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Os segredos (e a paciência) por trás dos vídeos da Minicozinha

Sucesso nas redes sociais, os vídeos de culinária em miniatura envolvem um processo minucioso que conquista tanto fãs admirados quanto “haters” impacientes

Minitalheres, um pequeno fogão à vela e ingredientes do tamanho de um grão de arroz: parece brincadeira, mas a união de tudo isso dá origem a comidas de verdade.

Estamos falando da Minicozinha Brasileira, uma série de vídeos que conquistou fãs (e haters) nas redes sociais ao produzir, em miniatura, receitas que variam desde a clássica feijoada até a idolatrada coxinha.

A página é um braço do Tastemade Brasil, que produz vídeos de receitas (em tamanho normal) e conquistou mais de 16 milhões de seguidores no Facebook. O sucesso foi tanto que a empresa decidiu abrir seu próprio café na cidade de São Paulo.

Na versão em miniatura, os dons culinários não são a única parte importante: é preciso pensar em receitas que dariam certo em tamanho micro e adaptar os ingredientes para essa proporção.

O processo é coordenado pela designer Fernanda Picoloto, produtora da Minicozinha e dona das mãos pacientes que aparecem nos vídeos.

Sem formação em gastronomia, ela diz que sempre gostou de cozinhar e ainda ironiza. “De qualquer forma, não existe uma formação para fazer minicomidas”, diz em entrevista ao site EXAME.

A produtora conta que não tem dificuldades para lidar e ter paciência com os alimentos pequenininhos – e que tudo ficou ainda mais fácil com a prática. Após todo o trabalho, ela também se diverte vendo os comentários nos vídeos.

“Acho engraçado que as pessoas comentam que não gostam ou que queriam quebrar as coisas, mas ainda assim assistem aos vídeos”, fala.

Não é preciso ir muito longe para ver que a observação é real. Em uma postagem de um miniespaguete com almôndegas, um usuário comenta: “Essa cozinha pitinininha me irrita tanto que eu vejo todos os vídeos!!”.

Já em uma receita de um minicafé da manhã japonês, outro usuário se expressa: “Eu adoro a minicozinha, só que sinto aflição de ver os vídeos e tenho vontade de pisotear tudo”.

Entre fãs assumidos e usuários confusos sobre seus sentimentos, a proposta também gera curiosidade: afinal, a Minicozinha realmente cozinha?

A resposta, a princípio, é sim: o pequeno fogão, que funciona alimentado pela chama de uma vela, é capaz de cozinhar os alimentos de verdade. Apesar disso, Fernanda revela que alguns “hacks” são necessários no caso das frituras e das receitas assadas.

Segundo ela, a chama não é suficiente para levar o óleo à temperatura necessária; por isso, ele é aquecido em um fogão convencional e levado depois à versão mini, que mantém sua temperatura.

No caso das receitas assadas, não há muito jeito: a minicozinha não tem um forno de verdade e é necessário colocar as comidinhas em um de tamanho real. O mesmo vale para a geladeira.

A produtora também explica que, na maioria dos casos, é possível manter a aparência dos ingredientes bem fiel à do tamanho original: uma folha de louro, por exemplo, pode ser cortada no formato de uma pequena folha.

Em outros casos, é necessário adaptar: na falta de minifeijões, foi necessário utilizar um grão amassado para fazer a versão de feijoada. Segundo ela, com exceção de algumas adaptações de última hora, nenhuma receita que eles tentaram produzir deu errado e deixou de ir ao ar.

O mistério sobre se a equipe sempre come as receitinhas depois da gravação também é respondido pela produtora.

“Às vezes eu até brinco e falo ‘acabou de sair um sonho, alguém quer?’, e alguém da equipe come para ver como ficou. Mas, às vezes, as coisas vão ficando para trás durante a produção e acabamos não comendo”. De qualquer forma, ela garante que as comidas realmente ficam com gosto idêntico à versão original.

 

Este conteúdo foi publicado originalmente em Exame.com