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Nero e o gosto pelas artes: o vilão reabilitado

Ele chegou a ser considerado a encarnação do anticristo, mas novos estudos históricos revelam que a caricatura de artista canastrão e piromaníaco esconde um dos melhores administradores da Antigüidade, cujo pecado foi amar a refinada cultura grega e desprezar o militarismo romano.

Mônica Falcone

Por Mônica Falcone, de Roma

Num campeonato imaginário entre os vilões da História, talvez apenas o líder alemão Adolph Hitler supere o imperador romano Nero na categoria Reputação Negativa. Mas nem mesmo Hitler tem no currículo o assassinato da mãe, da primeira mulher, do irmão de criação e o incêndio da sua capital. Já em matéria de genocídios, o imperador Lucius Domitius Ahenobarbus, nascido no ano de 37 da nossa era na cidade de Antium (atual Anzio), sai perdendo. Conseguiu matar, com requintes de crueldade, apenas 300 pessoas — calcula-se que 10% da colônia de cristãos de Roma no ano 64. Muito menos que os 6 milhões de judeus imolados em nome da pureza racial ariana durante a Segunda Guerra Mundial.

A proximidade dos eventos não deixa dúvidas sobre quem foi Hitler. No caso de Nero, porém, a releitura dos fatos à luz de pesquisas recentes desencadeou uma verdadeira moda entre os historiadores: reabilitar a imagem do imperador romano. Da figura malvista, sobrou o devasso que escandalizou Roma com seus casamentos heterodoxos. No mais, ele sai incólume na onda de revisão histórica. Em lugar do canastrão da harpa surge agora um amante da cultura grega jamais aceito pelos pragmáticos romanos, e o piromaníaco deu lugar a um administrador eficiente — dos melhores na história do Império —, que impôs leis moderadoras da crueldade nos espetáculos públicos.

Uma reviravolta impressionante na trajetória de um rapaz que ascendeu ao trono com 17 anos, no dia 13 de outubro de 54, graças às artimanhas de uma mulher que aprendeu precocemente os caminhos da intriga: sua mãe, Agripina, cuja beleza só era obliterada pela sede de poder. Um jovem que, até se tornar o foco da ambição materna, viveu na tranqüilidade do campo, sob os cuidados de sua tia Domícia, onde aprendeu a amar o teatro, o canto e as corridas de quadriga, o esporte popular romano que então fazia as vezes do futebol. Não são poucos os historiadores que atribuem sua queda justamente à persistência dessa paixão, hoje considerada sua característica mais simpática: os romanos não suportavam sua mania de querer ser artista e impor-lhes a refinada cultura grega.

Agripina, no entanto, tinha outros planos para Nero. Filha do general Germânico, um dos homens mais populares da história de Roma, descendente do imperador Augusto e irmã de Calígula, ela sobreviveu sozinha a uma sucessão shakesperiana de mortes em família e após o assassinato do irmão, em 41, desencadeou a estratégia que levou o filho a ser aclamado imperador. Primeiro, Agripina conseguiu o noivado de Nero, aos 12 anos, com Otávia, filha de 8 anos de seu tio e imperador Cláudio. Mais tarde, ela mesma se casou incestuosamente com Cláudio e, por último, o xeque-mate nos outros pretendentes ao trono: convenceu o marido a adotar Nero. Era o ano de 49. Cinco anos mais tarde, quando Cláudio começou a favorecer o filho Britânico na sucessão, Agripina não hesitou em servir-lhe um prato de lulas envenenadas. Morto o imperador, Nero foi alçado ao poder.

A primeira notícia que o historiador romano Tácito (c. 56-c. 120) dá do imperador é a de um novo envenenamento: dessa vez, a morte de Júlio Silano, outro canditado à sucessão de Cláudio. Mas Tácito poupou o monarca ao escrever “ignaro Nerone oer dolum Agrippinae”: por obra de Agripina e sem que Nero soubesse. Como não podia deixar de ser, desde as primeiras linhas de seus Anais, o historiador reafirma a grande influência da mãe sobre o filho, que se prolongou durante os anos ini-ciais de seu governo. Como mulher, Agripina era excluída das reuniões do Senado. O impasse foi superado transferindo as assembléias para o palácio de Nero. Agripina acompanhava-as escondida atrás das cortinas.

