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Tribunal Superior Eleitoral , isso é que é voto

Além disso, a partir de 2003, o TSE será consultor da ONU para dividir seu conhecimento com os países membros.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 18h24 - Publicado em 31 out 2002, 22h00

Milly Lacombe

Em 2002, as eleições brasileiras deram um show de tecnologia e pioneirismo sem precedentes. Com uma das maiores massas eleitorais do planeta (114 milhões de pessoas foram chamadas a votar em 404 mil urnas), o país soube o resultado final, no caso da disputa à Presidência, menos de quatro horas depois de a última urna ser fechada – ou desplugada. O sucesso do pleito brasileiro é fruto da informatização do sistema de votação, abrangendo todas as quatro fases da eleição: a identificação do eleitor, o voto, a apuração de cada urna e a soma dos votos de todas as urnas. A reunião das três primeiras etapas na urna eletrônica é inédita no mundo e, em última análise, a grande responsável pela agilidade conseguida. A automação da urna inclui dois módulos de operação: o do eleitor, que é basicamente um PC, e o do mesário, um teclado com visor conectado ao módulo do eleitor por cabo.

Newton Almeida, assessor de planejamento do Tribunal Superior Eleitoral, explica como o processo garante também a segurança das informações que, no caso, são os votos. “Os programas das urnas foram lacrados com as assinaturas digitais dos partidos”, diz. Essas rubricas são números criados com os dados do programa e, se algum deles for alterado, o número também é. Assim, os partidos podem verificar se houver alteração. O TSE já vendeu o sistema para Argentina e Paraguai e, esse ano, recebeu visitas de engenheiros norte-americanos e europeus, que acompanharam a votação. Além disso, a partir de 2003, o TSE será consultor da ONU para dividir seu conhecimento com os países membros.

Unanimidade

O sucesso das urnas eletrônicas brasileiras foi notícia no mundo todo

TSE

Ele envia os softwares de identificação do eleitor, tabulação e apuração por rede, aos Tribunais Regionais Eleitorais. Todos os programas utilizados em 2002 foram desenvolvidos por técnicos do próprio TSE, protegidos por criptografia e assinaturas digitais

TRE

Nos TREs, um sistema gerador de mídias produz um flash-card, ou cartão de memória, que alimenta um número específico de urnas e as remete para as seções eleitorais

URNAS ELETRÔNICAS

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Durante a votação, um segundo cartão de memória armazena os votos nas urnas e, uma vez encerrada a votação, grava a apuração dos votos em um disquete inviolável

CENTRAIS TRANSMISRAS

Os disquetes são levados para as centrais – ginásios, escolas ou o tribunal eleitoral local. Os dados seguem via rede para o TSE, que totaliza e divulga o resultado

A volta dos que não foram

Luiz Fernando Klava

Passadas as eleições, a maioria dos analistas políticos vem afirmando que o povo brasileiro amadureceu e deu, em outubro, um voto contra os maus políticos, aposentando, ou pelo menos dando férias prolongadas, a candidatos envolvidos em denúncias de corrupção. No sentido oposto, no entanto, alguns caciques recentemente afastados de seus mandatos, acusados de fraude, corrupção e até crimes comuns, voltaram a ser eleitos. Os casos de Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), José Roberto Arruda (PSDB-DF) e Jáder Barbalho (PMDB-PA) são apenas os mais gritantes, em uma lista que inclui ainda Paulo Octávio (PFL-DF) e Mão Santa (PMDB-PI). O que esse fenômeno diz de nós, brasileiros? Será que perdoamos, esquecemos, não acreditamos ou simplesmente não ligamos para as denúncias que afastaram esses políticos do poder?

Para Carlos Manhanelli, cientista político e presidente da Associação Brasileira de Consultores Políticos (Abcop), isso se explica pela dissociação que o eleitor faz entre os interesses pessoais e coletivos. “Essa divisão é muito clara na mente das pessoas e, mesmo que o político seja corrupto, o eleitor vai avaliar o que ele já fez ou poderá fazer por seu estado ou região”, afirma. Segundo ele, esse fenômeno reflete de certa forma o comportamento dos brasileiros em outros assuntos. “Somos um povo que se ofende com a corrupção e a violência na tevê, mas briga com o vizinho e acha normal oferecer uma cervejinha para um guarda de trânsito”, diz.

Para a professora de ciências políticas e coordenadora do Centro de Estudos de Opinião Pública da Universidade de Campinas, Rachel Meneguello, o processo de ocupação das cidades brasileiras concorreu para desenhar nossa identidade e, hoje, reflete-se na hora do voto. “Onde a influência do poder econômico do Estado é mais relevante é provável que o eleitor vote pensando no político como um agente da economia local. O candidato é aquele que vai construir estradas ou, simplesmente, beneficiar as pessoas”, afirma.

Há ainda um componente emocional no jeito de ser e de votar do brasileiro. Estabelecemos laços de afinidade com facilidade, adoramos dizer que conhecemos fulano, que somos amigos de sicrano. E os amigos nós perdoamos. Desde que o político conquiste esse grau de afinidade com o eleitor, ele passará a merecer o mesmo tratamento.

Muitas denúncias, poucas apurações e quase nenhuma condenação também são características da sociedade brasileira que podem influenciar o comportamento do eleitor. Na opinião de Eduardo Capobianco, presidente da Transparência Brasil (organização não-governamental que defende a ética na administração pública), do mesmo jeito que a Justiça demora ou simplesmente não pune a maioria dos crimes, as pessoas também se sentem desobrigadas de fazê-lo.

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