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Samurais no Brasil

Eduardo Azevedo

Você consegue imaginar uma seita secreta de samurais lavando com sangue as pacatas ruas do interior de São Paulo? Dá para acreditar que o Brasil foi freqüentado por japoneses fanáticos que andavam pela noite com espadas de 80 centímetros e purificavam com a morte qualquer um que ousasse afirmar que o Japão tinha perdido a guerra? Parece ficção, mas a surreal organização Shindo Renmei existiu mesmo, entre 1946 e 1947. É esse o tema do surpreendente Corações Sujos (Companhia das Letras), nova obra do jornalista Fernando Morais, autor de Olga e Chatô, o Rei do Brasil.

O livro conta a história que se seguiu à rendição japonesa na Segunda Guerra Mundial, em agosto de 1945. A maior parte da colônia nipônica no Brasil recusou-se a acreditar que o lendário exército de seu país, que não havia perdido uma só batalha em 2 600 anos, tivesse sido derrotado. Quem ousasse afirmar o contrário era tachado de “derrotista” ou “coração sujo” e friamente executado com uma espada. O livro é tão envolvente que, a exemplo dos seriados japoneses, fará você torcer pelos samurais na luta pela honra.

drusso@abril.com.br