Diante de uma supermãe castradora e imperial desse calibre, o único freio às suas interferências durante os primeiros anos de Nero foram os conselheiros Lúcio Anneo Sêneca, filósofo e preceptor do jovem imperador, e Afrânio Burro — uma espécie de ministro polivalente, que acumulava as decisões referentes à Justiça e às finanças. Com apoio dos dois, Nero deu os primeiros passos em suas medidas populares e de contenção dos costumes, que acabaram levando os romanos a acreditar numa nova era de ouro. Distribuiu dinheiro para os militares, conteve o preço do trigo e promoveu espetáculos para o povo, em harmonia com o famoso receituário político do pão e do circo.

Em 57, por exemplo, Nero lutou para romper uma tradição sangüinária, e obteve sucesso parcial. Na época, se acontecia um senhor ser assassinado por um escravo, era hábito que todo o pessoal de serviço da casa — em alguns casos, centenas de serviçais — fosse condenado à morte. Morte atroz, diga-se, já que para pessoas sem cidadania, como os escravos, significava o martírio na cruz ou na fogueira. Após uma luta cerrada, Nero conseguiu que o Senado não condenasse os ex-escravos — que, apesar de libertos, se mantinham a serviço do próprio senhor: para eles, a pena passou a ser comutada em exílio.

Mas foi sem dúvida na economia que Nero mostrou talento administrativo. Ele soube como poucos transformar o Estado numa arma para o crescimento econômico de Roma. Sua obra-prima financeira foi a desvalorização monetária de 63, uma reforma que diminuiu a quantidade de ouro e prata nas moedas. Inteligentemente, no entanto, para que o “pacote” não fosse neutralizado pela inflação, como hoje costuma acontecer, o imperador lançou mão de um idéia ainda em voga: obras públicas para gerar emprego e lucros. Suas iniciativas deram grande impulso à produção de cerâmica, às olarias, ao comércio e, indiretamente, a todas as atividades. A inflação foi contida em 2% ao ano e houve uma grande euforia produtiva e comercial. Tudo, com um detalhe de ruborizar os políticos “mãos sujas” da Itália de hoje: quando faltavam fundos aos cofres públicos, o imperador usava sua fortuna pessoal para injetar dinheiro na economia. A partir do ano 62, doava, anualmente, 60 milhões de sestércios — moedas de prata — para as finanças governamentais.

Essas iniciativas parecem ter impressionado menos do que outras facetas de Nero. Ele jamais escondeu que considerava convencionalismos banais as tradições de austeridade da classe dirigente romana. Como empedernido partidário da não-violência, preferia a atividade diplomática e a negociação à agressão militar. Segundo o historiador romano Suetônio (69-122), que não nutria simpatia pela imagem do imperador, “Nero nunca agiu movido pelo desejo de aumentar o império”. Não se interessava pela guerra, nunca assumiu o comando do exército nem fazia revistas à tropa. Uma atitude incompreensível para os imperialistas romanos.

É certo que, em família, ele não se mostrou tão manso assim. Mas nisso não foi exceção. Pelo contrário, a história das dinastias romanas, em particular a dos Júlio-Cláudia, à qual pertencia Nero, é uma seqüência de eventos sangüinários. Hoje sabe-se que a causa desses crimes não eram personalidades perturbadas — pelo menos, não unicamente —, mas a ausência, desde de Augusto, de uma forma de sucessão oficial. Para mascarar o caráter monárquico do governo e evitar a morte nas mãos dos senadores como Júlio César, Augusto criou mecanismos pelos quais a sucessão era um fato incerto até o último momento. O grande número de baixas entre governantes comprova a ferocidade dessa luta pelo poder.

