Clique e Assine por apenas 8,90/mês

O nebuloso destino de Amelia Earhart

Ela voou sobre o Atlântico, virou celebridade e resolveu fazer algo ainda maior: dar a volta ao mundo de avião. Seria sua maior e última aventura.

Por Redação Super - 26 fev 2020, 17h26

A norte-americana Amelia Earhart foi uma das personalidades mais fascinantes da história da aviação. Nascida no Kansas, em 1897, iniciou sua carreira como piloto aos 24 anos. Em 1932, tornou-se a primeira mulher a fazer um voo solo sobre o Oceano Atlântico.

Essa façanha a transformou em celebridade mundial. Mas, como você viu no texto anterior, o pioneirismo tende a ser um negócio arriscado. Poucos anos depois, Amelia seria protagonista do primeiro – e mais longevo – desaparecimento aéreo já registrado.

Às vésperas de completar 40 anos, Amelia Earhart queria ser a primeira mulher a dar a volta ao mundo em um avião – uma grande proeza para encerrar sua carreira. Em março de 1937, Amelia partiu de Oakland, na Califórnia, em direção ao sol poente, mas teve de pousar no Havaí, por problemas técnicos. A segunda tentativa ocorreu dois meses depois. “Sinto que só terei condições de realizar mais um bom voo. Espero que seja este”, disse Amelia antes de partir novamente.

Continua após a publicidade

Em 1º de maio, ela e o copiloto Fred Noonan zarparam de Oakland a bordo de um bimotor Lockheed Electra, planejando um trajeto de quase 50 mil quilômetros ao redor do globo. Cruzaram cinco continentes em dois meses – a viagem incluiu paradas em Fortaleza e Natal. Em 2 de julho, o Electra decolou de Lae, em Nova Guiné, com destino à Ilha Howland, no Oceano Pacífico. Dali, seguiriam para os Estados Unidos. Faltavam apenas 11 mil quilômetros para o fim da jornada.

Ao contrário das previsões meteorológicas, o tempo estava chuvoso e nublado. Cerca de mil quilômetros após a decolagem, o Electra enviou uma mensagem por rádio ao Itasca, um navio da guarda costeira americana ancorado em Howland. “Acho que estamos perto de vocês, mas não conseguimos vê-los. O combustível está acabando”, disse Amelia. O bimotor jamais chegou a Howland. As buscas começaram uma hora após o derradeiro contato e duram até hoje.

Em 1939, o governo americano declarou que Amelia Earhart e Fred Noonan morreram em um acidente no oceano, em local desconhecido. Em 1985, foi fundado o International Group for Historic Aircraft Recovery (TIGHAR) cujo principal objetivo é elucidar o mistério de Amelia.

Continua após a publicidade

A hipótese defendida pelo grupo – que já realizou 14 expedições às regiões sobrevoadas pelo Electra – é de que Amelia e o copiloto se perderam no caminho. Embora acreditassem estar perto de Howland, teriam pousado a 640 quilômetros dali, na Ilha de Nikumaroro, pertencente à República de Kiribati. É um atol de 7 quilômetros quadrados, sem habitantes, isolado do resto do mundo.

Amelia Earhart e Fred Noonan examinam a rota de seu último voo. Associated Press/Reprodução

Entre 2007 e 2014, pesquisadores do TIGHAR encontraram em Nikumaroro diversas pistas que podem confirmar sua teoria. Entre os achados, há o fragmento de um painel de alumínio, semelhante aos utilizados em aviões na década de 1930; um pote de creme cosmético para sardas (Amelia tinha pele bem clara); e a sola de uma botina da marca Cat Paw – tipo de calçado que aparece nos pés da aviadora em várias fotografias da época.

Novas expedições projetadas para 2015 buscarão mais evidências. Mas como Amelia e Noonan foram parar tão longe de Howland? Terão sobrevivido à queda? Nesse caso, como e quando morreram? Por enquanto, o destino de ambos permanece nebuloso.

O terrível Triângulo das Bermudas

O desaparecimento do Electra foi o primeiro em uma longa série de mistérios que marcariam a história da aviação. Algumas regiões do planeta, aliás, ficaram famosas pelo número de sumiços ocorridos ali. A mais célebre delas está localizada no Oceano Atlântico, entre Porto Rico, Bermudas e o sudeste dos Estados Unidos. Em 1950, a região com cerca de 4 milhões de quilômetros quadrados foi batizada de “Triângulo do Diabo”. Mais tarde, virou Triângulo das Bermudas.

Continua após a publicidade

Alguns dos incidentes ocorridos ali são descartados por especialistas como lendas; outros são bem documentados. É o caso do desaparecimento ocorrido em 5 de dezembro de 1945. Uma esquadrilha de cinco bombardeiros Avenger, da Marinha Americana, decolou da Flórida com 14 tripulantes. A certa altura, os pilotos comunicaram à base que estavam perdidos; as bússolas haviam parado de funcionar. Em seguida, o contato se perdeu. Um hidroavião Martim Mariner, com 13 pessoas a bordo, decolou à procura da esquadrilha – e seu sinal também se extraviou. Jamais foram encontrados vestígios do Martim Mariner ou dos cinco Avengers. Há outros cinco casos de desaparecimentos documentados no Triângulo do Diabo.

Em 2018, o antropólogo forense Richard Jantz, da Universidade do Tennessee, analisou uma ossada que havia sido encontrada oito décadas antes em Nikumaroro, um atol desabitado no Pacífico. Segundo ele, as medidas dos ossos conferem com as de Amelia – e há 99% de chance de que o esqueleto seja o dela. Em outubro de 2019, a antropóloga forense Erin Kimmerle, da Universidade do Sul da Flórida, decidiu submeter os fragmentos de osso a uma análise de DNA para tentar descobrir se eles são compatíveis com o genoma da família de Amelia. Os resultados ainda não foram divulgados.

Publicidade