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Mediunidade – Coisa da sua cabeça?

Falar com mortos e incorporar espíritos: a chave para entender isso está no cérebro. É o que diz a maioria dos cientistas - e alguns espíritas também

1. Tomografias mostraram que durante orações ou intensa concentração o LOBO PARIETAL, responsável pela nossa orientação, é quase desativado. Isso explicaria a descrição de estar “fora de si” de quem passa por transes mediúnicos.

2. Estudos com epilépticos revelaram que lesões no LOBO TEMPORAL podem provocar alucinações visuais e sonoras, e induzir à religiosidade extrema – o fanatismo religioso de Van Gogh pode ter sido causado por epilepsia do lobo temporal.

3. Pessoas saudáveis que usaram um capacete com emissão de ondas eletromagnéticas sobre o LOBO TEMPORAL reviraram os olhos, viram luzes coloridas e reviveram cenas do passado como se elas acontecessem naquele momento.

4. Alguns cientistas espíritas defendem a mediunidade com uma justificativa biológica: a GLÂNDULA PINEAL dos médiuns teria mais cristais de apatita que o normal. Isso seria um sensor que faz ondas eletromagnéticas virarem as sensações relatadas pelos médiuns.

5. Crer em paranormalidade pode depender dos níveis de dopamina, neurotransmissor estimulante produzido no MESENCÉFALO. Quanto mais dopamina a pessoa tem no corpo, maior a tendência em acreditar nos fenômenos psi.

O fenômeno do “amigo invisível” foi reproduzido no Laboratório de Ciência Neurocognitiva, na Suíça. Ao estimular pontos do LADO ESQUERDO DO CÉREBRO numa paciente epiléptica, ela começou a sentir que havia um jovem colado nela. Pediram que tocasse os joelhos, mas ela não podia: o tal sujeito parecia estar segurando seus braços.

Sensibilidade ou loucura?

No passado, doenças do sistema nervoso foram muito confundidas com possessões ou fenômenos mediúnicos. Para os casos de tremor dos epilépticos, por exemplo, a receita era chamar um padre exorcista. Ver espíritos ou ter alguma habilidade mediúnica também já foi associado a transtornos psíquicos, como a esquizofrenia. Um estudo brasileiro realizado em 2005 com adeptos do espiritismo mostrou que, de modo geral, os médiuns são saudáveis. Quer dizer, não são molestados pelas vozes que ouvem e coisas que ninguém mais vê. E levam uma vida normal, ao contrário dos esquizofrênicos.

MÉDIUNS NO DIVÃ

Um dos primeiros estudiosos da mediunidade foi o psiquiatra francês Pierre Janet, no final do século 19. Ele acreditava que as pessoas que viam, ouviam ou sentiam coisas inexplicáveis tinham uma segunda consciência, que convivia com a, digamos, consciência protagonista. O que rolava quando alguém entrava em transe mediúnico seria uma “desagregação psíquica”, mau sinal para a saúde mental. Na opinião do cientista e filósofo inglês Frederic Myers, a chave para os fenômenos estaria numa manifestação dos conteúdos latentes do chamado self subliminal, uma parte não explorada da consciência. Freud não se ateve muito ao assunto, mas propôs que a mediunidade seria um reflexo das neuroses do sujeito. Já Carl Jung dedicou-se a pesquisas sobre o ocultismo e não descartava a hipótese de ser real o contato com os espíritos.