A execução de Agripina, em 59, foi um ato de sobrevivência política: ela vinha jogando o Senado contra o filho. O crime de Nero foi tão grave e inédito que não existia em latim a palavra para denominá-lo. Relatos da época recorrem ao termo “parricida”. A primeira tentativa, uma simulação de naufrágio, falhou. Agripina salvou-se, mas sabia que a profecia feita quando era muito jovem, de que seu filho seria imperador e a mataria, estava por se realizar. Com fatalismo, ela ficou em casa esperando seus algozes, que chegariam horas depois. A favor de Nero, resta o fato de que Sêneca apoiou a decisão do imperador matricida, como diríamos hoje.

Como Agripina, seis anos depois o próprio Sêneca sucumbiria às intrigas políticas: uma conjuração de aristocratas para assassinar Nero. Dela fazia parte Anneo Mela, irmão do filósofo. Para alguns historiadores, a real intenção do golpe era levar Sêneca ao trono. Provavelmente, Nero desconfiou da trama e deu a Sêneca a ordem de se suicidar, a mais honrosa das penas. Fiel à sua filosofia e inspirado na morte de Sócrates, aos 61 anos ele saldou todas as suas contas, reuniu os amigos e diante da mulher, Paulina, encenou um dos mais teatrais e discursivos suicídios de que se tem notícia na História.

Já no assassinato da esposa, Otávia, em 62, Nero não tem justificativa: ele estava perdidamente apaixonado por Poppea Sabina, cuja beleza ofuscava a de Agripina. O caminho natural seria o divórcio, mas, no caso de Otávia, como argumentou Afrânio Burro, a separação implicava devolver o dote da esposa à família. Ou seja, o próprio império. Após a morte de Burro — com Sêneca afastado da política —, Nero perdeu a inibição. Forjou uma acusação de adultério contra Otávia, condenou-a à morte e casou-se com Poppea.

Daí a piromaníaco vai uma longa distância. Nenhum historiador sério acredita na culpa de Nero no incêndio que durante nove dias consumiu Roma. Ele nem es-tava na cidade na noite de verão en-tre 18 e 19 de julho de 64, quando o fogo começou num bairro de comerciantes, onde se concentravam depósitos de mercadorias inflamáveis. Mesmo os testemunhos antigos que citam Nero como incendiário ressaltam que se tratava de boatos: como os povos da Antigüidade, e muitos modernos, os romanos acreditavam que tudo de bom, e principalmente de mau, era responsabilidade do imperador. Além disso, a catástrofe frustrou a melhor fase de seu governo, quando o pacote econômico de 63 começava a dar frutos. Pior ainda: afastou o povo do imperador, o único apoio que tinha após a ruptura com a aristocracia.

Era necessário arranjar um culpado. E quem melhor do que as franjas extremistas do cristianismo, aqueles que esperavam, como rezava a profecia do Apocalipse de São João, que o fogo derrotasse a “fera de sete cabeças”, uma metáfora, segundo a crença popular, da própria Roma, a cidade das sete colinas? Mas não houve perseguição sistemática. Tácito conta que Nero, para acabar com os boatos, aceitou as delações contra os cristãos e que eles confessavam a culpa antes mesmo de serem presos, numa espécie de busca do martírio e da recompensa celestial.

A prova de que a acusação aos cristãos não era um ato contra sua fé está no fato de só terem sido presos os de Roma. São Paulo, conhecido líder da comunidade cristã, estava na capital no ano de 64, mas nem por isso foi incomodado. A perseguição real aos cristãos começaria mais tarde, com Domiciano (81-96), para assumir o aspecto de genocídio a partir de Décio (249-251).

