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Nação vodu

Religião oficial do Haiti, o vodu celebra os espíritos da natureza em festas - e que festas! Que reúnem multidões em transe.

Texto Marcos Nogueira

CABRA MACHO

Praticante do vodu – ou vodun ou voudou – corta o pescoço de um bode para usar o sangue em um festival para a divindade Ogou Feraille, em Plain du Nord, no interior do Haiti. A religião é uma adaptação de crenças de povos da África Ocidental, como os iorubas e os fons.

SANGUE PARA A VIRGEM

Coberta com o sangue de um animal sacrificado, mulher participa de ritual para Ezili Freda, associada a Nossa Senhora dos Milagres – ou, na língua crioula do Haiti, Vyej Mirak. Como ocorre com os orixás do candomblé e da umbanda, os lwas (divindades do vodu) têm paralelos em santos católicos.

PENITÊNCIAS PENOSAS

Os rituais do festival para Ogou Feraille (são Tiago Maior) incluem banhos na lama e sacrifícios de animais diversos. Aqui, um jovem se dedica ao pase poul (“passa-frango”). Ao esfregar a ave viva na pele, os voduístas acreditam que maus espíritos são transferidos para o galináceo, que em seguida é degolado por um sacerdote.

SEGURANDO VELAS

Fiéis entoam cânticos na festa da Vyej Mirak, em Ville-Bonheur, onde há uma cachoeira em que teria ocorrido uma aparição de Nossa Senhora. Obrigados a adotar o catolicismo nos séculos 16 e 17, os descendentes de escravos desenvolveram uma crença mista: o Deus da Bíblia é adorado como o criador de todos os outros espíritos cultuados pelo vodu.