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Espécie em extinção: Era um sino ou um passarinho?

O saí-preto cantava como o badalar de sinos e exalava um forte cheiro quando pressentia o perigo. Masa boa intuição não impediu seu desaparecimento

Por Da Redação Atualizado em 31 out 2016, 19h05 - Publicado em 31 out 2004, 22h00

Carla Aranha

O saí-preto (black mamo, em inglês) foi observado pela primeira vez em 1893 e, 14 anos depois, já era considerado extinto. A introdução de veados e da criação de gado na Ilha de Molokai, no arquipélago do Havaí, onde o pássaro vivia, alterou profundamente o meio ambiente local, tirando a fonte de sobrevivência da delicada ave. Para piorar, os navios americanos chegavam ao Havaí (anexado aos Estados Unidos em 1898) com ratos e também com o mangusto, um roedor que tinha a fama de comer serpentes e, por isso, era levado para os pastos recém-formados. Esses dois roedores passaram a se alimentar também de passarinhos como o saí-preto, que em poucos anos desapareceu da ilha.

O passarinho de penas pretas e canto melodioso já era um velho conhecido dos havaianos, mas o primeiro ocidental a descrever o saí-preto foi o ornitólogo inglês Robert Perkins, em junho de 1893. Ele ficou tão impressionado com a descoberta que anotou a experiência em seu diário. “Estava no meio da floresta em Molokai quando, de repente, escutei um som que parecia ser de um sino. Mas isso era impossível, pois onde eu estava só havia árvores, plantas e bichos. O sino tocou uma, duas, dez vezes, em intervalos de cinco segundos. Só podia ser um passarinho. Fui silenciosamente atrás dele, até conseguir mirar e atirar. Com a criatura caída na terra, vi que era muito semelhante ao Drepanis que já conhecia, de penas amarelas, só que esse tinha penas pretas e devia ser muito mais raro”, escreveu o cientista. Como que antevendo o triste destino da ave que acabara de descobrir, Perkins sugeriu o nome científico funerea.

O saí-preto chamava a atenção não só pelo seu canto, mas também por suas penas totalmente pretas e o bico longo e curvado. Outra peculiaridade era o cheiro forte que exalava assim que pressentia a presença de possíveis predadores. Uma característica bem interessante, mas que não foi suficiente para evitar sua extinção.

Saí-Preto

Nome científico: Drepanis funerea

Ano da extinção: 1907

Habitat: Ilha de Molokai, no Havaí

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