Nero se lançou à tarefa de reconstrução de Roma com entusiasmo quase infantil. Deu à cidade uma planificação urbana condizente, com critérios estéticos e de segurança: proibiu telhados ou casas de madeira para evitar novos incêndios, prédios colados uns aos outros e ainda estipulou que sua altura máxima seria de duas vezes a largura da rua. Para si, construiu a Domus Aurea, cujo luxo provocou críticas. O jardim com bosques e lagos abrangia a área onde, mais tarde, seria erguido o Coliseu. A severidade dos romanos hoje em dia é pouco compreensível, pois a Domus Aurea foi financiada por Nero e não com dinheiro público.

O imperador não ignorava a opinião conservadora que os romanos tinham sobre ele. Seu casamento com o soldado grego Pitágora, quando ainda estava com Poppea, e, três anos após a morte dela, com um jovem eunuco de nome Sporo, já havia chocado a opinião aristocrata. Sabia também dos preconceitos contra artistas e, por muitos anos, só se exibiu nas festas do palácio.

Com o tempo, porém, a prudência acabou derrotada pela sedução do palco, e o amor pela cultura grega — para a mentalidade machista romana, o termo grego era sinônimo de efeminado — levou-o ao que é considerado o seu suicídio político: uma viagem à Grécia, em 66, que durou quase um ano e meio. Nunca um imperador havia se ausentado durante tanto tempo da capital.

Coroando o sonho de menino, Nero pôde exibir livremente seus dotes artísticas e acumulou todos os prêmios canoros dos jogos gregos. De volta a Roma, mergulhou numa atmosfera de festas e assumiu sem inibições a dupla personalidade de imperador e artista.

Os dias de sonho foram bruscamente interrompidos em março de 68, com a notícia de uma revolta do governador da Gália Lugdunense, Júlio Vindex. Era o começo do fim. Apesar da derrota do amotinado, aos poucos outros governadores aderiram ao levante, enquanto o imperador vacilava entre a inoperância total, um desespero profundo e um ativismo sem convicção. Dizia freqüentemente que, deposto, enfim poderia viver da arte. Na manhã de 9 de junho, traído por todos, abandonado pela terceira mulher, Statilia Messalina, Nero fugiu do palácio ajudado pelos eunucos, ex-escravos e a amante, a liberta Athe. Numa pequena casa de campo de um funcionário, a 4 quilômetros de Roma, fez escavar um fosso para si e exclamou Qualis artifex pereo — Que artista morre comigo! —, para em seguida cortar o pescoço com um punhal.

Para saber mais:

A guerra sem fim

(SUPER número 1, ano 1)

Nas montanhas dos deuses (SUPER número 10, ano 3)

Prometeu, mártir e herói (SUPER número 4, ano 4)

Revisitando a História

Nero não foi um santo. Mas também não foi a encarnação do diabo ou o caricato personagem hollywoodiano de Peter Ustinov em Quo vadis. Embora pareça difícil de acreditar, ele foi venerado até a época do imperador Trajano (98-117), quando sua sorte mudou. Por que, exatamente, não se sabe, mas o fato é que todos os livros que elogiavam seu governo foram então destruídos e perderam-se. Para o inglês Brian H. Warmington, professor da Universidade de Bristol e autor de Nero, reality and legend, a virada se deve ao rancor contra o imperador que desbancou o Senado aristocrata para modernizar o Império. Em geral, a história é propaganda dos vencedores, mas no caso de Nero parece mais a versão tendenciosa dos perdedores.

No livro Beau come l’antique, o francês Jacques Gaillard vai além: define Nero como déspota esclarecido e diz que, apesar do anedotário, era ator talentoso. Já o italiano Mario Attilio Levi absolve o imperador do grande incêndio de Roma em Nerone e i suoi tempi — o melhor estudo sobre ele: os argumentos contra ele não vão muito além da agourenta passagem de um cometa na capital.

Como chave de ouro da reabilitação, o jornalista italiano Massimo Fini escreveu Nerone, recém-lançado no Brasil, e consagra Nero como governante e pessoa justa. Para tal, chama o testemunho de São Paulo, que em 58, para salvar-se de um linchamento em Jerusalém (Atos dos Apóstolos na Bíblia, 21 a 36), recorreu a Nero. E com sucesso.

