho e o peso da baleia.

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Segundo os cientistas, a baleia peruana poderia chegar a medir 20 m de comprimento – e pesar até 340 toneladas. A descoberta surpreendeu os pesquisadores, já que um animal desse tamanho é diferente de todos os fósseis já registrados, tanto em tamanho quanto em estrutura.

Em comparação, a baleia azul (o maior animal do mundo) pode medir até 30 m e pesa, normalmente, 150 toneladas (as maiores, 180 t). Pois é: elas são maiores que as suas antepassadas peruanas – mas as P. colossus, ao que tudo indica, eram mais pesadas.

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O que explica essa alta densidade do animal? Um dos motivos podem ser os seus ossos.

Tá osso

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Em geral, ossos (incluindo os humanos) costumam ser esponjosos. Mas os da baleia peruana são especialmente densos (não à toa, foram confundidos com pedras). Eles também são bem grandes – maiores até do que os de baleias azuis.

Segundo os autores do estudo, publicado na última quarta (2) na Nature, os ossos densos sugerem que a espécie habitava águas costeiras e rasas. Eles funcionavam como pesos para manter os bichos debaixo da água, mas sem muito esforço.

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A aparência engraçada do P. colossus, com uma cabeça pequena em relação ao corpo (e que você vê na imagem que abre o texto), é uma suposição baseada na aparência de seus parentes, como o peixe-boi – que, vale dizer, têm ossos pesados que os ajudam a ficar no fundo do mar.

E como esse gigante se alimentava? Os cetáceos atuais – baleias, golfinhos, botos – são carnívoros, então os cientistas assumem que o P.colossus também era. As baleias azuis, por exemplo, comem basicamente krills, um tipo minúsculos de crustáceo (eles podem ser pequenos, mas elas comem porções tão grandes que compensa).

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Contudo, as águas costeiras não suportam grandes populações de animais, mesmo os diminutos. A dieta da baleiona peruana permanece um mistério. Os pesquisadores esperam encontrar outros pedaços do P. colossus para completar as lacunas de sua aparência e estilo de vida – e para que se possa cravar, de uma vez por todas, que a espécie merece o cinturão de pesos-pesados do mundo animal.

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