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A operação tapa-buraco

A emissão de substâncias que destroem a camada de ozônio está diminuindo. Mas o estrago crescerá por mais trinta anos.

Ivonete D. Lucírio

Quando os gases clorofluorcarbonos, os CFCs, foram inventados, em 1928, era impossível prever que eles causariam danos ecológicos. Eles sobem a uma altura de 30 quilômetros e entram em reação com o ozônio da atmosfera, desmanchando suas moléculas. Só nos anos 70 desconfiou-se que esse processo afetaria o meio ambiente. Hoje não há dúvida: a capa de ozônio que protege o planeta dos raios ultravioleta do sol está sendo destruída. Vem se tornando mais fina a cada dia.

As primeiras providências foram tomadas há dez anos. No dia 16 de setembro de 1987, 27 países assinaram o Protocolo de Montreal para Proteção da Camada de Ozônio. Eles se comprometeram a eliminar o CFC usado em refrigeradores, ares-condicionados, sprays e outros produtos nocivos à atmosfera. Hoje, 167 países aderiram ao Protocolo.

A emissão diminuiu, felizmente. Os países desenvolvidos, que consumiam mais de 300 gramas desses gases per capita, por ano, hoje consomem apenas 45 gramas. Os novos produtos já saem de fábrica sem CFC. Mas nem por isso o buraco na camada de ozônio, concentrado sobre a Antártida, diminuiu.

O Brasil não fez a sua parte

Com o Plano Real, a venda de geladeiras dobrou. Esse é o principal motivo para o aumento do consumo de CFCs no Brasil (veja tabela), onde o produto é usado como um resfriante. Como país em desenvolvimento, o Brasil tem um prazo até o ano 2010 para eliminar os gases. “Decidimos antecipar a data para 2005”, diz o engenheiro Evandro Soares, do Prozon (Pró-Ozônio), o comitê governamental que cuida do Protocolo de Montreal. Apenas 28 empresas brasileiras desenvolvem, atualmente, projetos para fabricar seus produtos sem o uso de substâncias nocivas ao ozônio. É o caso da indústria mineira Poly-Uretan, que usava como matéria-prima o poliol, um derivado do petróleo rico em CFC, para fabricar espumas. Ela conseguiu sintetizar outro tipo de poliol usando óleo de mamona, girassol e amendoim. Mas há centenas de empresas que usam gases nocivos. E o Prozon nem sabe quantas elas são.

Para saber mais

Ozônio e Radiação UV-B, Volker Kirschoff, Transtec Editorial, São José dos Campos (SP), 1996

Na Internet:

http://www.mma.gov.br/port/SMA/ozonio/ozonio.html

O rombo que cresce sem parar

Os poluentes lançados na atmosfera há 50 anos continuam a provocar danos ao planeta.

Dez anos atrás

Em 1987, o buraco do ozônio tinha 13 milhões de km2. A Antártida era, e continua sendo, a região mais afetada. Os poluentes levados para lá pelas correntes de ar são aprisionados pelo frio e se concentram.

O estrago hoje

Mesmo com o controle de emissões, o buraco está com 22 milhões de km2, , quase três vezes a área do Brasil. O CFC fica mais de cinqüenta anos na atmosfera. O rombo atual só deve parar de crescer – e começar a diminuir – daqui a trinta anos.