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Encontrada pintura rupestre mais antiga da humanidade: 73 mil anos

Pedrinha pintada com um giz de cera rudimentar foi encontrada na paradisíaca caverna de Blombos, na África do Sul.

Um pedaço de rocha com marcas de tinta de 73 mil anos foi encontrado na caverna de Blombos, localizada a 300 quilômetros da Cidade do Cabo, na África do Sul. Os traços, feitos com uma espécie de giz de cera rudimentar, são cerca de 30 mil anos mais antigos que as pinturas pré-históricas conhecidas até então – e podem mudar o que sabemos sobre a evolução da inteligência e da linguagem em nossa espécie.

A pedrinha analisada, infelizmente, é menor que um dedo. Por isso, só é possível discernir em sua superfície algumas linhas, que quase certamente eram parte de um desenho maior. O pigmento utilizado para traçá-las foi o ocre – um pó extraído de pedaços de argila que têm cor alaranjada graças aos óxidos de ferro presentes em sua composição (mais ou menos como a superfície de Marte).

Um giz de ocre nada mais é do que um desses pedaços de argila. Mais precisamente, um que seja rígido o suficiente para ser apontado como um lápis sem se desfazer – mas mole o suficiente para deixar marcas quando é atritado na pedra. As linhas são bastante finas e precisas. Algumas foram feitas esfregando o giz de trás para frente, outras eram traços simples, feitos em um movimento só. Você pode ver a pedra no vídeo abaixo:

O desenho pode parecer bastante aleatório aos olhos de um ser humano contemporâneo, mas é impossível especular o que ele significou para quem viveu na época. “Esse é o desenho mais antigo da história humana”, afirmou ao The Guardian Francesco d’Errico, pesquisador da Universidade de Bordeaux que participou do estudo. “O que ele significa? Eu não faço ideia. Algo que parece muito abstrato para nós podia significar alguma coisa para as pessoas da sociedade tradicional que o produziu.”

A caverna de Blombos fica no litoral, e por causa da temperatura agradável em seu interior, provavelmente foi um ponto de parada popular para os Homo sapiens viajantes da época. A pedrinha foi encontrada lá em 2011, mas sua análise definitiva só saiu agora, neste artigo científico. O fato de que o ser humano já era capaz de criar desenhos (sejam eles figurativos ou abstratos) há 70 mil anos é sinal de que suas capacidades linguísticas e cognitivas já eram razoáveis no período.

O conceito de arte pode até ter mudado de lá até aqui, mas definições de vida boa não mudaram tanto assim: o autor era artista, morava na praia e agora teve sua obra imortalizada. Quer mais o que?

Comentários

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  1. Luiz Chevelle

    Entrega pro pessoal do Psol tomar conta.

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