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Manfred: O rei dos céus

Barão Vermelho, o nobre que derrubou 80 aviões, virou herói e inspirou até desenho animado

Nenhum piloto conseguiu ser mais pop do que ele. Manfred Albrecht von Richthofen, mais conhecido como Barão Vermelho, já inspirou desde histórias do Snoopy até bandas de rock, passando por desenhos da Hannah Barbera. Não foi à toa: o temido alemão, o maior de todos os pilotos da Primeira Guerra Mundial (1914-1918), é até hoje considerado o ás dos ases.

Manfred nasceu em 2 de maio de 1892 em Breslau, então na Alemanha, atualmente na Polônia. Sua família pertencia à antiga nobreza prussiana, e sabia descrever a árvore genealógica até o século 16. Antes mesmo de nascer, seu pai, Albrecht, havia decidido que seu filho primogênito seguiria a tradição da família: seria um militar. Assim, aos 11 anos, Manfred foi para a escola de cadetes de Wahlstatt, em Berlim, e, como todo bom aristocrata, juntou-se à cavalaria.

Quando estourou a Primeira Guerra, em 1914, Manfred tinha 22 anos e jamais havia entrado num avião (como quase todo mundo na época). No primeiro mês da guerra, seu regimento de cavalaria fez várias patrulhas de reconhecimento, mas, ao contrário do que o jovem Manfred esperava, nada de ação. A situação piorou quando começou a guerra de trincheiras e a cavalaria tornou-se inútil. Manfred virou um garoto de recados. Frustrado, considerou a idéia de pilotar um avião, a desconhecida engenhoca que havia roubado da cavalaria a função de reconhecimento de terreno. Em 10 de junho de 1915, ele iniciou seu treinamento. Seis meses depois, tornou-se piloto.

Exímio atirador e estrategista, em pouco tempo Manfred se destacou na aviação. Em janeiro de 1917, ao completar 16 vitórias (um avião abatido, se confirmado por alguém, é considerado uma “vitória”), recebeu a mais alta condecoração prussiana, tornou-se chefe de esquadrilha e pintou seu avião. Ali nascia a lenda do Barão Vermelho.

Manfred logo mostrou serviço. Três meses depois, sua esquadrilha abateu 89 aviões inimigos, dos quais 21 foram creditados a ele, o que o tornava o maior ás da guerra, com 52 vitórias. Enquanto o mundo assistia a uma carnificina nas trincheiras, os pilotos de aviões, com seus duelos memoráveis, assemelhavam-se aos antigos cavaleiros medievais. A imprensa viu nele um novo herói e espalhou sua fama. Era o garoto-propaganda ideal da guerra.

Em junho de 1917, o Barão Vermelho montou a Jasta 1, uma unidade de elite formada pelos melhores 48 pilotos da Alemanha. Sem aeródromo fixo, a esquadrilha vivia em tendas e se movia para onde a situação estivesse mais grave. Como todos eram ases, tinham o privilégio de pintar o avião da cor que quisessem. Quando a Jasta 1 levantava vôo, o que se via era um carnaval de cores. Graças a sua existência nômade e às cores berrantes, o apelido da esquadrilha passou a ser “O Circo Voador”.

O Barão Vermelho, entretanto, não sobreviveu à guerra. Foi abatido em 21 de abril de 1918, um dia após colecionar sua octogésima vítima. Contrariando as próprias ordens, mergulhou em perseguição a um novato. Entretido com uma presa fácil, o lendário barão não viu outro avião aliado, o do capitão canadense Arthur Brown, posicionado atrás dele. O tiro fatal o pegou por trás e atravessou seu peito. Há outra versão na qual a bala mortal teria sido disparada do solo pela infantaria aliada. De qualquer modo, seu avião, que voava a poucos metros do chão, espatifou-se nas linhas inimigas. A Alemanha inteira chorou sua perda. Seus próprios inimigos reservaram-lhe um funeral completo, com todas as honrarias possíveis. Manfred tinha apenas 25 anos.