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O que foi a Rebelião de Stonewall?

Ela fez 50 anos em 2019 e é símbolo do orgulho LGBT+ em todo o mundo. Entenda o que foi a revolta – e o efeito dominó que ela provocou.

Por Maria Clara Rossini - Atualizado em 29 jun 2020, 18h02 - Publicado em 28 jun 2019, 16h15

A maior parada LGBT do mundo aconteceu no último domingo, dia 23 de junho, em São Paulo. Cinco dias depois, a Revolução de Stonewall comemora 50 anos. O acontecimento, que foi chave para dar início aos grandes movimentos a favor dos direitos LGBT+, aconteceu em Nova Iorque, e teve início no dia 28 de junho de 1969.

No início da década de 1960, relações entre pessoas do mesmo sexo eram consideradas crime nos Estados Unidos. Em 1969, alguns estados já tinham derrubado essa lei, mas Nova Iorque permanecia inflexível. Por lá, um bar chamado Stonewall Inn, localizado no bairro “descolado” de Greenwich Village, era um ponto de encontro frequente para a população LGBT.

Ainda que foi reconhecido como “bar gay”, Stonewall era razoavelmente blindado contra o policiamento. Os donos do bar faziam parte da máfia italiana e pagavam propina para que os policiais ficassem sossegados. Grande parte do público era composto por jovens gays da periferia ou que foram expulsos de casa. Além disso, o lugar era muito frequentado por drag queens, que normalmente eram recebidas em outros bares com hostilidade.

Apesar de não ter licença para vender bebida alcoólica, o estabelecimento não só vendia drinks como também adicionava água para que as bebidas rendessem mais. Stonewall também violava regulamentações de saídas de emergência e higiene. Pode parecer o último bar que você escolheria frequentar, mas naquela época, era um dos únicos lugares de aceitação livre e escancarada para a população gay.

Na madrugada do dia 28 de junho de 1969, a polícia não fez vista grossa. Ela entrou no bar e agrediu frequentadores. 13 pessoas foram detidas. Alguns eram funcionários – que estavam vendendo bebida alcoólica – e outros eram travestis e drag queens. A acusação, neste último caso, era de “violação do estatuto de vestuário” – naquela época, era exigido por lei que as pessoas usassem pelo menos três peças de roupas consideradas “apropriadas” ao seu sexo. 

O ponto de virada foi a reação dos frequentadores e vizinhos do bar. Enquanto as pessoas eram levadas para a viatura, uma multidão se reuniu em frente ao bar e começou a jogar moedas, garrafas e outros objetos na polícia.

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Não demorou para o acontecimento se tornar um verdadeiro levante. Os policiais montaram uma barricada para tentar se proteger. Um dos manifestantes ateou fogo ao local onde estava a polícia. As chamas levaram a um princípio de incêndio.

O fogo foi apagado pela brigada de incêndio e a multidão dispersada, mas esse não é o final da história. Centenas de pessoas se reuniram para protestar nas redondezas do bar pelos próximos cinco dias contra a perseguição de policiais aos homossexuais – e a favor da dos direitos da comunidade gay.

A Revolta de Stonewall se tornou um símbolo da libertação gay e da demonstrações de orgulho da comunidade homossexual. Pouco tempo depois da “barricada de defesa” ficar famosa ao redor do país, foi fundada a Frente de Libertação Gay dos Estados Unidos. Seis meses depois, surgiu a Aliança de Ativistas Gays. Exatamente um ano após o incidente de Stonewall, milhares de pessoas voltaram ao bar e fizeram a primeira marcha do Dia da Libertação. Anos depois ela evoluiu para o mês do Orgulho Gay como conhecemos hoje.

Em 2016, a área em que está localizado o Stonewall Inn foi transformada no primeiro monumento nacional em homenagem direitos LGBT+ dos Estados Unidos. Hoje ele é um símbolo da luta por igualdade em todo o mundo.

O vídeo abaixo mostra algumas imagens do movimento histórico.

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