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Cortar a sacola plástica para salvar o mundo

Vilã ambiental do momento, a sacola plástica está saindo de cena em vários países. Inclusive neste.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h19 - Publicado em 30 nov 2007, 22h00

Texto Pedro Burgos

Cada família brasileira usa, em média, 66 sacolas plásticas de supermercado por mês. Será que não é saco demais? Governos pelo mundo acham que sim, e vêm adotando medidas para reduzir o uso das embalagens de polietileno. O problema desse material é ser fino demais para ser reciclado. O melhor é aproveitá-lo como saco de lixo doméstico, mas a maioria das sacolas vai sem escalas para o ambiente – onde, estima-se, demora uns 200 anos para se decompor. Entupindo as bocas-de-lobo, o saco pode causar enchentes e, quando chega ao oceano, é culpado pela morte de animais como baleias e tartarugas. Se o saco plástico é tão nocivo, por que o usamos? À medida que o homem ficou preocupado com a higiene, materiais descartáveis viraram obsessão da sociedade. E por custar pouco (até 80% menos que o papel pardo) o material ganhou a preferência dos comerciantes. Como a consciência ecológica é um fenômeno recente, só agora as leis restritivas começam a ganhar força. Isso não significa que o plástico vá sumir da sua vida. Afinal, ninguém vai querer misturar peixe com goiabada na sacola de compras de pano, uma das alternativas ecologicamente corretas.

As alternativas

Sacola de pano

Desde que alguns países da Europa começaram a taxar quem usa sacolas plásticas, é comum que as pessoas tragam sacolas de pano ou outro material de casa – ou coloquem as compras na mochila. Para recuperar esse hábito antigo, há alguns incentivos. Em Joinville (SC), por exemplo, desde 2004 os padeiros dão 10% de desconto no pão e no leite às pessoas que levarem uma sacola de casa.

Plástico oxibiodegradável

Em alguns países, é adicionado à fórmula do plástico um componente químico que faz com que ele seja absorvido pela natureza em 18 meses, em vez de centenas de anos. Parece bom, mas ainda não é tão barato, e a decomposição do plástico também libera gás carbônico na atmosfera, algo pouco desejável. Outra opção é o bioplástico vegetal (feito a partir de amido), também biodegradável. Mas o custo – cerca de 15 centavos por unidade – ainda faz os comerciantes fugir dele como o Diabo da cruz.

Saco mais grosso

Em alguns lugares do mundo, apenas os papéis-filme mais finos, como o das sacolinhas de supermercado, estão sendo proibidos. O plástico mais grosso é permitido por ser reciclado com mais facilidade. A medida tem críticos, já que o plástico mais grosso também é mais caro. “E reciclagem não é necessariamente uma solução, já que deve ser levado em conta o consumo de energia e água nesse processo”, afirma o professor Paulo Dias, do programa USP Recicla.

Deixando o saco de fora

Como são as políticas adotadas para reduzir o uso de embalagens plásticas em vários países

SÃO FRANCISCO (EUA)

Nos EUA, que usam 88 bilhões de sacolas por ano, é comum ouvir a pergunta “papel ou plástico?” Mas algumas cidades, como São Francisco, radicalizaram: só sacos de papel são distribuídos em supermercados e farmácias.

FRANÇA

Sacolas plásticas foram banidas em Paris e leis semelhantes devem vigorar em todo o país até 2010. O antigo hábito de levar carrinho de compras de casa já está virando moda de novo.

IRLANDA

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O governo instituiu que o cliente deveria pagar uma taxa de 15 centavos de euro por sacola usada nas compras. O consumo caiu 90%. Quando ameaçou voltar, a taxa aumentou.

TAIWAN

Baniu não só sacolas plásticas mas também talheres, copos e pratos descartáveis, que os locais utilizam muito, já que costumam fazer suas refeições em carrinhos e quiosques na rua.

BRASIL

Cogita-se o uso de um plástico biodegradável. Em Santa Catarina há dois projetos de lei sobre o tema. Em São Paulo, o governo vetou, por crer que faltam pesquisas sobre o impacto do material.

ÁFRICA DO SUL

Há 4 anos, a sacola de supermercado, fina e difícil de reciclar, foi banida. A pena lá é pesada: o comerciante que fornecer essas sacolas paga multa de cerca de US$ 13 mil ou cumpre 10 anos de cadeia.

INGLATERRA

Enquanto nenhuma lei chega, a moda são as sacolas de compra de grife. Este ano, a estilista Anya Hindmarch lançou uma com a inscrição “Eu não sou uma sacola de plástico”. O produto se esgotou no primeiro dia de venda.

BANGLADESH

Depois de descobrir que o principal motivo das constantes enchentes na capital, Daca, era o entupimento dos bueiros por sacos de compras, uma lei, de 2002, baniu a fabricação e o uso das sacolas plásticas.

1 720 Dólares é o que custa a bolsa de compras de Louis Vuitton.

500 bilhões – número estimado de sacolas plásticas no mundo em 2006.

1 460 – Sacolas de compras uam família americana consome por ano.

18 – meses que demora para o plástico oxibiodegradável se decompor.

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