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Combate ao fogo , inferno nunca mais

Aliando informações de satélite com o envolvimento da comunidade, o Departamento Estadual do Meio Ambiente de Roraima trabalha para garantir que o trágico incêndio de 1998 jamais se repita.

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 19h06 - Publicado em 31 Maio 2002, 22h00

Rodrigo Cavalcante, de Cantá, RR

Na passagem de 1997 para 1998, Boa Vista escureceu. Era a fumaça do maior incêndio já registrado na história da Amazônia que tinha tapado o sol. O assunto rendeu manchetes no mundo todo. O fogo devastou uma Bélgica inteira – 40 000 quilômetros quadrados, incluindo 14 000 de florestas intocadas. Passada a tragédia, ninguém tinha dúvidas de que era preciso encontrar uma forma de parar as queimadas. Mas poucos sabiam como.

De lá para cá, você lembra de ter visto alguma notícia sobre um incêndio em Roraima? Não viu, garanto. Não houve nenhum. Desde 1999, o Departamento Estadual do Meio Ambiente é responsável pelo monitoramento de queimadas, acompanhando diariamente os focos de calor detectados por satélites. “Apesar de indispensáveis, as imagens que chegam pelo computador não são suficientes”, diz a gaúcha Gládis Nunes da Silva, coordenadora do órgão. “Era preciso envolver a comunidade.” Em vez de investir apenas na compra de equipamentos sofisticados, o departamento apostou na formação de pequenas brigadas de incêndio espalhadas por diversos municípios. “Procuramos descentralizar o combate ao fogo, tornando todos responsáveis pela prevenção”, diz Gládis.

Dos 2 465 focos de calor registrados em 2001, nenhum virou incêndio. “Assim que recebemos o sinal do departamento, corremos para combater o fogo”, diz José Soares da Costa, chefe da brigada do município de Cantá. Sob seu comando, 20 homens com roupas especiais, luvas, capacetes, máscaras e instrumentos de combate ao fogo entram em ação. No período de estiagem, de novembro a abril, eles recebem a bolsa-verde – um salário mínimo pelo trabalho na brigada. Mas basta conversar com alguns deles para descobrir por que tanta gente se oferece como voluntária. “A gente recebe treinamento e se sente respeitado na cidade”, diz Samuel Lima, que se apresentou na brigada como voluntário e ainda não tem garantia de que vai receber o salário. “O que eu gosto é de participar.”

A Brigada de Cantá é uma das 15 do Estado. “Como estão perto dos agricultores, elas acompanham queimadas controladas que antes eram realizadas sem critério”, diz Clidenor Leite, diretor do departamento. “Elas também têm autoridade para denunciar agricultores que fazem queimadas ilegais.” Das imagens de satélite que chegam à sala de monitoramento aos homens orgulhosos com roupas de bombeiro, todos trabalham para garantir que, em Roraima, o pior já passou.

Os finalistas

Os dois outros projetos de governos finalistas da categoria Flora eram programas de recomposição de áreas degradadas. Um, mantido pela Fundação Municipal do Meio Ambiente de Florianópolis, plantou, em 2001, 25 000 mudas de plantas nativas no Morro da Cruz, perto do centro da cidade, com o envolvimento de moradores e turistas. O outro, da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), está desde 1996 recuperando áreas da Serra da Cantareira e conservando uma reserva florestal no local.

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