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Quem matou Cláudio Manuel da Costa?

Tiradentes não foi o único inconfidente assassinado

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h22 - Publicado em 30 set 2005, 22h00

Sérgio Amaral Silva

Uma farsa que perdurou por mais de dois séculos na história do Brasil acabou de ser desvendada. Em 1789, um dos principais líderes da Inconfidência Mineira, o advogado e poeta Cláudio Manuel da Costa, foi encontrado morto na prisão. Segundo a versão oficial, ele havia se suicidado. Cerca de 20 anos mais tarde, surgiu em Vila Rica (hoje Ouro Preto) alguém que afirmava ter sido um dos médicos que examinaram o corpo. Ele afirmava que o laudo original, de assassinato, havia sido mudado para suicídio a pedido do governador, o visconde de Barbacena. Como essa testemunha era conhecida apenas pelo apelido de Paracatu, o caso foi tratado como lenda por gerações de historiadores, até nossos dias. Depois de pesquisar o assunto por mais de 25 anos, descobri a chave do mistério em um livro de 1911, Igrejas e Irmandades de Ouro Preto, do historiador Joaquim Furtado de Menezes. Ele faz uma referência ao projeto de construir uma capelinha ao lado da casa do cirurgião-mor Caetano José “Paracatu”. Tratava-se de Caetano José Cardoso, um dos responsáveis pelo laudo cadavérico de Cláudio. Ou seja, o tal Paracatu existia mesmo.

Por que então isso não foi considerado pelos estudiosos? A resposta é simples: como aquele livro não tratava da Inconfidência, não foi usado como fonte. A identificação, confirmada por Paulo Gomes Leite, historiador da PUC de Minas Gerais, restaura a credibilidade da confissão do legista e desmonta a tese do suicídio. A exemplo do jornalista Vladimir Herzog em 1975, Cláudio não se matou, mas foi assassinado. O provável mandante foi o visconde de Barbacena, cujo envolvimento na Inconfidência é pouco conhecido, mas que temia ser incriminado se Cláudio fosse ouvido pelo vice-rei no Rio de Janeiro. Cláudio, como Tiradentes, pode agora ser visto como uma vítima da repressão à Inconfidência.

Os personagens do crime

A vítima

Cláudio Manuel da Costa (1729-1789)

Advogado e poeta nascido em Mariana (MG). Foi várias vezes secretário de governo da capitania de Minas Gerais. Por isso o governador achava que ele “sabia demais”.

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A testemunha

Caetano José “paracatu” (1749-1826)

Português, chegou ao Brasil com 22 anos. Seu apelido vinha de trabalhar como médico em Paracatu (MG) e em Vila Rica. Tinha uma biblioteca com mais de 400 volumes, uma das melhores da época.

O acusado

Visconde de Barbacena (1754-1806)

Luís Antônio Furtado de Mendonça nasceu em Lisboa. Governou Minas Gerais e era sobrinho do responsável pelo processo contra os inconfidentes, o vice-rei Luís de Vasconcellos.

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