Um dia na vida da capital do mundo

Na época de Nero, a população romana beirava 1 milhão de habitantes, sem contar os escravos e a enorme massa de imigrantes de raças e culturas das mais variadas origens: árabes, negros da Etiópia, camponeses da Trácia e muitos outros. Todos concentrados na mais absoluta desordem de uma cidade que tinha como característica a disposição urbana caótica e uma rede de ruas insuficiente, coisas que o imperador começou a mudar com a reurbanização empreendida após o incêndio

De noite, o vaivém dos carros e a gritaria dos condutores xingando. De dia, os veículos eram proibidos de rodar, mas a multidão fazia suas vezes: de manhã, os professores e seus estudantes não deixam ninguém em paz e os paneleiros batem sem parar seus martelos

Em casa, as mulheres ricas contavam com escravas para cuidar de sua beleza. Elas se encarregavam de vestir e pentear a senhora. A moda era usar cabelos postiços com madeixas tiradas das cabeleiras dos bárbaros

Nas casas, populares ou aristocratas, era comum haver uma pequena porta para a rua, onde se encontrava um dos ambientes mais freqüentados pelos homens de Roma: tabernas especializadas na venda de vinhos.

Todos comiam com os dedos: no cardápio dos ricos avestruz e mexilhão, no dos pobres peixe, porco e carne de burro. Além de muito pão.

A toga tinha a forma de um semicírculo, para criar o charmoso drapeado.

Valise de couro para levar os pergaminhos, os livros da época, canetas, tinteiro, a tábua de cera e os estiletes para poder escrever nela.

Escola: crianças de 7 a 15 anos tinham aulas todas manhãs com professores estrangeiros severos, de bastão à mão para punir os erros.

As termas, ou banhos públicos, eram um programa vespertino quase obrigatório. Lá, os amigos costumavam se reunir diariamente para conversar, fazer abluções em banheiras de água quente, morna ou fria e praticar todo tipo de esportes e exercícios físicos.

Jogos: gladiadores (escravos e vagabundos em busca de riqueza) se enfrentavam até a morte.

Unidos pelo sangue

O avô foi assassinado, a avó morreu numa greve de fome em protesto por ter sido surrada e o tio Calígula dispensa comentários. Nero tinha a quem puxar: descendente de Augusto, o primeiro dos imperadores, ele trouxe no sangue o estigma trágico da linhagem Júlio-Cláudia. Uma seqüência mórbida que começou com os avós Germânico e Agripina I — neta de Augusto —, mortos na disputa pelo trono. Germânico era candidato à sucessão do tio e pai adotivo Tibério. O imperador, porém, decidiu favorecer o próprio filho e tramou a morte do enteado. Agripina I suicidou-se e os dois primogênitos dos seis filhos do casal foram executados.

A revanche veio em 37, com o violento e degenerado Calígula, terceiro filho de Germânico, que sucedeu Tibério no trono para se notabilizar como o homem que nomeou seu cavalo, Incitatus, senador. Na época, Agripina — irmã e ex-amante de Calígula — era casada com Domício Ahenobarbus, pai de Nero. Dois anos depois, ela e a irmã Júlia seriam exiladas por conspirarem contra o irmão, enquanto Domício morria doente e Nero era entregue a uma tia. De volta a Roma em 41, após o assassinato de Calígula, Agripina casou-se com o senador Passieno Crispo, que usou todo seu prestígio para protegê-la quando Cláudio, sucessor de Calígula, mandou matar Júlia. Passieno foi envenenado pela mulher em 47, e a essa altura ela e Nero eram os únicos sobreviventes da família de Germânico. Pouco depois, Agripina casou com Cláudio — seu tio, assassino da irmã e futuro pai adotivo de Nero. Final da história: envenenou o marido, e o filho assumiu o trono.