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E se houvesse guerra civil no Brasil?

Rebeldes teriam de atacar pontos de infra-estrutura estratégicos até chegar a Brasília. Nada fácil

Nathan Fernandes

Nem uma nova Constituição, nem a independência de um Estado, tampouco um movimento religioso. O que motivaria um conflito armado no Brasil seria algo não muito criativo em se tratando de guerra: petróleo. Em 2012, a proposta de redistribuição dos royalties da produção da commodity levou 200 mil pessoas a se manifestarem no Rio de Janeiro. O Estado, sozinho, produz 74% do petróleo nacional. Se houver a redistribuição, o Rio diz que perderá R$ 77 bilhões em arrecadação até 2020. A discussão é longa, polêmica e ainda tramita no Congresso. Se a coisa ficasse séria e os Estados produtores de petróleo se juntassem contra o resto, teríamos, na verdade, uma guerra entre rebeldes civis e militares. Isso porque dificilmente as Forças Armadas, que respondem à presidente e não aos Estados, se voltariam contra o governo federal menos de 30 anos depois da redemocratização do País. Um novo golpe militar não seria bem visto pela comunidade internacional, haveria represálias. Então, sem o apoio militar, os rebeldes teriam de se virar com táticas de guerrilha e tentar atacar locais estratégicos. Nada impossível, ainda mais se eles angariassem mais aliados descontentes. Em 2008, o Movimento dos Atingidos por Barragens invadiu a hidrelétrica de Tucuruí, no Pará. Chegaram à sala de operações e por pouco não deixaram muita gente sem luz. Para evitar ataques assim, surgiu o Projeto Proteger, que deve ter um investimento de R$ 9,6 bilhões do governo. Mas as dificuldades dos rebeldes iriam além. Seria preciso chegar a Brasília. E o Planalto Central não tem uma Sierra Maestra, com as florestas e montanhas estratégicas que ajudaram os cubanos a tomar Havana em 1959, por exemplo. Então, mais uma vez na história, o governo central derrotaria os revoltosos.

Realidômetro: A motivação teria de ser ainda maior e a situação política e econômica do Brasil deveria ser muito mais conturbada para uma guerra civil estourar.

Forças Armadas
204.744 no Exército
69.093 na Aeronáutica
65.528 na Marinha

Infraestrutura
13 mil pontos estratégicos no Brasil
92% do PIB nacional
20% deles são ligados à produção de energia.

Fontes Jefferson Biajone, presidente-fundador do 1º Núcleo de Correspondência da Sociedade Veteranos de 32/MMDC; Vitelio Brustolin, escritor e pesquisador da Universidade Harvard, EUA, e da UFRJ; Samy Dana, economista e professor da Fundação Getúlio Vargas, São Paulo.